Projeto viabiliza graduação acadêmica para atletas do basquete

A carreira de um atleta de alto rendimento geralmente acaba antes dos 40 anos. Na hora de sair das quadras, um dilema: qual será o próximo passo? Para ampliar o leque de opções desse momento, desde 2013 a CCR RodoNorte apoia o projeto Novo Basquete Ponta Grossa (NBPG), que além de moradia, alimentação e assistência médica, também proporciona bolsas de estudo de 100% na UniSecal. Assim, além da experiência esportiva e dos títulos conquistados, o atleta também termina este ciclo da carreira graduado em um curso de Ensino Superior.
Desenvolvido pela Liga Desportiva de Ponta Grossa (LDPG), o programa já beneficiou cerca de 275 jovens e adultos nos últimos oito anos, com o apoio de patrocinadores como a concessionária das rodovias da região, através do Instituto CCR – entidade que coordena os programas sociais do Grupo CCR -, pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte.
Com bolsas de estudo, os atletas do NBPG conciliam a participação em treinos e jogos com a formação universitária, fundamental para o futuro dos jogadores – independente da opção em seguir ou não com a carreira no basquete.
Para o diretor técnico da Liga Desportiva de Ponta Grossa e coordenador de projetos do NBPG, Paulo Affonso Moreira, o diferencial do projeto é a realização de sonhos. “Eu acredito que todo atleta tem essa prerrogativa de ter que ter uma profissão no fim da sua carreira de atleta de alto rendimento”, avalia.
“O atleta nunca deixa de ser um atleta, vai ser a vida toda, está no sangue, e vai continuar com essa índole de competição. Então tem que unir o útil ao agradável – e é isso que o projeto proporciona e oferece de uma forma prática: o atleta tem o período de treinamento de rendimento e competições e também pode estudar, ter a garantia de estar indo à escola, ser coerente naquilo que está fazendo e conseguindo ter uma formação naquela profissão que ele escolheu fora de quadra”, destaca Moreira, que afirma que estudar é um compromisso firmado entre os atletas e o time.

Cícero, depois das quadras, encara o mundo corporativo
Cícero da Silva Gonzaga tem hoje 35 anos. Depois de disputar a NBB, principal liga do basquete brasileiro, queria unir o sucesso nas quadras à uma formação profissional – e foi então que optou por deixar o Rio de Janeiro e vir para Ponta Grossa, onde se formou em Administração e hoje encara novos desafios.
“Quando eu vim para Ponta Grossa a escolha principal foi por conta da possibilidade de estudar e jogar. Eu estava jogando no Rio, tinha acabado de jogar um NBB, mas queria ingressar e cursar a faculdade. Tinha amigos que estavam aqui estudando e acabou que deu certo. O projeto realmente possibilita a gente estudar e ao mesmo tempo continuar em atividade”, relata o ex-atleta.
“Talvez dê para contar nos dedos a quantidade de projetos que existem no Brasil com esse conceito de educação e esporte. Entre os clubes do NBB alguns têm apoio, mas não têm esse aporte de 100% de o jogador poder ir às aulas todo dia, ter todo um calendário e uma agenda que possibilita isso. Esse diferencial que faz o NBPG estar entre as melhores possibilidades de destino para atletas que querem a formação acadêmica e é um diferencial muito grande porque o jogador tem uma vida curta no esporte e a vida acadêmica hoje em dia é muito importante”, aponta Cícero.
Após participar de conquistas importantes do projeto, como o Campeonato Brasileiro em 2019, além dos Jogos Abertos do Paraná e de títulos estaduais, a rotina do campeão agora é diferente: aproveitando a graduação em Administração, ele atua como supervisor de operações regionais de uma empresa de prestação de serviços.
“Estou na vida corporativa, que é completamente diferente da vida do esportista, mas tive muitos ensinamentos e estou podendo usá-los hoje em dia. A rotina está mais corrida, nova, mas eu estou muito motivado porque é só o início de uma trajetória longa”, ressalta o profissional.

Atração de atletas
Apesar da seleção também ser aberta a ponta-grossenses, assim como Cícero diversos atletas de outras cidades foram atraídos pelo projeto do NBPG. É o caso de Wilsinho, que com 27 anos veio a Ponta Grossa em busca de uma oportunidade para estudar e continuar jogando. Natural de Mundo Novo, Mato Grosso do Sul, é um dos destaques do time e cursa Educação Física (Bacharelado).
“Eu cheguei em PG no começo de 2017, tinha jogado uma Taça Paraná contra o NBPG e achei o time bem forte, competitivo, e o projeto bem organizado, e acabei me interessando em fazer parte”, conta o atleta, que afirma já ter recebido propostas para jogar por outros times.
“Tive algumas propostas, pois a cada ano que passa nosso time vai ficando com mais visibilidade no cenário nacional, mas acho que o melhor é ficar aqui. Estou muito feliz com o projeto, evoluindo junto com ele e conquistando cada vez mais títulos para a cidade”, destaca.
“Eu acho muito importante isso que o NBPG vem fazendo ao longo dos anos de conciliar o estudo com o basquete. Acho que é muito importante; o atleta está cuidando da sua vida para depois que parar de jogar e o NBPG leva muito a sério, muitos atletas já se formaram aqui e continuaram suas vidas por causa do projeto”, conclui Wilsinho.

Somando títulos desde 2013
O NBPG (Novo Basquete Ponta Grossa) conta com o apoio da CCR RodoNorte desde 2013 e se tornou, especialmente nos últimos anos, uma das principais equipes do país com conquistas estaduais, regionais e nacionais. A sua casa é o Ginásio de Esportes Borell Du Vernay e os seus jogos têm entrada gratuita.
Desde seu início, o time masculino conquistou quatro Campeonatos Paranaenses e quatro Copas do Brasil – Fase Sul (ambos em 2015, 2016, 2017 e 2018), enquanto o time feminino conquistou quatro Campeonatos Paranaenses (2013, 2014, 2015 e 2018). Além disso, o time masculino conquistou sua primeira Supercopa Brasil em 2018 e seu primeiro Campeonato Brasileiro de Basquete em 2019.
Porém, apesar de importantes, para o diretor técnico da Liga Desportiva de Ponta Grossa e coordenador de projetos do Novo Basquete Ponta Grossa, o maior legado do time “sem dúvida não são os títulos”.
“Sem dúvida não são os títulos. Muita gente só dá valor aos títulos. Sem dúvida [o maior legado] é essa conquista que o atleta vem e sai daqui quem sabe com o título, mas com certeza, ele sai, se realmente quiser, com um diploma. Esse é o maior legado”, destaca Paulo Affonso Moreira.

