Polícia investiga crimes sexuais cometidos por médico ginecologista de Irati

A Polícia Civil de Irati investiga um médico ginecologista, de 81 anos, pelo crime de violação sexual durante uma consulta médica em um consórcio intermunicipal de saúde. Nesta sexta-feira (17), a polícia colheu depoimentos de outras duas vítimas do suspeito. De acordo com a investigação, o médico apresenta um padrão de comportamento ao longo de décadas.
A investigação teve início em fevereiro de 2026, após uma mulher de 24 anos ter relatado que foi submetida a atos libidinosos durante uma consulta ginecológica. Segundo o relato, o profissional teria se valido da confiança técnica para praticar abusos sob o pretexto de procedimentos médicos.
A polícia de Irati identificou outras duas mulheres que afirmaram ter vivido situações semelhantes nos anos de 2011 e 2016. A PCPR informou que, após a análise desses casos, verificou-se a ocorrência da decadência do direito de representação. Isso porque, à época dos fatos, os crimes contra a dignidade sexual eram, em regra, de ação penal pública condicionada à manifestação da vítima, que dispunha de um prazo de seis meses, a partir do momento em que tomasse conhecimento da autoria, para formalizar a representação.
Esse entendimento foi modificado apenas com a entrada em vigor da Lei nº 13.718/2018, que alterou o artigo 225 do Código Penal, passando tais crimes a serem de ação penal pública incondicionada. Desde então, a apuração independe da vontade da vítima.
Provas da atividade criminosa
Assim, embora o tempo transcorrido impeça a responsabilização penal isolada pelos episódios de 2011 e 2016, os depoimentos colhidos possuem relevância jurídica significativa. Eles contribuem para reforçar o relato da vítima atual, funcionando como indícios de padrão de conduta e traços de comportamento, além de fortalecer o conjunto probatório necessário para eventual responsabilização no caso mais recente.
“A semelhança de detalhes nos relatos de vítimas sem qualquer vínculo entre si é um fator decisivo. Isso evidencia que não se trata de um episódio isolado, mas de uma prática reiterada ao longo dos anos, acobertada pela posição de autoridade médica”, destacou o delegado Luis Henrique Dobrychtop.
Diante da gravidade das acusações e do risco de reincidência, a Polícia Civil procedeu ao indiciamento do médico pelo crime previsto no artigo 215 do Código Penal e solicitou ao Poder Judiciário a adoção de medida cautelar para suspender o exercício da medicina. A medida busca evitar que o ambiente de atendimento seja novamente utilizado para a prática de ilícitos. (Com informações da PCPR)

