Mecanismos de segurança reduzem 82% índice de óbitos em rodovias

Desde novembro de 1997, a CCR RodoNorte é responsável por cuidar de 487 km de rodovias paranaenses que têm como centro Ponta Grossa, ligando a cidade a Curitiba, Jaguariaíva e Apucarana. Neste tempo, o índice de acidentes baixou em 73% e o índice de óbitos, 82% – números impulsionados, principalmente, por dois pilares de investimentos: na segurança das vias, para prevenção de casos, e no atendimento a acidentes, para respostas rápidas que diminuam o agravamento das condições dos acidentados.

“Trabalhamos 24 horas por dia, nos 7 dias da semana. O grande objetivo da concessão é salvar vidas e reduzir ao máximo o número de acidentes que existem, por isso melhoramos a infraestrutura e os sistemas das rodovias, por meio de obras e atendimentos”, conta o gerente de atendimento da CCR RodoNorte, Mauro Bertelli.
A redução expressiva está ilustrada em índices internacionais, obtidos a partir de uma proporção do número de ocorrências por 100 milhões de quilômetros rodados; tanto no registro de ocorrências com óbitos como de acidentes, ambos apresentam quedas significativas com o passar dos anos, chegando aos seus menores níveis em 2020.
Outra projeção acompanhada pelas equipes de Atendimento e Planejamento da CCR RodoNorte simula a quantidade de óbitos em acidentes caso o índice de mortalidade nas rodovias se mantivesse o mesmo de 1998, ano de início da concessão; neste cenário, é possível afirmar que 4,6 mil vidas foram salvas a partir do trabalho e do atendimento prestado ao longo do trecho concessionado.

Evolução
Bertelli conta que, ao decorrer dos anos, a tecnologia aplicada foi melhorando e crescendo. Atualmente, por exemplo, são 31 câmeras de monitoramento que identificam problemas através do Centro de Controle Operacional (CCO), 6 painéis de mensagens variáveis (PMVs) que informam intervenções e eventos instantaneamente e 10 veículos de inspeção, que monitoram as rodovias.
“Trabalhamos fortemente com a sinalização também. Locais mais perigosos contam com sinalização mais robusta, como a serra de São Luiz do Purunã, por exemplo, sem contar mecanismos como guard rails, defensas metálicas, muretas de concreto e tachas reflexivas, que são instaladas, em média, 270 por km”, enumera o gerente de atendimento.
“Dentro dos projetos de engenharia usamos muito o critério da ‘rodovia que perdoa’. Às vezes não consegue-se evitar o acidente, mas se a rodovia está preparada para perdoar o erro pode-se diminuir a gravidade dele”, avalia Mauro Bertelli.
Entre os pontos que eram mais críticos e melhoraram com o passar do tempo, Bertelli cita a Serra de São Luiz do Purunã, que recebeu uma sinalização diferenciada, defensas metálicas e redutores de velocidade, além da Serra do Cadeado, entre Ortigueira e Mauá da Serra, que foi toda duplicada, e o contorno de Campo Largo, que separou o tráfego rodoviário do urbano em um dos trechos mais movimentados do Estado.

Mais de 30 mil atendimentos em cinco meses
Além de investir na prevenção contra acidentes, a CCR RodoNorte também oferta atendimento de resposta, tanto a acidentes, quanto a outros diversos tipos de ocorrência. Nos cinco primeiros meses de 2021, mais de 30 mil atendimentos foram realizados, sendo mais da metade deles para caminhoneiros. A ocorrência mais registrada é a pane mecânica, sendo uma a cada três situações. No ano passado foram 78 mil atendimentos ao longo do ano, porém, em períodos ‘sem pandemia’, a concessionária chegou a realizar mais de 90 mil atendimentos/ano.
“Temos mais de 300 colaboradores próprios envolvidos diretamente no atendimento ao cliente, sendo socorristas, enfermeiros, médicos, operadores de guincho, equipes de inspeção e monitoramento da rodovia e outros 250 indiretos, por meios das prestadoras de serviços, que fazem a manutenção e conservação das rodovias”, lista o gerente de atendimento da CCR Rodonorte, Mauro Bertelli.
A estrutura também conta com 17 guinchos, 10 viaturas para inspeção, 11 veículos de atendimento pré-hospitalar, 6 balanças móveis e fixas e 7 bases operacionais, além do Centro de Atendimento ao Cliente (CAC) na BR 376, em Witmarsum.
Fernanda Bianca de Oliveira é uma das profissionais envolvidas nesta estrutura. A agente de monitoramento do Centro de Controle Operacional completa seis anos de atuação na empresa em outubro e faz parte da estratégia de resposta rápida de atendimento, pois atua na equipe que recebe as ligações do 0800 e também dos veículos de inspeção.
“Nós acionamos as ambulâncias, as viaturas, os guinchos e a polícia, quando necessário. Priorizamos o usuário e tentamos coletar o máximo de informações possíveis para conseguir localizar e atender, seja pane ou acidente”, conta a profissional. “Temos que estar preparados para tudo. Já peguei engavetamentos com 10 a até com 20 veículos envolvidos. Cada dia é uma experiência nova, já que é tudo muito imprevisível”, relata Fernanda.

Curso para socorristas
Para preparar e especializar os agentes de atendimento, a CCR RodoNorte oferta um curso de imersão para socorristas. Nas 20 edições já realizadas, mais de 500 profissionais participaram do treinamento, que envolve revisão dos protocolos de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) reconhecidos internacionalmente e exercícios práticos com simulação de situações de atendimento na rodovia.
São 110 horas de duração e os aprovados integram o banco de profissionais da empresa no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) – mas vários também utilizam os conhecimentos adquiridos no curso no serviço público ou privado de saúde.
É o caso de Ana Maria Lopes, que atualmente é socorrista do Samu. Quatro anos depois de fazer um curso de socorrista e já tendo o ensino técnico em enfermagem, em 2016 ela fez o curso da CCR RodoNorte. “Sempre foi um sonho”, conta.
Ana Maria fez o curso de fevereiro de 2016 e em abril começou a trabalhar na empresa. Em novembro de 2018 foi aprovada em um concurso para o Samu, e trocou o atendimento particular pelo público.
“A qualidade do curso é excelente. Ele é bem intenso: a gente teve 11 dias de aulas, das 7h às 23h, com ensino teórico e prático. Fizemos rapel, técnicas de resgate em local difícil, aprendemos a usar EPRs [Equipamentos de Proteção Respiratória], ensinaram a como usar equipamentos de resgate, colocaram carcaça de carro para aprendermos a cortar o veículo e retirar vítimas das ferragens… São coisas que outros cursos não têm”, recorda a socorrista, que também elogia a equipe de instrutores.
A profissional afirma que, assim como outros colegas que já atuaram ou ainda dividem a sua carga horária com a empresa, utiliza os conhecimentos do curso no atendimento do SAMU. “Os instrutores têm anos de experiência clínica e de trauma e as técnicas de resgate que eles têm são diferenciadas. O curso também ensina a trabalhar com os equipamentos que a CCR RodoNorte tem, que são bem modernos”, conta Ana Maria.

*A reportagem faz parte da série especial Caminhos para o Desenvolvimento
