
Uma das primeiras ruas da então Vila de Ponta Grossa era chamada de Rua Nova. Foi uma das primeiras ruas a receber numeração predial, em 1860, na gestão de Frederico Martinho Bahls. Quando, em 1880, a cidade recebeu a visita do Imperador D. Pedro II, passou a se chamar Rua do Imperador. (Imagens no final da matéria)
Em 1881 foram instaladas placas nas esquinas com a denominação da rua pela primeira vez. Com a proclamação da República novamente mudaram seu nome, que permanece até os dias atuais, para XV de Novembro. No ano de 1890, Cel. Cláudio mandou instalar iluminação por lampiões de óleo (a luz elétrica só chegaria em 1905). No ano de 1903 recebeu calçamento com paralelepípedos, primeiro no trecho entre as ruas Cel. Dulcídio e 7 de Setembro, e depois até a rua Benjamin Constant. Toda a obra foi executada em três meses.
Primeiro cinema da cidade
Durante o século XX adquiriu uma grande importância na urbanização da cidade. Em 1908, o primeiro cinema da cidade foi inaugurado na XV, o Cine Recreio, por Augusto Canto (ficava quase em frente ao Cine Ópera). Em 1911, foi inaugurado o Cine Teatro Renascença de Jacob Holzmann.
Comércio de Luxo
Foi se tornando uma rua com comércio elegante e sofisticado. Ali existiu a Casa Lange, a primeira loja a ter as vitrines com iluminação a gás. Um luxo para a época.
As pessoas se juntavam à noite para apreciar a loja. Assim começou o famoso footing da Rua XV.
Ficaram famosos os corsos de carnaval que atravessavam a XV para os animados bailes do Clube Campos Gerais (antes de 1904 era o Clube Literário). Clube que sediou o baile do Centenário de Ponta Grossa, antes de ser consumido, em 1926, por um incêndio. Em 1917 a prefeitura e a câmara Municipal foram deslocadas para a esquina da Santana com a XV, em um prédio alugado da Carvalho & Oliveira. A XV dos protestos, tal como o famoso enterro e bota-fora do delegado Mariano Leda, no dia 16 de setembro de 1923 às 15h.
Visita de Getúlio Vargas
A XV cívica, com o cortejo triunfal recebendo Getúlio Vargas, em outubro de 1930. Assim, também, casas bancárias importantes, como o Banco Francês e Italiano e o Banco de Londres, foram instaladas em edifícios suntuosos e o comércio mais sofisticado da cidade ali se desenvolveu, como as joalherias Nicolau Gravina, Alfredo Osternack e Casa Romano.
Em 1929, o Clube Sírio Libanês se instalou na esquina da Santana com a XV sendo na época o maior clube da cidade (ficou nesse endereço até 1966 e, anos depois, o prédio cedeu espaço para um estacionamento).
Rua XV das confeitarias Schmidt e Fanucchi, da Bomboniere da Anastácia… e dos famosos bares, Daminha, Cascata e do Portuga. Ainda da Livraria Globo e da Officina Pontagrossense de Artes Gráficas. Os primeiros cartórios e tabeliães da cidade. Com os Fotos Weiss e Art (o primeiro estúdio do Bianchi foi no início da XV).
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Teatro Ópera
Em 1942, com a inauguração da Rádio Clube Pontagrossense, afiliada à PRJ2, por Manoel Machuca e Abílio Holzmann, e, mais tarde, com a inauguração do Cine Teatro Ópera, no lugar do antigo Cine Teatro Éden, a rua XV era a mais movimentada da cidade, frequentada pela sociedade princesina. No início dos anos 1960, Juca Hofmann a mandou asfaltar. A Rua XV foi a vitrine do poder econômico e político da sociedade princesina, apresentando o que a cidade tinha de melhor, do luxo à diversão.
A segunda metade do século XX marcou o início da decadência da XV. Apesar de ainda contar com a inauguração do Cine Inajá, no lugar do antigo Rena, que garantia grande movimentação, com o declínio dos cinemas de rua e do comércio local, a rua XV paulatinamente foi perdendo seu charme.
No final do século foi realizada uma intervenção que procurou dar um novo desenho ao espaço da rua (em apenas quatro quadras) visando aumentar a circulação de pedestres. Porém, não houve incentivo ao comércio nem manutenção adequada do espaço. O mobiliário urbano é feio e sem muita conservação, alguns prédios deteriorados ou desfigurados, várias demolições para dar lugar aos estacionamentos.
Arquitetura
Dos edifícios em estilo eclético, passando pelo Art Déco e até pelo modernismo (Edifício Bamerindus), pouco sobrou intacto. Foram-se a Lange, o Sírio Libanês e até a famosa Casa Progresso dos Irmãos Holzmann. Resistem impávidos, despertando admiração, o prédio do Botequim da XV, o Ópera (sem as belas pastilhas de vidro da fachada), a Gravina, o Planalto e algumas poucas casas antigas que resistem ao tempo, exibindo detalhes curiosos, como a “casa dos leões” próximo ao cruzamento da Visconde de Nacar.
*Carlos M. Fontes Neto é engenheiro, mestre em projeto e planejamento urbano e pesquisador do espaço urbano. As fotos são de Fritz Lange e do Foto Elite, do acervo do autor.
