Viralizou: magnata do agro detalha investimentos em Ponta Grossa

O produtor de conteúdo Julio Rico, conhecido por suas entrevistas dinâmicas com anônimos, empresários e personalidades em espaços públicos, publicou nesta semana o vídeo do encontro com Celso Frare. Rico conversou com o empresário, que é figura proeminente do setor de transportes e agronegócio no Brasil, e que na entrevista destacou sua atuação em Ponta Grossa (PR). Frare falou sobre sua trajetória pessoal e profissional.
O impacto da postagem foi imediato: o vídeo já acumula 52 mil curtidas e mais de 730 mil visualizações no Instagram.
Celso Frare e os investimentos em Ponta Grossa
Durante a breve mas reveladora conversa no aeroporto, Celso Frare detalhou a magnitude de seus negócios atuais, que se dividem entre o setor rodoviário e a produção agrícola. O empresário revelou que sua transportadora, a Ritmo, opera hoje com uma frota de 600 caminhões. No campo, a operação é igualmente robusta: Frare mantém 12.000 hectares de terra plantados com soja, milho e algodão, concentrados majoritariamente na região de Ponta Grossa.
Os números financeiros apresentados por Frare durante a entrevista impressionam pela escala. Segundo o empresário, a transportadora fatura cerca de R$ 100 milhões por mês, enquanto a divisão agropecuária registra um faturamento anual na casa dos R$ 200 milhões. No total, o grupo movimenta aproximadamente R$ 1,3 bilhão. Questionado sobre a carga tributária, Frare afirmou considerar o faturamento justo e destacou seu papel como contribuinte, revelando que paga cerca de R$ 200 milhões por ano em impostos.
Filosofia de gestão
Além das cifras, a conversa abordou os valores pessoais e a filosofia de gestão que sustentam essa trajetória de décadas. Celso Frare se descreveu como um homem “conservador”, fazendo um paralelo entre a longevidade de sua carreira e de sua vida pessoal: são 53 anos à frente da transportadora e 53 anos de casado com a mesma esposa, a quem conheceu em 1972 e com quem se casou apenas onze meses depois de se conhecerem. Para ele, o segredo do sucesso não reside em fórmulas mágicas, mas em uma premissa simples: “Trabalhar bastante. Trabalhar, trabalhar, trabalhar”.
Ciências Contábeis
Frare também ressaltou a importância da educação formal em sua formação, citando que sua graduação em Ciências Contábeis foi a “melhor coisa” que fez na vida. Como conselho para as novas gerações, o empresário enfatizou a necessidade de acreditar no Brasil, estudar, buscar especializações como MBAs e manter o entusiasmo. Ele demonstrou um otimismo contagiante em relação ao futuro do país, mencionando o potencial de expansão nas fronteiras agrícolas e logísticas do Norte, em estados como Amazonas, Pará e Maranhão. “Eu, se tivesse 30 anos, ia morar lá”, confessou ao destacar a “loucura” de oportunidades nessas regiões.
Celso Frare e a logística nacional
A trajetória de Celso Frare é indissociável da história da logística moderna no Brasil. Ele fundou o Grupo Ouro Verde em 1973, em Curitiba, empresa que se tornou líder em soluções logísticas integradas e locação de frotas na América do Sul. Sob sua liderança, a Ouro Verde expandiu-se para dezenas de filiais pelo Brasil e Argentina, atuando em segmentos que vão de veículos leves a máquinas pesadas para mineração e construção civil. Em 2013, a empresa já se apresentava como a maior locadora de equipamentos pesados do país, com investimentos anuais superiores a 500 milhões de reais.
Paixão pela direção
Um aspecto marcante de sua biografia, mencionado em registros históricos da indústria, é sua paixão pela “boléia”. Frare começou sua vida profissional como motorista de caminhão há mais de cinco décadas. Mesmo após tornar-se um magnata do setor, ele nunca perdeu o vínculo com a operação prática. Em 2004, por exemplo, fez questão de dirigir pessoalmente um novo modelo Volvo FH12 de Curitiba a Arapoti para testar a tecnologia embarcada, descrevendo a experiência como “maravilhosa” e expressando o sonho de realizar rotas internacionais cruzando a Argentina ao volante.
Celso Frare e a política
A conversa entre Julio Rico e Cesar Frare não abordou diretamente temas de ordem política. Mas Celso Frare teve participação central nas investigações da Operação Rádio Patrulha, que apurou um esquema de corrupção e direcionamento de licitações no governo do Paraná entre os anos de 2012 e 2014.
Celso Frare, então dono da empresa Ouro Verde, tornou-se um dos principais delatores do esquema. Em seus depoimentos à Justiça, ele detalhou que as empresas vencedoras das licitações do programa “Patrulha do Campo” — voltado à manutenção de estradas rurais — haviam firmado um acordo para repassar 8% do valor bruto dos contratos ao grupo político do ex-governador Beto Richa. A defesa de Richa negou as acusações e classificou os relatos de Frare como infundados.
Prisão e Acordo de Leniência
No âmbito dessas investigações, Celso Frare chegou a ser preso em setembro de 2018. Para colaborar com a Justiça e buscar a reparação dos danos, sua empresa firmou um acordo de leniência com o Ministério Público e a Controladoria-Geral do Estado, comprometendo-se a devolver R$ 33.186.800,39 aos cofres públicos. O acordo também previu que a empresa aprimorasse seus mecanismos internos de governança e integridade.
