Escritora de Ponta Grossa une cultura local à cultura indígena do litoral de SP

A artista plástica e escritora ponta-grossense Amélia de Fátima Bueno de Lara tem traçado uma ponte cultural e afetiva entre os elementos culturais dos Campos Gerais e a cultura indígena presente no litoral de São Paulo. Em 2025, Amélia publicou o livro Floresta Ka’ A Guy, que transmite o conhecimento tupi-guarani sobre os cuidados com a natureza.
Inspirações
Há sete anos, a escritora e artista plástica migrou para São Sebastião, divisa com Bertioga, no litoral paulista. Lá passou a acompanhar a vida na Aldeia Indígena Rio Silveira. As vivências inspiraram Amélia a produzir a obra, a partir das observações do cotidiano do Pajé Serginho (Karai Tataendy), em seu trabalho no plantio de espécies nativas, com as crianças da aldeia.
“O Pajé Serginho é o primeiro indígena a compor um dos cantinhos da Brinquedoteca Biblioteca Brasil, que era em Ponta Grossa e passou a ser um projeto itinerante em SP. Os acervos são enviados para editais de cultura”, destacou Amélia. “O Pajé Serginho é o único da aldeia que dá cursos sobre o plantio de mudas nativas”, explicou.
Amélia contou que se identificou com a cultura do Pajé Serginho, pela questão da agricultura familiar, sempre presente em sua vida. “Meu pai, Sebastião Rodrigues de Lara, plantava morango em vários lotes da Vila Jardim Progresso, em Uvaranas, então cresci com a agricultura familiar, temos muito em comum nesse sentido”, recordou.
Celebração dos Povos Originários
O livro Ka’ A Guy será entregue à família do Pajé Serginho neste fim de semana, durante a Celebração dos Povos Originários, que acontece entre os dias 18 e 21, na Reserva Indígena Rio Silveira. A obra foi publicada em plataformas digitais e aguarda data de lançamento.

