Mortes por intervenção policial caem 25% em Ponta Grossa, diz MP

O número de mortes causadas por confrontos com forças de segurança caíram 25% em Ponta Grossa em 2025. Os dados foram divulgados pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do Ministério Público do Paraná. No ano passado, foram registradas 9 mortes deste tipo, enquanto 2024 foram 12.
Os dados foram disponibilizados em um balanço da Gaesp, que também realizou uma análise qualitativa de confrontos que tiveram intervenção policial e resultaram em mortes ou lesão corporal no Paraná.
As 9 mortes a partir de intervenções policiais em Ponta Grossa vieram em 11 ocorrências registradas. Além das mortes, outras três pessoas ficaram feridas. Em 2024, o número de ocorrências se manteve o mesmo, mas não foram registrados feridos.
Nos Campos Gerais, Telêmaco Borba e Ortigueira aparecem no top 10 de ocorrências do estado, com 7 cada.
Impacto na capital
Para se ter uma ideia, em Curitiba, a maior cidade do estado, 120 pessoas foram mortas no ano passado em decorrência de intervenções policiais, além de 21 que ficaram feridas.
No ranking estadual, Ponta Grossa aparece na 6ª colocação em número de ocorrências (11), ao lado da cidade de Colombo. Na liderança estão Curitiba (121), Londrina (34), Foz do Iguaçu (26), São José dos Pinhais (24) e Cambé (15).
Aumento no Paraná
Em todo o estado, foram registradas 497 mortes, 126 feridos em 533 ocorrências de confrontos. Além disso, 138 municípios do Paraná apresentaram ao menos uma ocorrência.
Segundo o levantamento do Ministério Público, houve um crescimento de 20,6% nas mortes e de 15,6% de pessoas feridas na comparação de 2024 com 2025 em todo o estado do Paraná.
O MPPR afirma que uma das atribuições do órgão é o controle externo da atividade policial, como por exemplo o acompanhamento de dados relativos aos confrontos.
O estudo é elaborado de forma conjunta entre o Grupo de Atuação Especializada (Gaesp) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Desde 2024, o estudo incluiu na base de dados as ocorrências que resultaram em lesões corporais e não somente em mortes.
Tipos de ocorrência
No ano de 2025, em 63,22% dos casos que resultaram em morte ou lesão corporal, a atuação policial teria ocorrido durante um crime em curso, ou seja, quando os agentes estatais de segurança abordaram pessoas que estavam cometendo crimes.
Outro recorte diz respeito aos meios empregados pelas pessoas vitimadas. Em 74,10% das 533 ocorrências (395 casos), a vítima estaria com uma arma de fogo, e em 13,88% das situações (74 casos), a vítima portaria uma arma branca, como uma faca.
Força letal
Ainda segundo o estudo, em 99,23% dos casos a justificativa para o uso de força letal (arma de fogo) em 2025 foi a legítima defesa.
Foram 39,39% de casos de reação a saque de arma de fogo, totalizando 210 usos. 34,70% de casos de reação a disparo de arma de fogo (185 vezes). E 25,14% de casos de reação à investida da vítima contra a equipe policial (134 vezes).
Diagnóstico das vítimas
O material divulgado também compila um perfil parcial das intervenções policiais em 2025. Das 497 vítimas fatais, 56 foram analisadas a fim de amostragem inicial.
Deste montante, 91% das vítimas tinham antecedentes criminais, enquanto apenas 8,9% não possuíam. Além disso, 35,3% das vítimas tinham de 1 a 3 registros policiais, enquanto praticamente dois terços continham mais de 3 registros.
Apenas uma das vítimas analisadas era menor de 18 anos na época da ocorrência. 8,9% tinham mandado de prisão expedido; 23% apresentavam histórico de fuga do sistema prisional e 16% estavam com monitoramento eletrônico ativo.

