Criação e instalação da Freguesia de Ponta Grossa (II)
O último requisito a ser cumprido para a instalação da Freguesia, era a escolha do lugar que serviria de sede à nova unidade, cujo símbolo maior seria o templo dedicado à Senhora Sant’Ana. Mas, antes, era preciso encontrar o caminho do consenso entre os moradores que tinham opiniões divergentes sobre a melhor localização.
Registra a tradição que o impasse foi solucionado por duas pombinhas domésticas com tiras vermelhas nos pés que, soltas, revolutearam brevemente e, em seguida, pousaram numa cruz ou numa velha figueira existentes na colina depois chamada de Alto de Santana, que pertencera a Quitéria Ângela Maria, neta de Diogo da Costa Rosa e filha de Domingos Fraga e Isabel da Costa Rosa.
Com esta providência um tanto mística, mas de intensa poesia, deu-se por encerrada a discordância. Era ali que brotaria a futura cidade!
O próximo passo consistia na construção da Capela de Sant’Ana. À míngua de apoio oficial, novamente os ponta-grossenses recorrem aos seus próprios recursos, com listas de auxílio, leilões, até que conseguem o montante necessário para a edificação do templo de madeira e estuque levantado pelo construtor Jerônimo Vieira. Isso ocorreu por volta de 1826, quando começam a aparecer os primeiros registros de batizados e casamentos realizados na Matriz de Nossa Senhora Sant’Ana de Ponta Grossa.
Em paralelo, são feitas doações dos imóveis que constituíram a sede e o patrimônio da Freguesia. Carlos José de Oliveira e Miguel Ferreira da Rocha Carvalhaes, sucessores dos sesmeiros Costa Rosa, transferem as áreas do centro e do local da Igreja; Antonio Ferreira da Luz e Domingos Ferreira Pinto doam as áreas do Cercadinho (Ronda) e Ana Luís Ferreira dispõe de parte do Cercado de Santa Maria.
Logo surgem as primeiras preocupações de ordem urbanística: era preciso projetar as ruas da nova Freguesia e, bem assim, baixar determinações quanto ao alinhamento das construções que surgiam de forma desordenada. Então, em 1830, Joaquim Carneiro Lobo e seu filho Hermógenes, lançam-se à tarefa depois de autorizados pela Câmara de Castro. O comércio, conquanto embrionário, já assumia aspecto relevante – loja de secos e molhados, ferraria, carpintaria.
Como aduz o antigo historiador castrense, Pedro Novaes Rosa, “as iniciativas e providências dos dirigentes da Freguesia tiveram repercussão, atraindo novos moradores e comerciantes e consequentes construções. O aspecto da Freguesia era promissor e o número de habitantes crescia continuamente” (Fundação de Ponta Grossa, p. 34).
