05 de julho de 2026

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Histórias proibidas


Por Josué Corrêa Fernandes Publicado 04/01/2026 às 14h00 Atualizado 13/01/2026 às 17h48
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Rua Coronel Cláudio - Década de 1930 Foto: Ponta Grossa Histórica

No livro “O homem que inventou a ditadura no Brasil” (Júlio de Castilhos), seu autor adverte que a história costuma perpetuar somente a memória dos heróis, a acendrada coragem dos patriotas, o lado épico dos vencedores. E culmina: “nestas coisas de honradez e personagens ilustres do passado, em geral o civismo triunfa, mas a verdadeira história padece”.

Mostra-se raro que fiquem perpetuadas coisas desagradáveis, que quebrem o encanto desta ou daquela personalidade e que desnudem o herói que também foi covarde ou o santo que sucumbiu ao pecado. Repugna, para muitos, a verdade sem ademanes e a franqueza hostil, que derrubam mitos nas velozes corredeiras dos rios da vida.

Quais os nomes?

Em Ponta Grossa, por exemplo, não se pode contar que sobre um dos varões mais ilustres (nome de rua e sobrenome de bairro) pesa a terrível suspeita de haver galgado os degraus da fortuna, pulando, aliás, do rés do chão ao último patamar, através do gesto simples e temerário de dar água “temperada” ao dono da arca.

Quem terá ousadia suficiente para nominar os doze filhos legítimos e a carrada de naturais, do homem de roupeta negra, insaciável e cheio de vitalidade como um sátiro?

Da mesma forma, poucos terão coragem suficiente para transcrever páginas antigas que emprestam a fama de amigo do alheio ao grave cidadão que, há duzentos anos, fundou certa linhagem que ainda perlustra pela região…

Língua de trapo

Que “língua de trapo” terá o indivíduo para acusar o grande republicano, de alcoólatra inveterado e de especialista no saque aos cofres públicos?

Como, poderá contar-se, que o nobre conselheiro imperial, de cavanhaque e monóculo, fechou a única escola para pobres existente na cidade e, depois, a peso de ouro, vendeu terras áridas para a colocação de imigrantes, enriqueceu às custas do erário e foi viver “exilado”, com raiva da República, nas ridentes montanhas da Suíça?

Tudo um pouco

Difícil também será que alguém conte a respeito do homem que foi de tudo um pouco, cheiroso em relação ao nome e às colônias que usava e que, arbitrário e prepotente, sempre soube tirar partido das menores situações. Ou do gaúcho que foi testa coroada e integrante da Câmara dos Lordes e que chamava a si a catequização de índios para, mais facilmente, tomar-lhes as terras.

Perseguição a mendigos

Ou do homem que, alcaide, promoveu tenaz perseguição a mendigos, cães e cavalos, ao outro, que fugiu de Gumercindo Saraiva, só voltando, depois, para queimar em foguetório legalista o resto do orçamento?

Muitas, enfim, são as histórias vedadas ao conhecimento público. Um dia, no entanto, quando reencarnar a língua viperina e autêntica do historiador Ribas Silveira, todos saberão da história como ela foi, sem omissões ou penduricalhos, com nomes, datas endereços…

O autor é um dos fundadores da Academia de Letras dos Campos Gerais, advogado, e foi juiz, vereador e prefeito da cidade de Prudentópolis, de onde é natural. Entusiasta da História, é autor de diversos livros, incluindo “Das Colinas do Pitangui…” e “Corina Portugal: História de Sangue e Luz”.

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