Pecuaristas propõem criação de ‘microcorredor sustentável’ no PR

No interior do município de Toledo (PR), um grupo de 12 produtores de suínos reuniu-se em torno de um projeto piloto que prevê a produção de biometano, para abastecer a frota de caminhões usada para levar insumos até as propriedades e carregar a produção até os frigoríficos. A economia estimada, com o sistema do microcorredor sustentável, é de 25% sobre o custo mensal de combustível. O projeto, que entrou em funcionamento este mês, será apresentado no Congresso Internacional de Bioenergia realizado dentro da Feira Internacional de Tecnologia em Bioenergia e Biocombustíveis, a BioTech Fair, que acontece de 26 a 28 de março no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre.
Microcorredor sustentável
O conceito de microcorredor parte do princípio de que as propriedades envolvidas utilizam o mesmo trajeto para se abastecer de matérias-primas, insumos e para escoar a produção, além de integrarem o mesmo arranjo produtivo local (APL). Um dos produtores investiu na instalação de uma microrrefinaria que produz biometano a partir dos dejetos dos porcos e de vacas leiteiras e fornecerá o combustível para o caminhão usado na distribuição de ração para todas as fazendas.
“Conseguimos fazer concretamente a produção e o uso do biometano e, um contrato num arranjo produtivo local, entre o produtor e o consumidor. Teremos uma economia de diesel na ordem dos 25% e uma redução de emissão de gases do efeito estufa, ou seja, uma descarbonização absurdamente importante, porque o cada litro de diesel que não entra na atmosfera, equivale a 90% menos de poder de poluição”, explica o agrônomo e engenheiro civil, Cícero Bley Júnior, da Bley Energias e Soluções, responsável pela implantação do projeto.
De acordo com Bley, um acordo de cooperação assinado com a Associação Regional de Suinocultores do Oeste do Paraná (Assuinoeste) e o Sindicato das empresas de Transportes Rodoviários de Cargas de Toledo (Sintratol) pode potencializar o impacto da iniciativa a partir da possibilidade de expansão para todos os 70 caminhões de transporte de ração cadastrados e, ainda, para as frotas ocupadas a atender outras demandas tanto dos suinocultores, como dos pecuaristas.
“O conceito do microcorredor desperta para uma realidade da produção de proteína animal, no qual é o enorme impacto do custo do diesel na produção, porque o caminhão de ração, só transporta a ração, mais nada. O caminhão de suínos vivos, que leva a produção até o frigorífico, só transporta essa carga e o caminhão de aves só transporta aves. E assim se tem frotas dedicadas em percursos curtos e recorrentes, que fazem um consumo gigantesco de diesel, mas que encontram no próprio lugar onde estão operando, a possibilidade de usar biometano, no lugar do diesel”, explica Bley.
A constatação de que o modelo de produção de proteína animal no sul do Brasil opera no mesmo processo gera, conforme Bley, a possibilidade de se espalhar o sistema de microcorredor sustentável para todos os três estados.
Investimento e retorno
Extrair combustível dos dejetos dos animais da produção, como suínos e gado leiteiro, exige a instalação de uma microrrefinaria capaz de extrair do biogás somente o biometano (CH4), deixando-o livre dos demais gases como o gás carbônico (CO2), o gás sulfídrico (H2S), nitrogênio (N) e o oxigênio (O2). O investimento para instalação de uma unidade deste tipo gira, atualmente, em torno de R$ 1,3 milhão. “Nossa projeção é de que em três anos se recupere esse investimento”, diz.
Uma vez instalada a usina tem um custo mensal, estimado, em torno de R$ 8 mil, no entanto, possibilitará uma renda calculada entre R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês com a venda do combustível.
