Baixa vazão e hiperfloração de algas colocam Represa de Alagados em alerta

Representantes da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR) e do Instituto Água e Terra (IAT) se reuniram nesta sexta-feira (6), em Ponta Grossa, para a 33ª reunião do Programa Água Segura. A iniciativa, de abrangência estadual, integra o Plano de Segurança da Água (PSA) e tem como objetivo identificar riscos em todas as etapas do abastecimento, desde o manancial até o consumidor final.
O programa prevê ações preventivas para garantir a qualidade e a disponibilidade de água para o abastecimento público em todo o Paraná. Ao todo, o trabalho deve alcançar 42 microbacias hidrográficas e atender 382 municípios até 2028.
Segundo a gerente de Recursos Hídricos da Sanepar, Ester Assis Mendes, o plano atua na gestão de riscos de toda a cadeia de abastecimento. Ela destaca que a qualidade da água nos mananciais depende do uso responsável dentro das bacias hidrográficas, que envolvem atividades industriais, agropecuárias e de lazer.
As ações são desenvolvidas em parceria com diferentes órgãos estaduais, incluindo o Simepar e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), com foco no manejo sustentável do solo, monitoramento hidroclimático e fiscalização do uso do território.
Alagados em situação de atenção
A microbacia da Represa de Alagados, que atende Ponta Grossa e está localizada entre os municípios de Ponta Grossa, Castro e Carambeí, é uma das prioridades do programa. A região enfrenta uma situação considerada atípica, com redução significativa da vazão e ocorrência de hiperfloração de algas, fenômeno associado ao período de estiagem e às altas temperaturas.
“Há uma situação atípica no manancial, neste momento diretamente relacionada ao fator climático. Em fevereiro de 2025, a vazão da Represa era de 16 metros cúbicos por segundo. Hoje, estamos com uma vazão de 2 metros cúbicos por segundo, muito abaixo da média histórica para esta época do ano”, compara Raul Marcon, coordenador de Recursos Hídricos da Sanepar.
Nos próximos meses, o Programa Água Segura deve iniciar ações práticas em oito microbacias prioritárias, incluindo Alagados, com foco em diagnóstico, fiscalização e implementação de medidas de proteção dos mananciais.
Produção sustentável no campo
O IDR será responsável por ações de extensão rural, com a implantação de unidades de referência em propriedades da região. Esses espaços devem adotar tecnologias de produção sustentável, como conservação do solo, manejo adequado de dejetos e recuperação de áreas degradadas, servindo como modelo para produtores e comunidades do entorno.
A expectativa é que as medidas contribuam para a preservação dos mananciais e para a segurança hídrica da população urbana e rural.
*Com assessorias

