04 de junho de 2026

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Entidades se posicionam contra descaracterização do Hospital 26 de Outubro


Por Carlos Mendes Fontes Neto Publicado 21/02/2026 às 00h00 Atualizado 22/02/2026 às 17h51
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Foto: José Aldinan / Arquivo DC

A Associação de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural – APPAC e representantes de entidades culturais, acadêmicas e comunitárias tornaram público o posicionamento contrário a intervenções de grande porte no Hospital 26 de Outubro, em Ponta Grossa.

As instituições defendem que qualquer mudança de uso do prédio tombado respeite critérios técnicos e normativos atuais, preservando a originalidade arquitetônica e evitando descaracterizações que comprometam seu valor histórico, simbólico e social.

Leia os posicionamentos:

A Associação de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural – APPAC defende que qualquer alteração de uso no Hospital 26 de Outubro siga exigências técnicas e normativas contemporâneas. A entidade é contrária a projetos que apresentem intervenções de grande porte de um bem tombado, pois tais propostas entram em conflito direto com os princípios da originalidade e da mínima intervenção, consolidados no campo da conservação e do restauro.  A falta de destinação adequada e de manutenção contínua do antigo Hospital 26 de Outubro configura não apenas negligência administrativa, mas um processo de esvaziamento de sua função social, aprofundando a perda material, simbólica e social do patrimônio.

O posicionamento completo da Appac está disponível no site da instituição

Brendo Francis Carvalho e Gabriela Kratsch Sgarbossa – APPAC

Leia também: Hospital 26 de Outubro: a agonia de um patrimônio histórico

A manutenção da originalidade arquitetônica do 26 de Outubro representa preservar a memória, a identidade e a trajetória cultural de nossa comunidade. Por meio de suas paredes e detalhes, revelam-se técnicas construtivas, estilos e importantes funções que lhe foram atribuídas ao longo do século XX. Manter suas características é assegurar a autenticidade do patrimônio, integrando-o à vida contemporânea com respeito à sua história. Preservar seu uso adequado, evitando descaracterizações, é valorizar o espaço urbano e promover um desenvolvimento cultural e sustentável. Seu destino não pode ser sucumbir à descaracterização, transformando-se em um simples “mercadão” alheio à sua história e à sua identidade arquitetônica.

Carlos Mendes Fontes Neto
Associação Germânica dos Campos Gerais

A intenção de retomar a possibilidade de contar com um Mercado Municipal torna-se o referendo para descaracterizar mais uma construção histórica da cidade. Após tantos anos de expectativa pela concretização de um equipamento urbano tão necessário para o dia a dia de uma cidade ativa, é uma solução que esbarra no apagamento de um potencial memorial ferroviário de Ponta Grossa. Ao destinar as antigas oficinas ferroviárias para um futuro Jardim Botânico e transformar o prédio construído para instalar o Hospital 26 de Outubro em Mercado Municipal, perdemos a chance de ter um importante memorial ferroviário. Ao distanciar-se de suas origens, perde a história, perde o turismo e perde a cultura.

Douglas Passoni de Oliveira
Professor e Presidente do Centro Cultural Prof. Faris Michaele

O prédio do Hospital 26 de Outubro merece ser preservado como Espaço Cultural e Memorial da Saúde. A cidade tem uma rica história na Assistência e Ensino nessa área, desde os pioneiros cursos de Farmácia e Odontologia ao atual de Medicina. Preservaria a memória do hospital, integraria as diversas Áreas de Saúde do município através de suas associações e estimularia os setores cultural, acadêmico e universitário da cidade. É um grande desafio, porém de valor inestimável para Ponta Grossa e os Campos Gerais.

José Tadeu Tessaroli de Siqueira

Nosso grupo, Preserva Ponta Grossa, vem firmemente manifestar-se contra qualquer descaracterização. Reivindicamos o restauro integral, manutenção e preservação deste patrimônio. Consideramos uma das edificações mais importantes da história da nossa cidade, além de extrema beleza. Não aceitamos que apaguem mais uma página das nossas memórias históricas. Temos certeza que restaurada, poderá ser integralmente utilizada pelo Município, abrigando atividades condizentes e que será mais um grande atrativo turístico e cultural da cidade e região.

