Economia de Ponta Grossa cresceu nove vezes frente à nacional em 2019; entenda os números

No ano passado Ponta Grossa registrou um aumento na sua produção de riquezas nove vezes superior ao nacional. De acordo com dados repassados pela Secretaria Municipal da Fazenda à reportagem do Diário dos Campos, a cidade totalizou um valor adicionado (VA) de R$ 9,63 bilhões, 10,76% maior nominalmente do que a soma de 2018. Em contrapartida, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro subiu apenas 1,1% no mesmo período. Com o desconto da inflação (IPCA 4,31%), as variações reais foram de 6,45% no VA Ponta Grossa e -3,21% no PIB do país.
Conforme explica o secretário Cláudio Grokoviski, o valor adicionado é um mensurador de riquezas geradas porque compõe o próprio PIB. “É a diferença do que a empresa comprou/utilizou na sua produção em relação à venda do seu produto. Ou seja, o lucro bruto desconsiderando os custos diretos e indiretos, como pessoal e transportes, por exemplo”, explica.
“O valor adicionado é considerado o PIB das empresas geradoras de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Somando estas às que não são tributadas por este imposto temos o PIB de um local”, categoriza o gestor da Fazenda de Ponta Grossa., lembrando que entre as empresas que ficam de fora dessa classificação estão construtoras, bancos, hospitais, correios, entre outras.

Setores
Dos mais de R$ 9,63 bilhões, a maior parte (59,8%/R$ 5,76 bilhões) foi produzida pelo setor industrial, que é seguido pelo comércio (25,3%/R$ 2,43 bilhões), serviços (9,9%/R$ 952,91 milhões) e agropecuária (5%/R$ 478,18 milhões).
Considerando o crescimento nominal dos VAs por setor, o maior, proporcionalmente, foi o do comércio (20,93%), que somou no ano passado um incremento de R$ 421,56 milhões. O secretário de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional, José Loureiro, que também ocupa a presidência do Sindilojas, lembra que no ano passado o governo iniciou a liberar saques parciais do FGTS, o que pode ter contribuído para o aumento do consumo.
“Foi um montante muito grande disponibilizado, o que aumentou o poder de compra da população. Durante 2019 o nosso saldo de empregos também foi positivo – e quanto menos gente desempregada, mais gente com dinheiro para gastar”, ressalta o gestor, referindo-se à criação de 922 novas vagas formais registradas em Ponta Grossa no ano passado de acordo com a base de dados do Ministério da Economia.
Em segundo lugar na geração de riquezas aparece a indústria (11,14%), com mais R$ 577,63 milhões de um ano a outro, e em terceiro a agropecuária (2,48%), com a adição de R$ 11,58 milhões. Em contrapartida a prestação de serviços sofreu uma retração de 7,39%, diminuindo R$ 76,05 milhões. Foi a primeira baixa de um ano a outro registrada na década.“Um dos motivos que pode ter acarretado isso é a diminuição das terceirizações, por exemplo”, sugere Loureiro.
Conforme destaca o secretário da Fazenda, outros municípios paranaenses também registraram queda no setor de serviços, como Maringá e Londrina. “Dentro da prestação de serviços temos os transportes e as telecomunicações. Em Ponta Grossa ambos caíram; para as telecomunicações talvez um dos motivos da baixa possa ter sido a concorrência das empresas de telefonia, que resultou em valores menores oferecidos ao consumidor”, cita Cláudio Grokoviski.

Projeção do PIB
A última divulgação feita pelo IBGE do PIB dos municípios brasileiros é referente a 2017. Até então, Ponta Grossa ocupava a 63ª posição nacional e a sexta estadual com R$ 14,53 bilhões. Considerando que naquele ano o VA divulgado pela Secretaria da Fazenda representava 57,3% do PIB, seguindo a mesma lógica uma projeção que pode ser feita é que o PIB 2018 de Ponta Grossa, que geralmente é divulgado em dezembro, possa ultrapassar a marca de R$ 15,17 bilhões em 2018, e o de 2019, que só será será calculado pelo IBGE no próximo ano, ser maior que R$ 16,8 bilhões.
Maiores empresas de Ponta Grossa na indústria, comércio e serviços
A reportagem do Diário dos Campos também teve acesso à listagem das maiores geradoras de valor adicionado de Ponta Grossa por setor; ou seja, das empresas que mais produzem riquezas na cidade. Enquanto que as dez maiores indústrias representam quase 76% de todo o setor, as dez maiores do comércio produzem quase R$ 1 a cada R$ 5 dentro da atividade (19%) e as dez maiores dos serviços, 17,5%.

