Sanepar detalha andamento de processo para captar água do Tibagi

O início da captação de água do Rio Tibagi para abastecer Ponta Grossa ainda depende de etapas burocráticas e legais, e deve levar alguns anos. Nesta semana, o leitor do Diário dos Campos, Júlio César, entrou em contato com a redação sugerindo reportagem sobre o andamento do processo, que envolve a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e a Prefeitura de Ponta Grossa, além de outros órgãos estaduais.
O DC contatou a Sanepar que informou, via assessoria de imprensa, que o processo está na fase de licenciamento ambiental junto ao Instituto Água e Terra (IAT) e de regularização das áreas necessárias para a obra. Paralelamente, a empresa realiza a precificação dos itens que compõem a planilha orçamentária da futura licitação.
Os prazos para as obras
“Conforme firmado no Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) homologado junto ao MP-PR em 2025, as obras deverão ser concluídas em até três anos após o seu início, sendo que o processo licitatório deverá ser iniciado, segundo o mesmo TAC, em até 120 dias após a obtenção da Licença Ambiental, da legalização (imissão na posse) das áreas necessárias para a obra e das aprovações de passagem em faixas de domínio e servidões junto às concessionárias, o que ocorrer por último”, explicou a Sanepar ao DC.
Regiões atendidas
De forma direta, a nova captação beneficiará o Distrito Industrial e os bairros Oficinas, Olarias e Cará-Cará. Indiretamente, o impacto positivo se estenderá a toda a área urbana de Ponta Grossa, já que a água captada será integrada ao sistema geral de abastecimento.
Incremento no sistema
Na fase inicial, o Tibagi acrescentará 300 litros por segundo ao sistema, com possibilidade de expansão para até 600 litros por segundo.
Principais desafios
Entre os obstáculos para viabilizar o projeto estão:
- Regularização da titularidade das áreas em processo de desapropriação.
- Obtenção de faixas de servidão administrativa para passagem de adutoras.
- Aprovação de travessias sob linhas férreas e rodovias.
- Expedição da licença ambiental e demais autorizações necessárias.
Papéis institucionais
À Sanepar cabe elaborar os elementos técnicos e jurídicos para a licitação, em conformidade com a legislação vigente. Já a Prefeitura atua como parceira institucional, apoiando o processo de regularização e autorizações.
Investimento
De acordo com a assessoria de imprensa da Sanepar, o valor do investimento permanece sigiloso até a abertura das propostas no certame licitatório. Porém, em fevereiro do ano passado, informações publicadas pelo Governo do Estado davam conta de que o investimento deve ser em torno de R$ 200 milhões, e com perspectiva de início da primeira fase ainda em 2026.
Situação atual do abastecimento
Atualmente, cerca de 70% da água consumida em Ponta Grossa é captada diretamente do Rio Pitangui e 30% da Represa de Alagados. De acordo com a Sanepar, toda a cidade é atendida pelas duas fontes, já que a água se mistura durante o processo de tratamento.
O projeto de captação de água do Tibagi é considerado estratégico para garantir segurança hídrica ao município. Isso, especialmente diante das limitações da Represa de Alagados, que enfrenta baixa vazão e alta floração de algas, fatores que têm afetado o gosto e o cheiro da água distribuída à população.

