03 de julho de 2026

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Cervejaria Oceana, a primeira fábrica de cerveja de Ponta Grossa


Por Carlos Mendes Fontes Neto Publicado 03/07/2026 às 00h00
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OCEANA PORTER

A Cervejaria Oceana localizava-se na Rua Augusto Ribas, antiga Rua das Tropas, esquina com a Rua Padre Ildefonso. Produzia cervejas de baixa fermentação, gengibirra e outras bebidas gasosas. Seu proprietário era o cervejeiro alemão Friedrich Wilhelm Metzenthin, natural de Berlim, que chegou a Ponta Grossa em 7 de agosto de 1892.

O primeiro registro conhecido da existência da cervejaria na cidade data de 1896, quando há relatos de que uma de suas cervejas foi servida à Banda Lira dos Campos, então sob a regência de Jacob Holzmann. A importância da Cervejaria Oceana reside no fato de seu fundador ser considerado o primeiro mestre cervejeiro de Ponta Grossa. Friedrich Wilhelm Metzenthin, que passou a ser conhecido como Guilherme, havia se formado na Alemanha para exercer a profissão. Antes de estabelecer-se em Ponta Grossa, veio para Curitiba para atuar como mestre cervejeiro na cervejaria da família Weingang. Em 5 de novembro de 1880, casou-se com Thereze Weingang na Igreja Evangélica Luterana de Curitiba.

Em 1910 foi construída a segunda sede da cervejaria, em um terreno localizado na esquina em frente ao prédio original. Na nova fábrica foi produzida, em 27 de agosto daquele ano, a primeira cerveja, em alemão erster Bräu (“primeira brassagem”).

A Cervejaria Oceana funcionou até 1920 e, apesar do prestígio conquistado pela qualidade de seus produtos, encerrou suas atividades. Friedrich Wilhelm Metzenthin faleceu em 1927. Seu principal produto era a cerveja escura Oceana, do estilo Porter. Ainda em vida, Guilherme Metzenthin realizou uma viagem à sua terra natal, na Alemanha, em 1919. Está sepultado no Cemitério São José, ao lado de sua esposa.

Segundo Francisco Lothar Paulo Lange, existiam três cervejarias em Ponta Grossa no final do século XIX. Já Denise Erlund Metynoski afirmava que havia um número maior de estabelecimentos. Essa divergência talvez se explique pelo fato de que, além das fábricas locais, funcionavam na cidade representações de cervejarias curitibanas, como a Cervejaria Providência, instalada na esquina da Rua Dr. Colares com a Avenida Dr. Vicente Machado.

Ao instalar uma fábrica em Ponta Grossa, Guilherme Metzenthin conseguiu oferecer cervejas a preços mais competitivos do que aquelas trazidas de Curitiba. Isso provocou uma intensa disputa comercial com a Cervejaria Grossel, cuja sede ficava na capital e que havia instalado uma filial na cidade. Seu gerente era Henrique Thielen, que mais tarde adquiriu a filial e a transformou na Cervejaria Adriática.

O episódio mais conhecido dessa rivalidade foi o chamado “Combate das Cervejarias”, ocorrido em 14 de agosto de 1910. Conforme relata Ribas Silveira, o confronto envolveu diversos cervejeiros da cidade. Além de tombarem as carroças uns dos outros, os envolvidos chegaram a trocar tiros, o que deixou alguns bastante feridos.

Infelizmente, da primeira fábrica de cerveja de Ponta Grossa restou muito pouco. O prédio original da Rua Augusto Ribas foi descaracterizado e parcialmente demolido em 2003. Como ocorreu com tantos outros bens históricos da cidade, não houve interesse em preservar um importante marco da história da industrialização e da cultura cervejeira ponta-grossense.

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Therese e Guilhere Metzenthin,1890. Acervo de Francisco Lothar Paulo Lange

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Primeiro prédio da cervejaria. Demolido em 1989. Acervo de Francisco L. P. Lange

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A Cervejaria Oceana, segunda sede, inaugurada em 1910 e demolida em 2003, quando teve seu tombamento indeferido. Acervo Carlos Neto.

*Carlos Mendes Fontes Neto é presidente da Associação Germânica dos Campos Gerais e integrante da Academia de Letras dos Campos Gerais.

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