18 de julho de 2026

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Homicídios em Ponta Grossa têm queda histórica, diz SESP


Por Vitor Carvalho Publicado 29/05/2026 às 09h59
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Foto ilustrativa PM – Levi Cantelmo
Foto ilustrativa/Levi Cantelmo/DC

O número de homicídios em Ponta Grossa segue uma tendência de queda histórica desde 2025, segundo dados oficiais da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP). O órgão informa ter registrado 33 homicídios dolosos no município no ano passado — uma redução de 62,5% em comparação com os 88 casos computados em 2024.

Em 2025, Ponta Grossa não registrou nenhum mês com mais de cinco homicídios. Mesmo no ano anterior, apesar do índice elevado, as mortes violentas mensais não ultrapassaram a marca de seis casos a partir de setembro.

O cenário positivo se estende para 2026. No primeiro quadrimestre deste ano, Ponta Grossa registrou 13 homicídios do tipo doloso (apenas um a mais do que no mesmo período de 2025). Em nível estadual, o primeiro quadrimestre de 2026 também mostrou recuo de 9% nos homicídios no Paraná em relação ao ano passado.

Em nota, a SESP reforça o momento favorável:

“Em 2025, a taxa chegou a 9,9 homicídios por 100 mil habitantes no estado. A queda continuou no primeiro trimestre de 2026, com redução de 10% em relação ao mesmo período de 2025, sobre uma base que já era recorde”, disse a secretaria.

Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) de Ponta Grossa, Elídio Carlos de Macedo, a redução recente é resultado de “uma atuação integrada e coordenada entre as forças de segurança pública”, citando como exemplo uma operação que desarticulou, no fim de 2024, um grupo de extermínio que atuava nos Campos Gerais.

O contraponto do Atlas da Violência

O debate sobre os índices criminais voltou à tona com a divulgação recente do Atlas da Violência, que traz dados sobre cidades com mais de 100 mil habitantes baseados no ano de 2024. O estudo apresenta um panorama significativamente mais alarmante para Ponta Grossa naquele ano.

Enquanto os dados da SESP apontam que o município teve 88 homicídios dolosos em 2024 (o que equivale a uma taxa de 23,6 mortes por 100 mil habitantes), o Atlas da Violência calcula que ocorreram 117 óbitos desta natureza na cidade. Sob a ótica do Atlas, a taxa de Ponta Grossa salta para 31,4 homicídios por 100 mil habitantes, número bem superior à média nacional estipulada pelo próprio estudo (23,4). Em nível estadual, o relatório também eleva a taxa do Paraná em 2024 de 13,1 para 18,6 mortes a cada 100 mil habitantes.

Diferença nas metodologias

A distorção entre os números ocorre porque as duas instituições utilizam metodologias e fontes completamente distintas para qualificar e quantificar a violência no Brasil.

  • A metodologia da SESP: Utiliza o banco de dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Os números são gerados a partir de registros policiais, investigações, perícias e boletins de ocorrência das forças de segurança. Ao publicar seus balanços, a secretaria adota estritamente a métrica de “homicídio doloso” — quando há a clara intenção de matar.
  • A metodologia do Atlas da Violência: Compila informações do Ministério da Saúde, tendo como base o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para agressões que resultaram em morte. Além disso, o Atlas aplica algoritmos de inteligência artificial (machine learning) para estimar os chamados “homicídios ocultos”, que seriam causados por subnotificações ou falhas na transmissão das causas de óbito entre a Polícia e a Saúde. Sem essa estimativa artificial, a média nacional do Atlas cairia de 23,4 para 20,1 mortes por 100 mil habitantes.

Números constestados

A utilização de dados da saúde para medir a criminalidade e a aplicação de estimativas estatísticas fazem com que autoridades e lideranças locais vejam o levantamento da SESP como mais preciso e atualizado.

Para a própria SESP, embora os dados do Atlas sejam importantes, a metodologia baseada nos registros policiais e de investigação permite uma leitura muito mais fiel da realidade criminal diária do que os dados consolidados da saúde. A secretaria lembra ainda que, no sistema do Ministério da Justiça, é possível filtrar com precisão jurídica outras categorias de mortes violentas, como latrocínio (roubo seguido de morte), feminicídio e lesão corporal seguida de morte, sem misturá-las erroneamente.

O presidente do CONSEG de Ponta Grossa é ainda mais direto e avalia os números do Atlas da Violência como superestimados. Elídio Carlos de Macedo defende que é preciso rigor com a metodologia adotada pelo estudo, visto que ela acaba incorporando óbitos que não foram crimes intencionais.

“Marcadores de violência são constatados, via de regra, em contextos absolutamente distintos de homicídio doloso, a exemplo de suicídios, acidentes de trabalho e outras causas violentas não intencionais, o que compromete a validade da equiparação metodológica adotada”, explica Macedo.

O que é o CONSEG?

O Conselho Comunitário de Segurança é uma entidade sem fins lucrativos formada por representantes da sociedade civil. O órgão atua como um espaço para planejar estratégias locais de enfrentamento à criminalidade e serve de apoio às forças policiais, estreitando os laços entre a comunidade e a polícia.

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Vitor Carvalho
Vitor Carvalho

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e especialista em Jornalismo Investigativo. Tem experiência no rádio, TV e em veículos impressos.