04 de julho de 2026

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência no portal e personalizar a publicidade exibida. Ao continuar navegando, você concorda com este monitoramento. Leia mais na nossa Política de privacidade.

Paulão: da marginalização do ‘Vale-Tudo’ aos cinturões de MMA, uma vida de lutas


Por Matheus Dias Publicado 11/09/2025 às 15h19 Atualizado 25/02/2026 às 15h00
Ouvir: 00:00
Paulão luta ao solo contra Zuliznho em Ponta Grossa
Foto: José Aldinan/DC.

Patriarca de uma família de lutadores de MMA, algo raro no mundo, o atleta e treinador Paulão Zenidim passou por muitos momentos de luta, literalmente, para conquistar o prestígio e os títulos que ele e seus filhos obtiveram nos últimos anos. Aos 49 anos, Zenidim não fala em aposentadoria e, em entrevista para o DC, lembrou de tempos difíceis do Vale-Tudo.

Leia também: Novo decreto prejudica fiscalização, dizem vereadores de PG

Juventude em PG

Nascido em Irati no dia 29 de julho de 1976, Paulão se mudou com a família para Ponta Grossa com cerca de dois anos de idade. Morou na Rua Paranavaí, no atual Bairro Neves, e, ainda criança, passou a morar próximo de onde vive até hoje, no chamado Reduto da Caveira, às margens da Avenida Dom Geraldo Pellanda, onde também fica localizada a Praça Zenidim: um espaço com octógono, ringue de lutas e arquibancada abertos ao público.

Desde jovem se interessou pelo universo das lutas. Em projetos de bairro, treinou karatê, capoeira e muay-thai. Quando viu, estava competindo. Além das lutas, Paulão trabalhou com seu pai, no ramo madeireiro e na venda de materiais de construção durante a adolescência. 

Serviu ao Exército, estudava e treinava. Já adulto, começou a trabalhar como segurança. Atuou na segurança da antiga casa noturna Summer, definida por Paulão como uma das boates mais “barra pesada” da cidade. “Já foram mortos seguranças lá dentro”, lembra o lutador. Também atuou na Guarda Urbana de Ponta Grossa, órgão anterior à Guarda Civil Municipal.

Vale-tudo e marginalização

Nos anos 90, dedicou-se ao Vale-tudo e começou a organizar o seu próprio evento, chamado Paulão Fight. Com 1,75m de altura, Paulão admite que não é tão grande para fazer jus ao seu apelido, mas que o nome nasceu do fato de que Zenidim conseguia bater em rivais maiores que ele.

“A época do Vale-tudo era muito difícil. As pessoas não acreditavam, não apostavam na gente. Era muito marginalizado e tinha gente que dizia que não é de Deus”, lembra Paulão. O Vale-tudo, como o nome sugere, praticamente não tinha regras ou limites. Lutava-se sem luvas, sem pesagem, com técnicas mais primitivas.

Paulão supera Zuluzinho em PG. Foto: José Aldinan/DC.

Mas o Vale-tudo caiu no gosto popular. Paulão lembra de um Paulão Fight, realizado em 1999 no Ginásio Zukão (disponível no Youtube) que reuniu cerca de dois mil espectadores no espaço. Foi também a primeira edição televisionada do evento. O lutador ainda conseguiu boas premiações lutando em eventos de Curitiba. 

Filhos e legado

Zenidim tem quatro filhos: Rani “Rex”, Rickson “The King”, Riran “Taz” e Raykon “The Last”, todos também lutadores de MMA. Raykon, o caçula, ainda não se profissionalizou, ação que deve estar a caminho. 

Paulão relembra que, especialmente com Rani e Rickson, em um tempo em que o MMA ainda estava se popularizando, não raro o pai e treinador ouvia críticas das pessoas. Julgavam errado o pai colocar os filhos para treinar e ainda suspeitavam de que Paulão estivesse batendo nos meninos.

Contudo, o tempo trouxe resultados também aos rapazes. A última conquista de vulto do clã veio de Rickson, que conquistou o cinturão mundial peso galo do Fusion Fighting Championship (FFC) no Peru. Foram três anos de batalha para chegar ao topo da categoria. O objetivo é competir no UFC. 

Para o patriarca, é satisfatório saber que o legado do MMA não será apenas do Paulão. “Meus filhos não vivem à minha sombra. Cada um tem a sua história e o MMA sobreviverá por gerações na família”, diz.

Família Zenidim celebra título de Rickson. Foto: José Aldinan.

Aposentadoria

Paulão diz que não pensa em aposentadoria. Afirma que o corpo ainda rende bem aos 49 anos e que há várias oportunidades de lutas máster para competir. Recentemente, bateu Wagner “Zuluzinho” na Arena Multiuso: um adversário ex-Pride FC com dois metros de altura a mais de 150 Kgs.

Além disso, afirma, mantém-se na ativa para servir de sparring para seus filhos, ou seja, o parceiro de treinos que aguenta (e revida) as pancadas para preparar os meninos para o combate. Paulão e a família são parte dos 202 anos de PG. 

Princesa em Festa

Este texto é o quinto e último compondo a participação do Diário dos Campos na Gincana Princesa em Festa 2025. O DC está inscrito no item 144, categoria PG Cult e Criativa: “Escrever e ilustrar a história de 5 importantes ponta-grossenses”.

Participe do grupo e receba as principais notícias da sua região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Matheus Dias
Matheus Dias

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Paraná. Ex-foca do jornal O Estado de S. Paulo e repórter do DC desde 2022. Tem experiência na comunicação corporativa e na assessoria de imprensa de setores público e privado. Apaixonado por histórias e esportes.