04 de junho de 2026

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Inimizades de Ponta Grossa no início do século 20


Por Josué Corrêa Fernandes Publicado 02/11/2025 às 17h54 Atualizado 25/02/2026 às 13h56
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Grupo de homens em reunião no início do século XX
Imagem ilustrativa gerada por IA

Muitas vezes a vida pública ou privada é feita de acontecimentos que, embora destinados a assumirem visos de seriedade, produzem efeito contrário, deixando registradas as marcas do jocoso ou do engraçado.

Na história de Ponta Grossa e dos Campos Gerais, existem algumas passagens que, distantes no tempo, ainda hoje provocam risos.

Maragatos e pica-paus

Uma delas ocorreu no início do século 20, quando as feridas abertas pela Revolução Federalista ainda não haviam cicatrizado e, embora terminada a guerra civil há mais de dez anos, grupos políticos e simpatizantes dos dois lados ainda se reuniam debaixo dos rótulos de maragatos e pica-paus. Em Ponta Grossa, não obstante a grande maioria dos cidadãos fosse simpática à revolta movida contra Floriano Peixoto, existiam elementos que se autointitulavam republicanos históricos e que, malgrado não haverem participado ativamente dos embates de 1894, não suportavam os adeptos do federalismo rebelde.

Os republicanos

Reinaldo Silveira Loureiro, pai do historiador Ribas da Silveira, era um desses republicanos empedernidos que não fazia segredo de sua inclinação política. Na cidade, aliás, consta que, por ocasião da proclamação da República, havia não mais que três ou quatro adeptos do novo sistema: ele próprio, o farmacêutico Alfredo Marques de Campos (marido e assassino de Corina Portugal) e o advogado Vicente Machado com alguns amigos.

Na outra banda, afora líderes como Augusto Ribas, contava-se também com Firmino José da Rocha, o “Rochinha”, fazendeiro, comerciante, homem público que, durante o período revolucionário, foi nomeado prefeito em substituição a Manoel Vicente Bittencourt.

Por causa dessas posições contrárias e, talvez, por motivos outros, de ordem particular, sobreveio um clima de animosidade entre Reinaldo e Firmino, que se prolongou por bom tempo.

Foi daí que, numa reunião de pessoas gradas da comunidade, objetivando resolver assunto de interesse geral, os dois vieram a se encontrar frente a frente, depois de muitos anos de escancarada ojeriza. Rochinha já se encontrava na ampla sala em companhia de outros próceres, conversando animadamente, quando adentrou ao recinto Reinaldo Silveira, rio-grandense sem travas na língua, irmão de dois pica-paus que haviam tombado mortalmente em recontros com maragatos, nas proximidades de Cruz Alta.

O que acabara de entrar, deu então de cara com o adverso, o que lhe causou ligeira perturbação. Recobrando a postura severa, olhou para os demais circunstantes e lascou o cumprimento que demonstrava educação em face dos amigos e desdém para com o antagonista:

— Boa noite para todos, menos para o senhor Firmino Rocha!

O autor é um dos fundadores da Academia de Letras dos Campos Gerais, advogado, e foi juiz, vereador e prefeito da cidade de Prudentópolis, de onde é natural. Entusiasta da História, é autor de diversos livros, incluindo “Das Colinas do Pitangui…” e “Corina Portugal: História de Sangue e Luz”.

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