25 de junho de 2026

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DER-PR pede atenção a traçado alternativo em novo contorno de PG


Por Da Redação Publicado 05/05/2026 às 16h13
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Reunião entre representantes do DER, Motiva Paraná, e entidades de Ponta Grossa
Reunião entre representantes do DER, Motiva Paraná, e entidades de Ponta Grossa - Divulgação

O projeto do contorno rodoviário de Ponta Grossa voltou a ser discutido nessa segunda-feira (4) em reunião entre técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), representantes da Prefeitura, entidades locais e a concessionária Motiva Paraná. Com investimento estimado em mais de R$ 1 bilhão, a obra é considerada estratégica para a mobilidade regional, mas o traçado proposto segue gerando divergências entre a concessionária e entidades de PG. No encontro, a coordenação técnica do DER-PR sugeriu que a concessionária analise em 15 dias a proposta apresentada por entidades como ACIPG, CDEPG e Prefeitura.

Leia também: Novo Contorno em Ponta Grossa – o que é e para que servirá esta obra?

Preocupações do Município

Os representantes da Prefeitura de Ponta Grossa e da Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa (ACIPG) voltaram a manifestar preocupação com os impactos do traçado sobre o desenvolvimento urbano*.

Um dos principais pontos levantados é a proximidade do contorno previsto pela concessionária com áreas urbanizadas ou em expansão. Na avaliação do Município, essa proximidade pode gerar segregação territorial, restrições ao crescimento da cidade e conflitos com empreendimentos já instalados ou em fase de implantação.

Durante a reunião, foram discutidas alternativas para afastar o traçado do perímetro urbano, especialmente na região de interseção com a PRC-373 e a PR-151, onde há densa ocupação populacional e limitações de espaço para dispositivos viários.

DER-PR reforça pedido

A coordenação técnica do DER-PR, representada pelo engenheiro civil Guilherme Luiz Conte, sugeriu a análise da proposta de um traçado mais ao norte, originalmente proposta por entidades como ACIPG e Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Ponta Grossa (CDEPG). A linha estabelecida pela Motiva passa pelas imediações na nova indústria Nissin. O traçado alternativo pretende fazer com que o tráfego dos contornos Norte e Leste se conecte diretamente à PR-151, mais ao norte da empresa DAF. Isso poderia reduzir interferências no tecido urbano.

A proposta está sendo debatida na mídia e nas reuniões e audiências dos últimos meses. A concessionária Motiva declarou que eventuais mudanças precisam ser avaliadas à luz dos impactos técnicos, ambientais e contratuais.

Dada a urgência de uma definição, o DER-PR firmou prazo de 15 dias para que a Motiva apresente estudos solicitados em nova reunião a ser previamente agendada.

Motiva defende trajeto proposta à ANTT

A Motiva Paraná sustenta que o traçado atualmente apresentado atende aos parâmetros contratuais firmados com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e foi definido a partir de estudos técnicos que priorizam segurança viária, viabilidade geológica e cumprimento de prazos.

Também foram debatidas questões fundiárias, como a passagem do contorno por áreas de assentamento vinculadas ao Incra e a possibilidade de interferência em áreas da Embrapa. Enquanto o município aponta a viabilidade de acordos locais, a concessionária alerta para a complexidade jurídica e ambiental dessas intervenções, que podem alterar o tipo de licenciamento exigido e comprometer os prazos de entrega previstos em contrato, atualmente fixados para 2031.

Balanço de massa

Segundo a concessionária, o balanço de massa — que busca reduzir a diferença entre volumes de corte e aterro — é um dos pontos centrais da proposta. No modelo defendido pela empresa, seriam necessários cerca de 1,79 milhão de metros cúbicos de material de jazidas, volume significativamente inferior ao traçado alternativo sugerido por lideranças locais, que demandaria mais de 9 milhões de metros cúbicos de escavação.

De acordo com a Motiva, essa diferença implicaria centenas de milhares de viagens adicionais de caminhões, ampliando impactos ambientais, riscos à segurança e o tempo de execução da obra. A concessionária também destaca as características do solo de Ponta Grossa, classificado como colapsível, com baixa resistência e maior risco de instabilidade quando em contato com água, o que exigiria cuidados adicionais e encareceria soluções com maior movimentação de terra.

Áreas de proteção

Outro argumento apresentado pela empresa é a proteção de áreas sensíveis. O traçado proposto evita a Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana, zona de amortecimento do Parque Estadual de Vila Velha, o que, segundo a Motiva, reduz a necessidade de estudos ambientais mais complexos e diminui o risco de atrasos no licenciamento. A concessionária também afirma que o projeto preserva o sistema de captação de água da Sanepar no Rio Pitangui, responsável por abastecer grande parte do município, minimizando riscos em caso de acidentes com cargas perigosas.

Diálogo e reuniões

Apesar das divergências, ambas as partes destacaram a importância do diálogo. A Motiva informou que realizou dezenas de reuniões com lideranças e entidades locais nos últimos meses e que o projeto já passou por ajustes a partir de sugestões recebidas. Representantes do município, por sua vez, defendem a continuidade das discussões técnicas com o DER-PR e os órgãos ambientais, buscando uma solução que concilie eficiência operacional, segurança e planejamento urbano.

O debate segue em aberto e, após avaliar sugestões das entidades de PG, novo encontro deve ocorrer em breve. De acordo com o vice-presidente da ACIPG e coordenador da FIEP na região, Rafael Rickli, “Há resistência em fazer qualquer mudança, mas a reunião foi produtiva”, conclui. 

Levantamentos feitos pela Motiva

O gerente executivo de Obras da Motiva Paraná, Alexandro Zopolato, acrescentou ao Diário dos Campos que foram feitos estudos sobre o traçado proposto por representantes de entidades de Ponta Grossa e que passa mais ao norte da Maltaria Campos Gerais, na conexão com a PR-151.

Segundo ele, os estudos da concessionária sobre o trecho proposto por lideranças locais apontam aumento de cinco vezes na quantidade de material de jazidas externas devido ao relevo acidentado naquela região.

“Eles me perguntaram se fizemos topografia de solo e eu disse que não, que fizemos modelagem topográfica de terreno por imagens aéreas por satélite, o que permite definir ordens de grandeza de forma extremamente assertiva”, diz Zopolato.

Presenças

A reunião contou com a participação de diversos representantes técnicos e políticos, conforme registrado na lista de presença da ata: Guilherme Luiz Conte (Coordenador Técnico – DT-DER/PR), Othavio P. Valentin dos Santos (Coordenador CCPR – DOP-DER/PR) e Emerson Cooper Coelho (Assessor Técnico – DT-DER/PR); Luiz Henrique Honesko, Secretário de Infraestrutura da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa; Bruno Garofani (Advogado da ACIPG), Rafael Issa Rickli (Vice-Presidente da ACIPG) e Ricardo Pimenta (Diretor de Desenvolvimento Local da ACIPG); e, por fim, Alexandro Zopolatto (Superintendente de Engenharia da Motiva) e Josy Tibério (Gerente de Relações Institucionais da Motiva).

*As informações desta reportagem foram, em sua maioria, obtidas por meio da ata da reunião realizada nessa segunda-feira.

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