16 de julho de 2026

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Salário não acompanha alta no custo de vida e endividamento cresce


Por Millena Sartori Publicado 08/07/2021 às 11h00 Atualizado 21/02/2026 às 10h40
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(Foto: José Aldinan)

Já no início deste ano se falava que o novo salário mínimo seria o com o menor poder de compra desde 2005 – mas não se imaginava que o custo de vida subiria tanto, ainda mais depois de um ano que já foi marcado por uma intensa crise sanitária e econômica. Com todos os preços aumentando e a remuneração não seguindo o mesmo índice o resultado foi o lógico: o nível de endividamento subiu. 

No mês passado 90,6% dos paranaenses possuíam algum tipo de dívida ou compras parceladas, de acordo com a pesquisa elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR). Esse percentual é bem maior que a média nacional, que encerrou o primeiro semestre com o maior endividamento em 11 anos ao chegar a 69,7% em junho.

“No topo dos motivos que levam ao endividamento, o cartão de crédito correspondeu a 66,7% das dívidas. Porém, sua utilização caiu 7,4% na comparação com o mês de maio, quando concentrava 72,0% das contas a pagar. O cheque especial e pré-datado, crédito consignado e financiamento de carro tiveram alta no mês de junho. O financiamento de veículos representou 15,8% das dívidas dos paranaenses e o financiamento imobiliário, 10,0%”, aponta a pesquisa.

Custo de vida

Mas o que tanto está pesando no bolso dos paranaenses e, especificamente, dos ponta-grossenses? Para responder a esta pergunta, a reportagem do jornal Diário dos Campos e portal dcmais fez um levantamento das diferenças de preços e reajustes das principais contas e produtos básicos, no primeiro semestre deste ano, comparando os valores de janeiro e de junho.

Para se ter uma base, no primeiro mês de 2021 era possível comprar, em Ponta Grossa, 5 kg de arroz, 1 kg de feijão, 1 kg de coxão mole, 1 kg de coxa e sobrecoxa com osso e pele, 1 kg de lombo suíno, 1 litro de leite, 1 botijão de gás 13kg e encher o tanque de gasolina (considerando 45 litros) por R$ 379,22, considerando os preços médios praticados na cidade. Atualmente, esse valor saltou 20,65%, chegando a R$ 457,55 em junho.

Ao mesmo tempo, o salário mínimo subiu de R$ 1.045 em 2020 para R$ 1.100 em 2021 – portanto, uma alta de 5,26%.

Contas residenciais

As tarifas de luz e água e são exemplos de contas básicas que estão pesando mais no bolso do consumidor. No caso da água, já foram dois reajustes aplicados nas contas da Sanepar neste ano: um de 5,11236% e outro de 5,7701%. O primeiro foi no início de fevereiro e é referente ao Reajuste Tarifário Anual da companhia, enquanto que o segundo foi em meados de maio e diz respeito à 1ª fase da revisão tarifária periódica da Sanepar.

Já na conta de luz, além da revisão tarifária periódica da Copel, que reajustou em 10,84% a tarifa para consumidores de baixa tensão – como residenciais e comerciais – há também os aumentos nas bandeiras tarifárias. A bandeira vermelha patamar 2, que está ativada e deve seguir em vigor até novembro, de acordo com previsão dos órgãos competentes, aumenta 52% a partir desse mês; no caso da amarela, a alta é de 39,5%. 

Outro “boleto” que também registra grandes altas é o aluguel. Normalmente reajustado anualmente  através do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), na maior parte dos contratos ele teve que ser desatrelado do índice e renegociado, já que apenas em 2021 o IGP-M acumula alta de 15,08%, chegando a 35,75% em 12 meses.

Combustíveis

Dentre os itens analisados, os combustíveis são os que contam com a maior variação de preços de janeiro a junho deste ano – fator que impacta não apenas no consumo caseiro, mas também em preços de todos os produtos que são transportados pelas rodovias brasileiras.

De acordo com a média obtida dos preços disponíveis na plataforma Menor Preço, que registra o dado das notas fiscais através do programa Nota Paraná, em janeiro a gasolina custava cerca de R$ 4,32 em Ponta Grossa. Agora, a média entre o maior e o menor preço encontrados é R$ 5,49, 27% a mais do que no início do ano.

No caso do diesel, aqui considerado o S10, o preço médio variou de R$ 3,35 para R$ 4,47 durante o semestre – portanto, uma variação de 33,4%. Mas quem leva o título de maior encarecimento é o etanol, que variou 38,4% ao passar de R$ 3,25 para R$ 4,50.

Alimentos

Considerando apenas alguns dos itens básicos, como arroz, feijão, carnes bovina, suína e frango e também leite, além do gás de cozinha, necessário para o preparo dos alimentos, já percebe-se uma grande alteração de preços. Os motivos variam entre a alta das commodities – que tornam mais vantajoso exportar do que vender localmente, o que pressiona os preços brasileiros para cima – e as quebras de safra como do feijão e do milho – este, utilizado na ração dos animais que são destinados ao abate, formando uma reação em cadeia.

A tabela abaixo mostra os preços médios de venda no varejo na região de Ponta Grossa, calculados pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).

JaneiroJunhoVariação
Arroz parboilizado tipo 1 (5kg)R$ 23,59R$ 20,65-12,46%
Feijão preto (kg)R$ 7,11R$ 7,393,94%
Coxão mole (kg)R$ 37,23R$ 41,2710,85%
Coxa e sobrecoxa com osso e pele (kg)R$ 10,31R$ 12,2618,91%
Lombo s/osso (kg)R$ 25,16R$ 25,461,19%
Leite pasteurizado (L)R$ 3,42R$ 3,471,46%
Gás de cozinhaR$ 78,00R$ 100,0028,21%

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