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Cientista político alerta sobre os efeitos da polarização no país


Por dmais Publicado 07/01/2020 às 03h00 Atualizado 23/02/2026 às 19h52
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O tema polarização está entre as preocupações de empresários, executivos, profissionais liberais, trabalhadores e a sociedade como um todo. Por conta das forças políticas que se contrapõem o risco de um acirramento poderia levar o país a um impasse para o crescimento maior que o estamos vivendo? Conversamos com o Professor Francisco Teixeira, historiador, cientista político e especialista da Fundação Dom Cabral. Recentemente, o Professor Teixeira participou de Fórum Empresarial, organizado pela consultoria JVALÉRIO, e traçou as perspectivas para economia mundial e fez alerta para efeitos da polarização política no Brasil.

Quais as possibilidades reais de uma polarização atrapalhar mais ainda a nossa situação de insegurança para investidores?

A polarização política no país já atrapalha as condições reais de investimento e de segurança jurídica das empresas. Essa questão já é real. Nós estamos vendo questões de investimento sendo adiadas por causa de política e, principalmente, de declarações e idas e vindas. São feitas declarações e depois são feitos desmentidos. Vejamos: na área do MERCOSUL – isso é muito claro -, se retirar de uma organização tão poderosa, tão importante como é o MERCOSUL, por questões ideológicas, isso evidentemente faz com que empresas que poderiam aproveitar do mercado único adiem seus investimentos. A assinatura de uma área de livre comércio – outro caso -, seja com os EUA, seja com a China, faz com que o cálculo de longo prazo das empresas seja revisto. Uma empresa que vai se instalar ou ampliar seu parque industrial, sua área de atuação no Brasil, em longo prazo, vai pensar: como será meu plano estratégico se for feito um acordo de livre comércio tão poderoso como uma área de livre comércio com a China? Com isso, o setor de indústria de transformação, indústria para consumo de bens duráveis, vai ser duramente afetada. Então, sendo feitas declarações sem serem feitos estudos aprofundados sobre essas questões e cria uma insegurança muito grande. Essa possibilidade de estarmos fazendo uma guerrilha ideológica de declarações para efeito de potencializar a situação política é muito desfavorável nesse momento.

O que os empresários podem fazer?

O papel dos empresários, nesse momento, deveria ser um papel de mediação e moderação. Os empresários deveriam exigir do governo um plano claro, um programa claro de ações em que pudessem estar estabelecidos quais são as metas e aqui os empresários deveriam ter clareza das diferenças entre reforma do estado, que é um elemento importante, principalmente na área de tributação – e aqui particularmente nós invertemos a situação colocando a reforma tributária em plano secundário em relação às outras reformas, a exemplo de política industrial e de emprego. Estamos atrelando alguma coisa que deveria ser imediata, a política industrial e a de emprego, as reformas de longo prazo, mais difíceis e complicadas, que dependem da aprovação do Congresso. Uma política industrial e uma política de emprego não dependem do Congresso. São políticas de âmbito do governo. O governo pode colocar isso em prática no momento que quiser. E não faz por simples decisão própria. Hoje o Brasil precisa de uma clara política industrial e de uma clara política de emprego. E a política de reformas do Estado precisa ser negociada com o Congresso.  Então são coisas diferentes. Caberia ao empresariado brasileiro, através dos seus entes associativos demandarem ao governo um programa de longo prazo, um calendário, uma agenda dessas reformas, o que ele quer com essa agenda e realizar as etapas sem desmentidos, sem voltas, sem balões de ensaio que criam esse clima de insegurança. E ao mesmo tempo ir praticando, de maneira sistemática e paulatina, com clareza, a política industrial e a política de empregos.

O senhor acredita que a economia se descolou um pouco da política e os negócios não param de criar novas estratégias de sobrevivência?

Economia e política não estão descoladas. São elementos que andam lado a lado. E há a exemplos, como medidas políticas alteram imediatamente o valor do dólar, alteram o valor da Bolsa de Valores, criam momentos de tensão, de desânimo e criam bolhas nesse sentido. É claro que a tensão entre EUA e China que pode se agravar, mas nesse momento está em plena negociação – a vai sair um acordo, o empresariado brasileiro tem que estar atento a esse acordo porque não será benéfico para o Brasil, não será benéfico ao agronegócio brasileiro, temos que acompanhar isso com atenção. E isso não é descolar política da economia. As coisas estão implicadas. Os grandes pensadores crêem que política e economia estão embutidas um no outro. Essa idéia que pode ir tocando uma coisa com a outra é meramente administrativo no sentido de que o Congresso está tocando a pauta que é necessária, independente de muitas coisas que o Executivo está se mostrando incompetente para fazê-lo, mas quando o Congresso toca essa pauta ele toca politicamente, da sua forma. Isso não é separação, isso é na verdade uma 'bicefalia' da política. É isso que está acontecendo nesse momento. Numa sociedade complexa, global, nesse momento, política e economia, mentalidades e ideologias formam um novelo só.

Com a participação da Jornalista Ester Athanásio-DePropósito Comunicação de Causas

 

FRASE:

“Se você quer ver seus sonhos se tornarem realidade, acorde” (Autor desconhecido)

 

HAMILTON FONSECA ([email protected])

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