04 de junho de 2026

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Advogado de PG libertou acusado de matar tio de ex-presidente


Por Josué Corrêa Fernandes* Publicado 06/07/2025 às 12h24 Atualizado 25/02/2026 às 16h55
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Foto: Divulgação TJPR

O assassinato, nesta cidade, do dr. Miguel de Quadros, tio do ex-presidente da República Jânio Quadros, revelou, por vias transversas, o jurista Mário Jorge, considerado até hoje um dos grandes advogados criminalistas do país.

Ele começou muito cedo, ainda acadêmico de Direito, na condição de defensor de João Ferreira Guimarães Barbosa, conhecido como “Barbosa Paraná”, acusado e condenado como autor do referido homicídio. Embora nascido em São Paulo, Mário Jorge, com tenra idade, veio residir em Ponta Grossa com seus pais, os quais eram comerciantes. Aqui cursou o primário e também estudou no Colégio Regente Feijó. No quatriênio 1951/54, integrou os quadros da Câmara Municipal como vereador.

Barbosa Paraná foi vítima de clamoroso erro judiciário da parte do Tribunal de Justiça do Estado: absolvido por unanimidade na primeira instância, veio depois, em 1938, a ser condenado em segundo grau à pena de 21 anos de reclusão. Mário Jorge, que se encontrava na Faculdade, conhecia bem o caso, o que o levou a conversar com o condenado na penitenciária.

Como já fosse inscrito na OAB como solicitador acadêmico, garantiu-lhe que iria tentar a anulação do julgamento, mesmo que já transcorridos dez anos. Frise-se que, para custear seus estudos, o futuro advogado trabalhava como mecânico na Oficina Internacional desta cidade, depois passando a prestar serviços no jornal Diário dos Campos, dirigido por José Hoffmann. Em paralelo a essas atividades, passou a coligir novas provas acerca do delito e do seu suposto autor.

Em seguida, ajuizou no TJ um pedido de Revisão Criminal, em cuja sessão de julgamento o revisor, des. Antônio Leopoldo dos Santos, único sobrevivente da turma que condenara Barbosa Paraná, acabou por reconhecer que fora mesmo cometido um erro e que dava graças a Deus por se encontrar vivo dez anos depois, para corrigi-lo. Então, votou pela absolvição do réu, sendo acompanhado pelos demais julgadores. Septuagenário, Barbosa Paraná saiu da prisão onde vivera por uma década.

Esta importante vitória de Mário Jorge consagrou-o como criminalista de renome em todo o país. A partir daí, sua presença no Tribunal do Júri foi uma constante. Chegou a participar de cerca de 1.500 julgamentos, nos quais expunha, com ardor, as suas teses, debaixo de fecundos conhecimentos jurídicos e dos dotes de orador que possuía. Aos réus pobres, sem recursos, advogava gratuitamente, com a mesma convicção e vigor com que defendia os que lhe pagavam regiamente.

Faleceu em 1º/06/1987, aos 70 anos. Nome de ruas em diversas cidades, foi também alvo de homenagens por parte da OAB e do Poder Judiciário.

*Josué Corrêa Fernandes é um dos fundadores da Academia de Letras dos Campos Gerais, advogado, e foi juiz, vereador e prefeito da cidade de Prudentópolis, de onde é natural. Entusiasta da História, é autor de diversos livros, incluindo “Das Colinas do Pitangui…” e “Corina Portugal: História de Sangue e Luz”.

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