A difícil jornada dos profissionais itinerantes
Eles foram selecionados sabendo que um dos requisitos indispensáveis para a contratação era ter disponibilidade total para viagens frequentes ou mudanças constantes de cidade. São os profissionais itinerantes. Quando estão no QG da empresa são pouco percebidos pelos colegas e suas jornadas de trabalho não tem rotina. Muitos gostam desse formato de trabalho e já se adaptaram. Outros nem tanto, principalmente, por se sentirem deprimidos com o isolamento e a distancia da família.
Estilo de vida e de trabalho pode ter alto preço
Pelo menos, essas são as conclusões de um estudo realizado pelo professor Arthur Irigaray da Fundação Getúlio Vargas-RJ. Ele entrevistou 117 homens e mulheres, entre profissionais de vendas e do mercado financeiro, executivos, gerentes de projetos e professores universitários, que fazem uns 20 voos mensais e viajam intensamente há mais de dez anos. O estudo, também, revelou que todos os participantes da pesquisa sentem culpa pela ausência prolongada de casa, reclamam de solidão, abandono ou insegurança na vida pessoal e, ainda, se queixam de dores físicas e psíquicas. Dos pesquisados, 96% recorrem corriqueiramente ao álcool para relaxar; 95% tomam, continuamente, algum tipo de medicamento.
Vida estressante chega a viciar
O estudo mostra que 70% dos entrevistados são divorciados ou estão no segundo casamento. Entre as mulheres participantes, 45% não têm filhos. Com a sensação de ter seus vínculos pessoais e profissionais cada vez mais frágeis e com a insegurança gerada pela falta de rotina, esses profissionais costumam se perguntar por mais quanto tempo vão suportar a vida itinerante. Outro dado apontando pela pesquisa, revela o quanto a vida estressante vicia. Mesmo nas férias, esses profissionais sentem falta do ritmo acelerado.
