07 de junho de 2026

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Jornalista de PG produz livro comparando a “última morada” dos ricos e pobres


Por Matheus Dias Publicado 27/02/2026 às 09h37
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Foto mostra Cemitérios Vicentino e São José
De um lado, covas rasas. Do outro, túmulos com escadas. Foto: Eder Carlos Wehrholdt.

No ano em que a Campanha da Fraternidade aborda o tema da moradia, o jornalista Eder Carlos Wehrholdt, de Ponta Grossa, divulga seu livro “Na cova rasa ou sob o mármore”. Na publicação, o autor realiza uma reportagem fotográfica comparando o Cemitério São José e o Cemitério São Vicente de Paula (Vicentino).

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Na obra, Eder fotografou as covas rasas cavadas às filas no Cemitério Vicentino, em comparação com os túmulos suntuosos de tradicionais famílias ponta-grossenses, no São José. No Vicentino, o quase anonimato dos sepultados chamou a atenção do autor.

“As covas do Cemitério Vicentino raramente são identificadas. E, quando são, têm uma pequena placa ou um nome pintado na cruz. A maioria delas só mostra um número, como se quem ali foi sepultado não fosse nada além disso”, diz o livro na página 86.

Veja na íntegra o livro de Eder Carlos Wehrholdt

Discrepâncias que saltam aos olhos

Sobre a experiência de fotografar o cemitério dos pobres, o autor comenta: “Ainda não conhecia o Vicentino pessoalmente e, na primeira vez que fui até ele me senti muito mal com o que vi, em especial a maneira como os que ali são enterrados são tratados apenas como números, não tendo direito a nada mais que um buraco na terra vermelha. Nesta primeira vez o mato tomava conta do local e um trator com uma roçadeira transitava sobre as covas aparando o que estava mais alto”, conta.

Por outro lado, no cemitério do Centro, praticamente uma ode à História e cultura de PG. “Tenho amigos sepultados lá. Ele é o oposto do Vicentino. Os espaços entre túmulos são todos calçados e não se vê mato crescendo entre eles. Há serviço de varrição e até mesmo iluminação noturna. Os túmulos são quase todos muito bem cuidados, vários deles ricamente ornamentados com estátuas que chegam a custar o mesmo que um carro semi-novo em ótimas condições. Nele estão as personalidades históricas da cidade. Algumas sepulturas mostram que ali estão várias gerações da mesma família” relata.

O caráter anônimo da imensa maioria das sepulturas do Vicentino foi um desafio para a produção do livro. “Por ser um cemitério onde as pessoas não são donas da sepultura (o espaço é cedido por um período de cinco anos, findos os quais outro defunto pode ocupar a cova) poucos são os que se arriscam a construir algo (que, segundo o Serviço Funerário Municipal, devem ser destruídos quando da limpeza do local). Assim, o que quase sempre resta é uma cruz de cimento branca ou enegrecida pelo tempo e um ou outro sinal de que ali está alguém que teve uma família e foi amado”, acrescenta.

(In)dignidade da última morada

O autor conclui que a diferença entre os mausoléus e as covas rasas não importam para o morto, mas são fundamentais para os que permanecem. “O livro é, ao mesmo tempo, uma amostra sobre dois espaços cemiteriais, e uma denúncia do quão indigna pode ser a última morada daqueles que, literalmente, não têm onde cair mortos”.

O autor tem 63 anos, é aposentado e recém concluiu o Mestrado em Jornalismo. O livro foi publicado como projeto de conclusão de curso do Bacharelado em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), sob a orientação do prof. Carlos Alberto de Souza. É de acesso livre em PDF e também foi divulgado no grupo Ponta Grossa Memória Viva, do Facebook, espaço administrado pelo Diário dos Campos que busca manter a História de PG.

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Matheus Dias
Matheus Dias

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Paraná. Ex-foca do jornal O Estado de S. Paulo e repórter do DC desde 2022. Tem experiência na comunicação corporativa e na assessoria de imprensa de setores público e privado. Apaixonado por histórias e esportes.