06 de julho de 2026

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Instituto Butantan trabalha em vacina contra a dengue para ser disponibilizada gratuitamente pelo SUS


Por dmais Publicado 16/03/2020 às 13h05 Atualizado 23/02/2026 às 20h28
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Em breve, a luta contra a dengue pode ganhar um novo aliado: pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, estão no último estágio de desenvolvimento de uma vacina contra a dengue. Se o projeto for bem sucedido, o Brasil vai se tornar o primeiro país do mundo a disponibilizar uma vacina contra essa doença gratuitamente para a população. A pesquisa é apoiada pelo Ministério da Saúde.

A imunização projetada pelo Butantan vai proteger contra os 4 sorotipos da dengue e, atualmente, passa pela última etapa de criação: está sendo testada em seres humanos. São 17 mil voluntários, nas cinco regiões do Brasil. Nesta fase, a intenção é saber se o produto realmente está funcionando como o previsto e se é seguro, ou seja, garantir que a vacina torna a pessoa imune e não faz mal aos pacientes. Depois disso, um relatório será feito para pedir que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) libere a produção da vacina em escala industrial.

O médico infectologista Ricardo Palácios, diretor de ensaios clínicos do Instituto Butantan, explica que a intenção é disponibilizar a imunização para todos os brasileiros, pelo SUS. 

“Este trabalho, liderado por uma instituição de saúde pública, como o instituto Butantan, vai ser um exemplo, um novo modelo, que vai permitir que Brasil seja o primeiro país que consiga incorporar a vacina. E não vamos ter que esperar, como quando uma vacina é criada no exterior e precisamos esperar vários anos até que a vacina seja disponibilizada no SUS.”

Em fevereiro, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que a expectativa é de que vacina esteja disponível em 2021. Mas a data de disponibilização depende do sucesso da fase de testes, que pode demorar mais que o previsto.

Só neste ano, no Brasil, já foram notificados 181 mil casos prováveis de dengue. 32 pessoas já morreram em decorrência da doença. Onze estados brasileiros estão em sinal de alerta para um possível surto desde o início do ano: toda a região Nordeste, além do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

De acordo com o Ministério da Saúde, o maior risco é o sorotipo 2 da doença. O coordenador-geral de vigilância em arbovirose do Ministério da Saúde, Rodrigo Said, explica que, apesar da vacina, a melhor forma de se prevenir da dengue ainda é combater os focos do mosquito.

“A gente chama a população para participar efetivamente para reduzir os criadouros dentro do seu domicílio. Então, é importante estar atento a caixa d’água, se ela está aberta ou não, a limpeza das calhas, a verificação constante da presença de água em bandeja de ar-condicionado, geladeira, dos pratinhos de vasos de planta.”

Mas, mesmo quando a vacina for disponibilizada, o combate ao mosquito deve continuar. É o que explica Ricardo Palácios.

“O mosquito também transmite Zika e chikungunya. O combate ao mosquito tem que continuar. Não podemos esperar ou parar tudo achando que a vacina vai resolver tudo, porque temos outras doenças [transmitidas pelo Aedes aegypti]”.

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