04 de junho de 2026

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Com ordenha inédita, Paraná deve produzir 1º leite de coelha


Por Redação Diário dos Campos Publicado 07/12/2025 às 18h29 Atualizado 25/02/2026 às 12h20
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Formulação de leite artificial poderá aumentar a sobrevivência dos filhotes e fortalecer a cunicultura nacional Fotos: Divulgação UEM

Pesquisadores do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (DZO/UEM) estão abrindo novos caminhos para a cunicultura brasileira. Após dois anos de estudos, a equipe chegou a um protocolo inédito de ordenha de coelhas e avança agora para a fabricação experimental de leite artificial, produto ainda inexistente no país e considerado essencial para reduzir a mortalidade de láparos.

Cunicultura

A cunicultura é reconhecida por ser socialmente justa, economicamente viável e ambientalmente correta. A carne é rica em proteínas, contém baixos teores de colesterol e gera diversos subprodutos, como pele, patas, vísceras, esterco e até animais destinados a pet shops. Outro diferencial é a eficiência produtiva: em pequenos espaços e com poucos insumos, o coelho transforma resíduos vegetais em carne de alto valor nutricional. 

Produção

Além da versatilidade, a espécie apresenta elevada capacidade reprodutiva. Uma coelha produz, em média, de 10 a 12 filhotes por ninhada, com gestação de cerca de 30 dias. Esse ritmo pode resultar em até 50 animais desmamados em um ano. Mas esse potencial não se converte integralmente em produtividade, já que a taxa de mortalidade no período de desmame, entre 30 e 40 dias de vida, chega a aproximadamente 20%.

“Hoje temos ninhadas com 12, 14, 16 filhotes, mas as fêmeas possuem apenas oito tetas. Existe uma limitação física que impede o fornecimento adequado de leite. A solução pode estar em uma fórmula artificial, como já existe para outras espécies”, explica Leandro Castilha, coordenador da cunicultura da UEM.

Protocolo de ordenha

Para desenvolver uma fórmula adequada, era preciso primeiro obter quantidades suficientes de leite natural para análise, tarefa que se mostrou o maior obstáculo da pesquisa. O elemento-chave estava na própria natureza da maternidade: a conexão entre mãe e filhote. O leite da coelha só é liberado mediante estímulo direto do filhote, que ativa a descida por meio de temperatura, sucção e movimentos da língua.

O professor  do Departamento de Zootecnia e autor do protocolo de ordenha de coelha, Silvio Leite, relata que “sem o filhote, o leite simplesmente não sai. Precisamos entender profundamente esse processo para conseguir não apenas a primeira gota, mas volumes capazes de atender às análises laboratoriais.”.

O resultado foi a consolidação da primeira técnica de ordenha de coelhas do Brasil, permitindo a coleta ideal para análises de lactose, aminoácidos, ácidos graxos e vitaminas.

1º leite de coelha

Com o protocolo de ordenha estabelecido, os pesquisadores entraram na fase final do estudo: formular o leite artificial de coelha. Espera-se que a suplementação reduza a mortalidade dos filhotes e aumente a eficiência produtiva da cadeia. 

A expectativa da equipe é alta. “Primeiro porque isso vai solucionar um problema real. Segundo porque traz esperança de maior lucro ao produtor e maior bem-estar aos animais, que estarão melhor alimentados, absolutamente nutridos. Também porque solucionamos um problema que, do ponto de vista ético, nos causa comoção. Queremos ver todos os animais nascidos desmamados, saudáveis e comercializáveis, gerando ativos de um agronegócio importante”, afirma Castilha. (com informações da UEM)

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Redação Diário dos Campos
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A Redação do Diário dos Campos é composta por uma equipe de jornalistas e colaboradores, que produzem conteúdo de qualidade, com foco especial em Ponta Grossa (PR) e região dos Campos Gerais. O DC foi fundado em 1907 como jornal impresso, e atualmente publica notícias em diferentes plataformas.