Boletim da inflação: veja o que mais subiu de preço no PR

A conta de luz mais cara e a disparada nos preços de alimentos in natura vem pesando no orçamento dos consumidores de Curitiba e Região Metropolitana desde maio. Apesar dessas pressões, a inflação oficial da região desacelerou e ficou em 0,29% no mês, abaixo da média nacional, que registrou alta de 0,58%, conforme análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) com base nos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE.
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O principal impacto na inflação local veio do grupo Habitação, que avançou 1,37% em maio, puxado principalmente pela alta de 4,54% na energia elétrica residencial. Em contrapartida, o grupo Transportes ajudou a conter o índice, com recuo de 1,40%, reflexo da queda de 2,49% nos preços dos combustíveis para veículos.
No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação em Curitiba e Região Metropolitana alcançou 3,33%, permanecendo abaixo da média brasileira, de 4,72%.
Segundo o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, o cenário nacional exige atenção, especialmente diante das incertezas externas. “A inflação no Brasil começou a operar acima do limite superior da meta, fixado em 4,50%, indicando um cenário de atenção ao processo inflacionário ao longo do período. A expectativa é de manutenção da pressão inflacionária nos próximos meses, diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, que pode afetar os custos de energia e transporte”, avalia.
Alimentos lideram altas no mês
Entre os produtos com maiores aumentos de preços em maio na Região Metropolitana de Curitiba, destacam-se principalmente alimentos consumidos no dia a dia. A batata-inglesa registrou alta de 49,61%, seguida pelo pepino (+44,30%), tomate (+33,73%), cebola (+25,64%) e cenoura (+19,05%). Também tiveram aumentos relevantes pacotes turísticos (+5,44%) e perfume (+5,18%), diante da proximidade do Dia dos Namorados.
Por outro lado, os consumidores encontraram valores mais baixos em alguns itens, como vinho (-5,84%), emplacamento e licença (-4,83%), linguiça (-4,22%), óleo diesel (-3,58%), queijo (-3,52%), serviços de autoescola (-3,45%) e medicamentos antigripais (-3,44%), um alívio para o inverno curitibano.
Cenoura acumula alta superior a 120% em 2026
A pressão dos alimentos fica ainda mais evidente quando observada a inflação acumulada entre janeiro e maio deste ano. A cenoura lidera o ranking de altas em Curitiba e Região Metropolitana, com avanço de 120,14%, seguida pelo pepino (+114,43%), tomate (+100,04%), batata-inglesa (+94,80%), cebola (+72,94%), leite longa vida (+30,46%) e repolho (+22,95%).
Segundo Dezordi, os alimentos seguem como um dos principais fatores de pressão inflacionária. “A alimentação no domicílio em Curitiba e Região Metropolitana está pressionando os preços para cima em razão de fatores sazonais e da recomposição de preços, além das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, que podem influenciar os custos da cadeia produtiva”, analisa.
No sentido oposto, os itens que apresentaram maior queda de preços em 2026 foram emplacamento e licença (-21,92%), maçã (-10,56%), café moído (-10,02%), açúcar cristal (-9,26%), autoescola (-9,21%), linguiça (-7,68%), banana-d’água (-7,33%) e óleo de soja (-6,66%).
Passagem aérea e alimentos se destacam em 12 meses
Na comparação dos últimos 12 meses, a cenoura também lidera os aumentos, com alta de 120,73%, seguida pelo pepino (+99,24%), passagem aérea (+55,76%), tomate (+38,88%), cebola (+33,87%), joias (+25,64%), batata-inglesa (+22,87%) e chocolate em barra (+21,74%).
Entre os produtos que mais recuaram no período estão arroz (-21,16%), emplacamento e licença (-20,84%), azeite de oliva (-19,24%), café moído (-16,92%), ovos de galinha (-16,31%), cortinas (-15,80%) e açúcar cristal (-15,58%).
