04 de junho de 2026

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Conheça a história do empresário de PG que sobreviveu a naufrágio na Bahia


Por Josué Corrêa Fernandes Publicado 14/12/2024 às 14h11 Atualizado 25/02/2026 às 21h59
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O navio Principessa Mafalda - Foto: Wikipedia - autor desconhecido

Eugênio Gambassi, Cavaleiro da Coroa Real da Itália e agente consular em Ponta Grossa. Esse foi um dos mais fortes empresários da cidade na primeira metade do século 20. Tronco da família Gambassi, há um episódio em sua longa vida, que ele próprio conta, e que merece menção. O fato ocorreu em 25/10/1927 quando de seu retorno no navio “Principessa Mafalda”, em viagem que fez à Itália.
Ele estava a bordo da embarcação e foi um dos envolvidos em naufrágio na Bahia.

O naufrágio na Bahia: o ‘Principessa Mafalda’

Nos arredores do Arquipélago de Abrolhos (Bahia), após o jantar, uma forte trepidação sacudiu a embarcação. Houve o brusco rompimento do tubo da hélice direita, que atingiu o casco e o rompeu. Isso ocasionou a inundação da casa de máquinas com a paralisação do paquete, seguida de três explosões.

Foi emitido SOS para navios próximos, soadas as sirenes de emergência, e veio ordem de evacuação porque o navio começava a adernar. O pânico semeou-se. Pessoas atiravam-se ao mar, corriam aos botes salva-vidas. Por volta das 21 horas, o navio Principessa Mafalda adernou pelo bombordo com o assustador ruído do casco que se partira. O navio inglês Rossetti veio em socorro dos sobreviventes.

Relato de um náufrago

Gambassi, com 56 anos, contou o que ocorreu à reportagem da revista carioca “O Malho”. “… Dirigi-me ao comandante e exprobei o seu procedimento por ter ocultado a gravidade da situação. Desci ao meu camarote, carreguei o revólver e meti-o no bolso. Tomei meu salva vidas e subi. Quando cheguei novamente em cima, o quadro era desolador: gritos, imprecações, lamentos… mães que procuravam os filhos, mulheres que buscavam os maridos. Afastei-me um pouco, pensando que havia chegado a minha hora extrema. Meu pensamento voou, então, para os meus que me aguardavam no Brasil. Achei que era preferível meter uma bala na cabeça do que aventurar-me às águas, doente, quase sem saber nem poder nadar”.

Conta, ainda, na sequência, “Aproximei-me da amurada e vi outro quadro desolador. Pessoas que lutavam com o mar, nadando, agarrando-se a tábuas e a salva vidas, numa ânsia indescritível. Levei a mão ao bolso e tirei a arma cujo cano encostei ao ouvido… quando vi a imagem de minha mãe falecida há 40 anos… Nisso arrebataram-me o revólver. Não sei quem foi, mas senti um pulso forte me agarrar e outro que me empurrou para o mar… mergulhei e bebi muita água.”

O resgate

O que se seguiu foi a continuidade da vida de Eugênio Gambassi, embora diante de experiência que o marcou profundamente. “O salva vidas por fim veio à tona… Junto de mim vi um pranchão em que se achavam montados três náufragos… agarrei-o e nessa posição me conservei até à madrugada… Junto ao pranchão… flutuava uma espécie de jangada de lona e sobre ela, três senhoras e três crianças. Os tubarões adernaram a frágil embarcação e todos os tripulantes foram presas fáceis dos terríveis peixes… Neste momento aproximou-se um escaler do Rossetti” que, em duas viagens, recolheu o empresário e seus três companheiros. Morreram 292 passageiros, 32 tripulantes e o comandante Guli.

*Texto publicado originalmente do jornal impresso Diário dos Campos de 13/12/2024

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