Projeto leva ensino superior a detentos de Ponta Grossa

Um marco histórico para o sistema penitenciário paranaense foi alcançado nesta quinta-feira (02) com a realização, simultaneamente em todo o Estado, da aula magna do projeto “A Liberdade Tem Asas: O Conhecimento como Travessia”. O projeto é uma iniciativa inovadora, que conecta o ambiente acadêmico à realidade prisional e levou o ensino superior a 23 unidades penitenciárias neste primeiro momento.
Sob a orientação de tutores e com o apoio integral das direções locais, os novos acadêmicos participaram de atividades presenciais seguindo o cronograma da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) nas cidades de Curitiba, Piraquara, Pinhais, Ponta Grossa, Guarapuava, Maringá, Guaíra, Cruzeiro do Oeste, Campo Mourão, Francisco Beltrão, Cascavel, Foz do Iguaçu e Medianeira.
Ensino superior
O projeto é fruto de uma cooperação robusta que envolve a Polícia Penal do Paraná (PPPR), a Unioeste, por meio do Núcleo de Educação a Distância (NeaDuni), e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC), por meio do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). A ação integra-se também às diretrizes do Plano Pena Justa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Nesta primeira etapa, mais de 400 pessoas privadas de liberdade (PPL) iniciaram oficialmente suas jornadas na graduação na modalidade de Educação a Distância (EaD). Os cursos foram distribuídos estrategicamente conforme a vocação e o interesse dos alunos: 216 matriculados em Tecnólogo em Edificações Sustentáveis, 145 em Tecnólogo em Gestão Pública e 61 no curso de Tecnólogo em Gestão Organizacional e Inovação.
A aula magna teve como propósito ambientar os novos estudantes na plataforma virtual de aprendizagem, apresentar a estrutura da Unioeste e fomentar a reflexão sobre o ingresso na faculdade como um passaporte para a reconstrução de suas trajetórias.
As graduações são disponibilizadas a estudantes de unidades prisionais do Paraná que dispõem de telecentros e laboratórios de informática aptos a dar suporte às atividades acadêmicas. A seleção dos participantes é realizada em conjunto pelas equipes pedagógicas, setores de segurança e direções das unidades prisionais, seguindo critérios previamente estabelecidos. Para participar, os candidatos devem ter concluído o ensino médio, possuir tempo de pena compatível com a duração do curso — estimado em três anos ou mais — e manifestar interesse voluntário em ingressar na formação.
Uma das grandes novidades desta etapa é a democratização da tutoria. O projeto, que antes tinha apenas os policiais penais como tutores principais, agora foi oficialmente aberto para a participação de monitores e profissionais terceirizados, ampliando significativamente a rede de apoio ao estudante privado de liberdade.
Para o Setor de Educação da Polícia Penal do Paraná, este momento consolida uma política pública essencial. “É com profunda satisfação e senso de dever cumprido que expressamos nosso mais sincero agradecimento pela sólida parceria firmada com a Unioeste. Esta cooperação técnica e pedagógica tem se mostrado um pilar fundamental na capacitação dos policiais penais, preparando-os para liderar processos de reinserção social por meio do acesso ao ensino superior”, afirmou a chefe da Divisão de Educação e Capacitação da PPPR, Lisiane Haag Antonelli.
“Iniciativas inovadoras como o projeto A Liberdade Tem Asas traduzem na prática o poder transformador da educação no sistema prisional. Mais do que instruir, esse trabalho conjunto valoriza e dignifica os profissionais da segurança pública, consolidando-os não apenas como agentes de custódia, mas como verdadeiros mediadores e agentes de mudança na realidade das pessoas privadas de liberdade”, enfatizou Lisiane. “Reiteramos nosso compromisso em continuar trilhando este caminho de cooperação em prol de uma sociedade mais justa e segura”.
A coordenadora-geral do NeaDUNI da Unioeste e responsável pelo projeto, professora doutora Beatriz Helena Dal Molin, não escondeu a emoção ao ver a teoria se transformar em prática. “Que coisa maravilhosa é ver esse projeto sair do papel. Estou profundamente emocionada com o comprometimento dos tutores, dos policiais penais e de todos os servidores da Polícia Penal do Paraná, além, é claro, do compromisso assumido pelos próprios estudantes”, disse. “Não tenho dúvidas de que iniciamos hoje um grande projeto que vai transformar vidas”, enfatizou. (AEN)

