05 de julho de 2026

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Ulrich Schmidel – um mercenário alemão


Por Josué Corrêa Fernandes Publicado 24/05/2025 às 03h00 Atualizado 25/02/2026 às 18h11
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O terceiro europeu que ousou atravessar a pé não apenas os Campos Gerais, mas toda a estrada feita de caminhos e de rios que ligava Assunção e Buenos Aires ao litoral brasileiro, foi o alemão de Straubing, Bavária, chamado Ulrich Schmidel. Filho e neto de burgomestres, com 25 anos de idade viajou de Antuérpia para Cadiz, de onde, em 1º/09/1535, juntamente com outros 150 alemães e holandeses, embarcou em direção ao Rio da Prata na frota comandada por D. Pedro de Mendoza. Em fevereiro de 1536, a expedição chegou ao seu destino, quando, então, foi fundada a atual capital portenha. Depois, passou-se à Assunção, ali ficando por 16 anos. Sua permanência foi interrompida quando recebeu carta de um irmão enfermo, chamando-o de volta à Alemanha.

Sabedor de que no Brasil, em São Vicente, encontrava-se um navio pronto para regressar à Europa, decidiu seguir por terra, nas mesmas pegadas de Aleixo Garcia e Cabeza de Vaca. Só que agora no sentido oeste/leste. Acompanhado de índios carijós, partiu depois do Natal de 1552. Escreveu, daí, um relato da viagem em alemão antigo, no qual narra a sua epopeia, o qual se encontra nas Bibliotecas de Munich e Stuttgart. Reinhard Maack, professor e geógrafo de renome, reconstruiu seu trajeto, identificando rios e lugares alcunhados com designações estranhas, o que resultou na obra “Sobre o itinerário de Ulrich Schmidel através do Sul do Brasil”.

Logo no início da aventura, na foz do Rio Jejuí, a expedição comandada por Ulrich acolheu quatro desertores, dois portugueses e dois espanhóis, que o acompanharam em canoas pelo Rio Paraná, abaixo das Sete Quedas. Depois, chegou ao local que denominou Gienge, onde enfrentou forte resistência dos índios da aldeia Carieseba, próximo ao Rio Uruguai, o que demonstra que se desviou da rota do Peabiru. Mas, ao seguir o curso do Rio Cotegipe, afluente do Iguaçu, conseguiu encontrar o atalho que o recolocou na pista central do antigo caminho, o que ocorreu próximo aos Rios Piquiri e Cantú. Novas dificuldades surgiram nas cercanias da aldeia Carieseba, quando dois dos brancos foram mortos e devorados pelos índios. Contudo, logrou chegar ao rio Ivaí, na altura do Salto Ubá.

Já em direção aos Campos Gerais, encontrou a aldeia Abapani (Castro), cruzou o Tibagi, atingiu as vizinhanças de Ponta Grossa e derivou no sentido do litoral. Por fim, descansou com seu grupo na aldeia Scherebetueba (já no Estado de São Paulo); aproximou-se da morada de Johann Raimunelle (João Ramalho) e, em 13/06/1553, chegou ao porto de São Vicente ainda a tempo de embarcar no tão anelado navio: uma marcha de 476 milhas (cerca de 2.500 km)!

O autor é um dos fundadores da Academia de Letras dos Campos Gerais, advogado, e foi juiz, vereador e prefeito da cidade de Prudentópolis, de onde é natural. Entusiasta da História, é autor de diversos livros, incluindo “Das Colinas do Pitangui…” e “Corina Portugal: História de Sangue e Luz”.

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