30 de junho de 2026

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Estatísticas de acidentes reforçam necessidade de novo contorno em PG


Por Vitor Carvalho Publicado 08/05/2026 às 15h22
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Foto: Motiva Paraná

Em meio às discussões sobre o traçado de novo contorno em Ponta Grossa, a Motiva Paraná divulgou um levantamento nesta semana sobre acidentes ocorridos no trecho urbano da BR-376. Entre os km 471 e 502, foram registrados 202 acidentes no período de 16 de maio de 2025 a 6 de maio deste ano. 

De acordo com a concessionária, esse trecho em específico será diretamente impactado pela construção do novo contorno rodoviário em Ponta Grossa. O contorno também servirá como uma alternativa para desviar o tráfego pesado que passa pela área urbana do município. No levantamento divulgado, 21% dos acidentes nesse trecho da BR-376 envolveram veículos como caminhões e carretas.

Segundo o estudo, foram 44 ocorrências, sendo 35 com caminhões e 9 com carretas. As colisões traseiras lideram as estatísticas, com 16 registros, seguidas por tombamentos (8) e choques contra defensas metálicas (6). Os dados são do setor operacional da concessionária e encaminhados para análise da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). 

Para a Motiva, a definição do que é ou não um acidente independe de vítimas. Por exemplo, uma colisão traseira na rodovia, somente com prejuízo material, entra no cálculo da concessionária. Deste modo, os 202 acidentes mencionados pelo estudo diferem dos dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no mesmo trecho.

Números da PRF

A Polícia Rodoviária Federal registrou, no mesmo período de análise da Motiva, 36 acidentes, 41 feridos e 5 mortes no trecho compreendido entre os km 471 e 502 da rodovia BR-376. O trecho de análise começa nas proximidades da empresa Makita do Brasil e vai até o entroncamento com a BR-373, em um posto de combustível.

A diferença nos números, segundo a PRF, se dá porque a polícia não considera no cálculo acidentes de pequena monta. 

“A PRF registra sinistros de trânsito que tenham a ocorrência de vítimas ou situações especiais, como condutores não habilitados, alcoolizados ou veículos oficiais, dentre outras. Acidentes de pequena monta e sem vítimas não são obrigatoriamente registrados pela PRF”, explica em nota.

A diferença de abordagem também influencia no número de acidentes envolvendo veículos pesados. Se no levantamento da Motiva 21% das ocorrências foram com caminhões e carretas, o critério da PRF chega a 25,1% para este mesmo tipo de veículo.

Maior perigo

Para a concessionária, os veículos pesados possuem um potencial maior de provocar acidentes fatais. “Dos 44 acidentes com veículos pesados, 14 (31% do total) tiveram vítimas. Isso mostra que as ocorrências com caminhões e carretas têm maior potencial não só de gerar danos materiais, mas também de provocar mortes, especialmente em áreas urbanas, como o trecho da rodovia que passa por dentro da cidade”, afirma o gerente de Operações da Motiva, Arrison Szesz.

Segundo o gerente, um dos objetivos do contorno é aumentar a segurança dos motoristas, moradores e pedestres. A obra teria “impacto direto na redução deste tipo de situação”, explica.

Segurança no tráfego

Embora não exista uma relação direta entre mudança de fluxo e número de acidentes, a PRF afirma que um maior volume de veículos pode, sim, gerar para mais acidentes. Por isso, o contorno, ao distribuir melhor o tráfego, pode tornar a passagem por Ponta Grossa mais segura.

“Diversos fatores influem na ocorrência de acidentes e por vezes, com as mudanças de características de fluxo, ocorre uma mudança no tipo ou na gravidade dos acidentes. Entretanto, é correto dizer que existe sim uma influência no volume de veículos para um maior índice de acidentes’, conclui. 

Menor tempo de viagem

A Motiva explica que uma nova rota pode representar redução no tempo gasto em viagem e em custos logísticos, especialmente para transportadoras. O traçado do novo contorno ainda está sendo definido, mas deverá ligar a região da PRC-373 ou PR-151 com a rodovia na BR-376, no Distrito Industrial Cyro Martins.

Com investimento superior a R$ 1 bilhão, o projeto atualmente apresentado pela Concessionária prevê cerca de 42 km de extensão e nove dispositivos de acesso. A previsão é de que as obras tenham início em 2027.

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Vitor Carvalho
Vitor Carvalho

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e especialista em Jornalismo Investigativo. Tem experiência no rádio, TV e em veículos impressos.