Luiz Carlos Kloster
Administrador do Grupo Preserva Ponta Grossa

O Hospital 26 de Outubro patrimônio histórico que carrega um valor simbólico, cultural e social que vai além de sua estrutura física. Esse espaço representa a memória coletiva. Transformá-lo em um mercado descaracteriza sua função original e enfraquece a identidade histórica do local. Preservar o prédio é respeitar o passado e garantir que futuras gerações reconheçam sua importância na história da cidade.

Isabel Regina Nascimento

O antigo Hospital 26 de Outubro é parte viva da história de Ponta Grossa. Inaugurado para cuidar de ferroviários, nasceu com a vocação da saúde e do serviço público. Preservar esse patrimônio é respeitar nossa memória e dar novo sentido ao seu propósito original. Transformá-lo em Secretaria Municipal de Saúde garante uso adequado, localização central, estrutura para a frota e para a central de ambulâncias, fortalecendo o atendimento à população e protegendo um bem histórico.

Marcelo Uczak Konofal

Quando um patrimônio é descaracterizado ou mutilado, tanto o tangível quanto o intangível, é impossível a sua recuperação total, porque ele só se justifica se continuar existindo para representar uma época, uma vida social, cultural e econômica. E o mais importante Patrimônio Cultural de Ponta Grossa, reconhecido a nível de Paraná, agoniza. Foi cercado com tapumes para evitar invasões, mas continua sendo atacado diariamente pela negligência dos responsáveis pelo local. Cupins, goteiras, mato, queda de forro, ataque de pombas, vidros quebrados, lixo, restos de objetos, sujeira, fazem parte de um espaço em que as experiências únicas ali vividas, representam a apropriação social de um período. Vamos discutir coletivamente a ocupação do antigo Hospital 26 de Outubro, que pode se transformar em um verdadeiro celeiro cultural com todas as entidades culturais reunidas.

Marcia Maria Dropa

Em meados de 2007, eu e alguns alunos do curso de Gestão Ambiental, pelo Cescage, ministrávamos palestras sobre sustentabilidade uma vez na semana. Tinha grande adesão da comunidade. Tanto esta, quanto outros cursos de manualidades – desvinculados da faculdade. Com o tempo essa iniciativa se extinguiu. Vejo o 26 de Outubro, como um espaço excelente para comportar cursos gratuitos de aperfeiçoamento para a comunidade. Além de preservar a história da edificação.

Rossana Bührer

Ouço com tristeza a notícia (não sei se fundamentada ou não) de que o venerando prédio que abrigou o Hospital 26 de Outubro, hoje num estado bastante degradado e escondido por detrás de um tapume, corre o risco de ser transformado num mercado municipal, ou seja, um ponto comercial num espaço que, por sua história, deveria ser um monumento preservado para um outro tipo de destinação. Há toda uma tradição em torno dessa construção que, em tempos menos agitados, foi palco de muitos cuidados e atenções referentes à saúde em nosso município. Temos ali amplas salas, amplos corredores, uma formosa capela felizmente ainda em bom estado de conservação, tudo isso disperso entre as muitas lembranças que se vão desfazendo no pó; em suma, toda uma herança que a cidade não pode permitir seja dirigida a outro fim que não a permanência necessária e viva da sua alma e da sua memória. O que se espera daquelas paredes ameaçadas é que revivam como uma verdadeira riqueza patrimonial da cidade e que não venham a ecoar pregões de mercadores, mas que reevoquem o nosso passado, a saúde da população, o trabalho pujante e humano dos centros culturais e das academias, a nossa voz, a nossa essência e o nosso pensamento.

Sérgio Monteiro Zan
Presidente da Academia de Letras dos Campos Gerais

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