Corpo de Bombeiros do Paraná ganha base móvel para combater o El Niño

O Palácio Iguaçu, em Curitiba, foi o palco da entrega da nova Base Móvel de Comando e Operações do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), a primeira do modelo no Brasil. O evento, nesta quarta-feira (22), contou com a presença do governador Carlos Massa Ratinho Junior, que visitou a estrutura projetada para atuação em cenários de desastre. O equipamento chega como reforço à capacidade de resposta do estado diante dos eventos climáticos extremos associados ao El Niño, cujos efeitos mais severos são esperados para meados da primavera.
“É uma base moderna, daquelas que a gente só via em filmes. É um orgulho entregar o primeiro centro de operações desse porte para um Corpo de Bombeiros brasileiro. Fruto do planejamento que fizemos de modernização da Corporação, com equipamentos utilizados em países de primeiro mundo”, afirmou o governador.
Ratinho Junior falou ainda sobre a preocupação das autoridades com o El Niño. “Tomara que não precise, mas essa estrutura chega pronta para ajudar também nisso. As informações indicam que teremos um volume de chuva muito grande no segundo semestre. Nossa preocupação e todo o nosso planejamento é para estarmos bem equipados e organizados para enfrentar qualquer tipo de problema”, acrescentou.
A importância desse suporte está na ponta da língua de quem vive o dia a dia em meio a emergências. “Essa estrutura era um sonho da nossa Corporação para o atendimento aos grandes desastres, porque não é fácil. Eu mesmo, em operação, já tive que dormir embaixo de galinheiro. Essa era uma realidade nacional. Então, o Estado do Paraná vem resolver realmente um problema logístico importante para missões desse porte”, revelou o comandante do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino.
A nova base
Com 11 toneladas entre estrutura e equipamentos, mais de 410 metros quadrados de área total quando montada, e capacidade para abrigar até 60 bombeiros, a base foi desenvolvida para garantir autonomia completa às equipes em ocorrências de grande porte — incluindo enchentes, deslizamentos e tempestades intensas. O investimento total foi de quase R$ 9 milhões.
O sistema modular reúne alojamentos, posto de comando, áreas médica e veterinária, estrutura de descontaminação, banheiros, chuveiros, lavanderia e sistemas próprios de geração de energia, internet, climatização, tratamento de água e iluminação — permitindo que o contingente opere de forma independente, sem depender da infraestrutura da região atendida.
Essa autonomia para executar os trabalhos dentro e fora do país é, inclusive, uma das exigências do Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate (INSARAG), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), no processo em andamento de certificação internacional da força-tarefa do CBMPR. Os paranaenses compõem a equipe BRA-01, ao lado de profissionais de São Paulo e Minas Gerais.
“Fomos informados de que esses equipamentos já resolvem cerca de 40% daquilo que é necessário para o Brasil conseguir o credenciamento junto à ONU. Ou seja, o Estado do Paraná colabora na vanguarda, resolvendo uma série de requisitos necessários para o credenciamento da primeira equipe nacional”, reforçou o comandante do CBMPR.
Outro diferencial do aparato logístico é o espaço voltado para o atendimento veterinário dos cães de busca e resgate, aliados indispensáveis nas operações de localização de vítimas em estruturas colapsadas.
Experiência
A necessidade desse investimento ficou evidenciada em ações prévias do Corpo de Bombeiros. Nas primeiras horas após um grande desastre, como os recentes terremotos na Venezuela, os militares chegam a trabalhar ininterruptamente por 48 horas antes do primeiro revezamento. Romper lajes, concreto e paredes durante horas seguidas gera um desgaste físico intenso que torna o período de recuperação entre turnos uma questão de segurança operacional.
Na Venezuela – atuando dentro da força-tarefa nacional -, as altas temperaturas tornaram o desafio ainda maior. O calor excessivo dificultou o descanso nos períodos entre as atividades porque as barracas convencionais não ofereciam condições ideais de recuperação. A nova base minimiza esse tipo de inconveniente, mantendo temperatura adequada para o descanso do efetivo, além de preservar equipamentos e garantir melhores condições para armazenamento de água, medicamentos e alimentos.
O novo recurso reduz consideravelmente o tempo gasto com montagem do centro de operações, permitindo às equipes direcionar rapidamente os esforços para o trabalho de campo e para o objetivo de salvar vidas.
El Niño
Preocupação das forças de segurança e Defesa Civil do Estado, o fenômeno natural El Niño é provocado pela elevação da temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera os padrões de vento e a circulação atmosférica em todo o planeta, mudando o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões. No Sul do Brasil, por exemplo, ele tende a provocar vendavais, chuvas mais intensas, frentes frias persistentes, e a aumentar o risco de enchentes e deslizamentos.
Especialistas apontam grandes probabilidades de que o próximo El Niño, com início em 2026 e encerramento em 2027, seja o mais intenso desde a década de 1950. Apelidado de Super El Niño, ele deve chegar ao ápice de seus efeitos entre outubro e dezembro. A Coordenadoria Estadual da Defesa Civil do Paraná, em parceria com o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), mantém monitoramento contínuo sobre a evolução do fenômeno.
Entre as atividades de preparação do Corpo de Bombeiros para o El Niño estão uma reunião ainda em julho com diversos órgãos para repassar o planejamento e alinhar estratégias e articulações necessárias para o caso de tragédias. Além disso, em agosto há uma simulação em Foz do Iguaçu, envolvendo ainda Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo para ações de busca e salvamento em águas rápidas, que é o que ocorre nas enchentes. O treinamento já teve uma edição no Rio Grande do Sul e uma em Santa Catarina.
Descritivo das Estruturas da Base de Operações (Capacidade: 60 pessoas)
A base foi projetada para oferecer suporte autônomo a operações de busca e salvamento, com as seguintes funcionalidades:
– Alojamentos (2 unidades ASAP-18): Destinadas ao descanso da equipe. Estas tendas operam em conjunto, compartilhando um sistema de climatização.
– Comando e Gestão Logística (2 unidades ASAP-12): Cada tenda está equipada com 2 racks para equipamentos USAR (urban search and rescue) e 2 bancos, criando um ambiente organizado para o planejamento operacional, comando e apoio logístico.
– Tenda Médica: Estrutura dedicada exclusivamente ao suporte de saúde e prontidão do efetivo, garantindo atendimento imediato dentro do perímetro da base.
– Tenda Veterinária: Espaço reservado para o atendimento especializado e cuidado veterinário dos cães de busca e salvamento.
– Tenda de Descontaminação: Espaço específico destinado à descontaminação técnica, essencial para a segurança após intervenções em cenários de risco.
– Tendas de Banho (Higiene): Estruturas equipadas com chuveiros e sanitários para a higienização dos bombeiros, incluindo uma unidade com 4 banheiros e uma unidade com 6 banheiros.
– Área de Apoio e Logística: O sistema inclui uma tenda de 3m x 6m mobiliada com mesa dobrável e cadeiras, além de um kit de higiene completo com sistema de filtragem de água e aquecedor de água tricombustível.







