Salário não acompanha alta no custo de vida e endividamento cresce

Já no início deste ano se falava que o novo salário mínimo seria o com o menor poder de compra desde 2005 – mas não se imaginava que o custo de vida subiria tanto, ainda mais depois de um ano que já foi marcado por uma intensa crise sanitária e econômica. Com todos os preços aumentando e a remuneração não seguindo o mesmo índice o resultado foi o lógico: o nível de endividamento subiu.
No mês passado 90,6% dos paranaenses possuíam algum tipo de dívida ou compras parceladas, de acordo com a pesquisa elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR). Esse percentual é bem maior que a média nacional, que encerrou o primeiro semestre com o maior endividamento em 11 anos ao chegar a 69,7% em junho.
“No topo dos motivos que levam ao endividamento, o cartão de crédito correspondeu a 66,7% das dívidas. Porém, sua utilização caiu 7,4% na comparação com o mês de maio, quando concentrava 72,0% das contas a pagar. O cheque especial e pré-datado, crédito consignado e financiamento de carro tiveram alta no mês de junho. O financiamento de veículos representou 15,8% das dívidas dos paranaenses e o financiamento imobiliário, 10,0%”, aponta a pesquisa.
Custo de vida
Mas o que tanto está pesando no bolso dos paranaenses e, especificamente, dos ponta-grossenses? Para responder a esta pergunta, a reportagem do jornal Diário dos Campos e portal dcmais fez um levantamento das diferenças de preços e reajustes das principais contas e produtos básicos, no primeiro semestre deste ano, comparando os valores de janeiro e de junho.
Para se ter uma base, no primeiro mês de 2021 era possível comprar, em Ponta Grossa, 5 kg de arroz, 1 kg de feijão, 1 kg de coxão mole, 1 kg de coxa e sobrecoxa com osso e pele, 1 kg de lombo suíno, 1 litro de leite, 1 botijão de gás 13kg e encher o tanque de gasolina (considerando 45 litros) por R$ 379,22, considerando os preços médios praticados na cidade. Atualmente, esse valor saltou 20,65%, chegando a R$ 457,55 em junho.
Ao mesmo tempo, o salário mínimo subiu de R$ 1.045 em 2020 para R$ 1.100 em 2021 – portanto, uma alta de 5,26%.
Contas residenciais
As tarifas de luz e água e são exemplos de contas básicas que estão pesando mais no bolso do consumidor. No caso da água, já foram dois reajustes aplicados nas contas da Sanepar neste ano: um de 5,11236% e outro de 5,7701%. O primeiro foi no início de fevereiro e é referente ao Reajuste Tarifário Anual da companhia, enquanto que o segundo foi em meados de maio e diz respeito à 1ª fase da revisão tarifária periódica da Sanepar.
Já na conta de luz, além da revisão tarifária periódica da Copel, que reajustou em 10,84% a tarifa para consumidores de baixa tensão – como residenciais e comerciais – há também os aumentos nas bandeiras tarifárias. A bandeira vermelha patamar 2, que está ativada e deve seguir em vigor até novembro, de acordo com previsão dos órgãos competentes, aumenta 52% a partir desse mês; no caso da amarela, a alta é de 39,5%.
Outro “boleto” que também registra grandes altas é o aluguel. Normalmente reajustado anualmente através do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), na maior parte dos contratos ele teve que ser desatrelado do índice e renegociado, já que apenas em 2021 o IGP-M acumula alta de 15,08%, chegando a 35,75% em 12 meses.
Combustíveis
Dentre os itens analisados, os combustíveis são os que contam com a maior variação de preços de janeiro a junho deste ano – fator que impacta não apenas no consumo caseiro, mas também em preços de todos os produtos que são transportados pelas rodovias brasileiras.
De acordo com a média obtida dos preços disponíveis na plataforma Menor Preço, que registra o dado das notas fiscais através do programa Nota Paraná, em janeiro a gasolina custava cerca de R$ 4,32 em Ponta Grossa. Agora, a média entre o maior e o menor preço encontrados é R$ 5,49, 27% a mais do que no início do ano.
No caso do diesel, aqui considerado o S10, o preço médio variou de R$ 3,35 para R$ 4,47 durante o semestre – portanto, uma variação de 33,4%. Mas quem leva o título de maior encarecimento é o etanol, que variou 38,4% ao passar de R$ 3,25 para R$ 4,50.
Alimentos
Considerando apenas alguns dos itens básicos, como arroz, feijão, carnes bovina, suína e frango e também leite, além do gás de cozinha, necessário para o preparo dos alimentos, já percebe-se uma grande alteração de preços. Os motivos variam entre a alta das commodities – que tornam mais vantajoso exportar do que vender localmente, o que pressiona os preços brasileiros para cima – e as quebras de safra como do feijão e do milho – este, utilizado na ração dos animais que são destinados ao abate, formando uma reação em cadeia.
A tabela abaixo mostra os preços médios de venda no varejo na região de Ponta Grossa, calculados pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
| Janeiro | Junho | Variação | |
| Arroz parboilizado tipo 1 (5kg) | R$ 23,59 | R$ 20,65 | -12,46% |
| Feijão preto (kg) | R$ 7,11 | R$ 7,39 | 3,94% |
| Coxão mole (kg) | R$ 37,23 | R$ 41,27 | 10,85% |
| Coxa e sobrecoxa com osso e pele (kg) | R$ 10,31 | R$ 12,26 | 18,91% |
| Lombo s/osso (kg) | R$ 25,16 | R$ 25,46 | 1,19% |
| Leite pasteurizado (L) | R$ 3,42 | R$ 3,47 | 1,46% |
| Gás de cozinha | R$ 78,00 | R$ 100,00 | 28,21% |
