16 de julho de 2026

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Projeto alcança mais de 1,7 mil estudantes com ações educativas e antirracistas


Por Das assessorias Publicado 16/07/2026 às 17h44
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Colegio estadual jorge queiroz netto
Foto: Divulgação/das assessorias

Mais uma edição de A Glória do Meu Quilombo chegou ao fim nesta semana. Como resultado das palestras com a multiartista Ligiane Ferreira, e para que o pensamento crítico permaneça presente no ambiente escolar, a equipe do projeto entregou às 17 escolas participantes do projeto um kit pedagógico. O material poderá ser utilizado ao longo de todo o ano letivo, por turmas de diferentes faixas etárias.

Nesta edição, foram 20 palestras ministradas por Ligiane Ferreira, em 17 colégios da região dos Campos Gerais, sendo dez na zona rural e sete em área urbana. Ao todo, 1704 alunos foram impactados, além de professores e funcionários em seis municípios.  “Tivemos excelentes resultados e um expressivo alcance regional, ampliando o acesso à informação e ao conhecimento para uma educação antirracista, a partir da trajetória do povo do Quilombo Sutil, das histórias de Seu Wilson, pai de Ligiane, e da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus”, comenta a diretora de produção, Rafaela Remeika.

O kit pedagógico distribuído nas escolas é composto por catálogo didático com o conteúdo das palestras; catálogo acessível em braille; mapa tátil que representa os espaços de uso coletivo e de convivência do Quilombo Sutil, desenvolvido como uma ferramenta de acessibilidade para pessoas cegas e com baixa visão, além de contribuir para a aprendizagem de todos os estudantes. O projeto também entregou certificados de participação para cada colégio, em reconhecimento às instituições de ensino que estiveram abertas ao diálogo e ao fortalecimento do debate público sobre temas fundamentais para o desenvolvimento humano e social dos estudantes. “Agradecemos aos quase dois mil alunos, às equipes pedagógicas e aos funcionários que nos receberam em colégios de seis municípios do Paraná: Carambeí, Castro, Imbituva, Palmeira, Piraí do Sul e Tibagi”, disse a diretora-geral do projeto, Ligiane Ferreira.

Ao levar essas narrativas para o ambiente escolar, o projeto contribuiu para a valorização da história e da cultura afro-brasileira, fortalecendo o respeito à diversidade, o reconhecimento das identidades e a construção de uma educação mais crítica e comprometida com a formação cidadã. Segundo a dirigente do projeto, a cada escola visitada, novas conversas surgiram sobre identidade, território e histórias que atravessam gerações. “Nesses encontros, a arte, a palavra e a ancestralidade se mostraram ferramentas de resistência e transformação na construção de diálogos que fortalecem o pertencimento e ampliam a consciência sobre a presença e a contribuição do povo negro no Brasil”, finaliza a artista.

A Glória Do Meu Quilombo é uma produção de Ligiane Ferreira e Inspire Projetos Criativos; aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – Ministério da Cultura – Governo Federal.

Inovações desta edição: Audiolivro

O projeto de educação antirracista no Paraná trouxe “vozes de mulheres que atravessaram escolas, territórios e memórias, ecoando os caminhos por onde passou”. É desta forma que a multiartista Ligiane Ferreira apresenta o segundo audiolivro do projeto, baseado na obra Quarto de Despejo – diário de uma favelada, publicado pela escritora Carolina Maria de Jesus em 1960. “Uma escrita que ultrapassou fronteiras, traduzida em mais de 16 países, e que segue viva, pulsando verdade, dor e humanidade”, destaca a idealizadora do projeto na abertura do material. A expectativa do coletivo é de que milhares de estudantes tenham acesso ao material, que reverbera a história da escritora negra, moradora da favela do Canindé em São Paulo; vida atravessada pelo racismo e outras violências sociais. O acesso ao material é gratuito e está disponível na plataforma de áudio Spotify, pelo LINK.

Cartilha didática

A cartilha educativa A Glória do Meu Quilombo chega até os colégios da rede pública do Paraná, nos Campos Gerais. Composta por 16 páginas, o material traz novos olhares sobre a história do Quilombo Sutil, em Ponta Grossa, e a trajetória de vidas de quem faz do seu corpo, também território. “A cartilha é mais um capítulo do projeto criado para contar a história do meu pai, seu Wilson Ferreira, e do território quilombola da Colônia Sutil. Aqui você vai acompanhar não só a trajetória dele, mas também as memórias de outros moradores da comunidade”, comenta Ligiane Ferreira. A edição revisitada e ampliada do material vai servir como instrumento fundamental aos professores e equipes pedagógicas no letramento racial de estudantes e no fortalecimento do movimento antirracista na comunidade escolar da região.

Protagonismo feminino

Com equipe formada 100% por mulheres, A Glória do Meu Quilombo destaca o protagonismo feminino em suas iniciativas e na luta pela equidade de gênero. São mães, artistas, designer, fotógrafa, donas de casa, ativistas sociais, educadoras populares, professoras, escritora, jornalista, graduandas, pós-graduandas, mulheres de múltiplas etnias e representando vários movimentos, segmentos sociais e profissões, que tem agregado expertise e diversidade ao Projeto A Glória do Meu Quilombo – a importância de Carolina Maria de Jesus. Ao todo, dez mulheres trabalham juntas na elaboração e execução das atividades que levam as narrativas do povo negro e quilombola de Ponta Grossa para as escolas de seis municípios dos Campos Gerais que integram o projeto. Além de promover a educação antirracista, o letramento racial e o pensamento crítico junto à comunidade escolar de áreas urbanas e de campo, também há o estímulo ao protagonismo feminino nas atividades do projeto.

Acessibilidade e comunicação inclusiva

A Glória do Meu Quilombo fala de identidade e pertencimento, de letramento racial e educação antirracista, além de memória, presença negra e quilombola. Mas os temas e abordagens deste projeto não param por aí. Com o uso de técnicas de acessibilidade nos materiais pedagógicos e nos encontros com a comunidade escolar, a inclusão de todas as pessoas está garantida em cada encontro e edição. A equipe pensa, planeja e desenvolve a comunicação digital e presencial, transformando recursos como audiodescrição, legendagem e interpretação em língua de sinais em realidades. Desta forma, instrumentos pedagógicos e plataformas como as redes sociais do projeto, audiolivros, a cartilha e as palestras são atividades, ações e produtos que garantem a inclusão e a interação também para pessoas com deficiência. Para a intérprete de Libras Rayssa Miranda, a comunicação acessível oportuniza ao público do projeto mais do que inclusão e aprendizado. Ela acredita que também favorece a reflexão crítica e o fortalecimento do povo negro na construção social.

Sobre o projeto

O projeto surge a partir da memória do pai de Ligiane Ferreira, seu Wilson Ferreira dos Santos, um homem negro vindo do Quilombo Sutil, cuja história, sensibilidade e caminhada continuam conduzindo essa criação. A educadora conta que “A Glória do Meu Quilombo” é uma homenagem ao seu pai, que surgiu em 2018, logo após a partida dele. “Eu precisava homenagear e contar a história do Quilombo Sutil de forma artística. Começou como peça de teatro, depois virou palestra na pandemia. Atualmente, a gente caminha pelo Paraná contando essa história, emocionando, sensibilizando e falando de questões raciais. Nessa caminhada, que tem pouco mais de dois anos, tenho visto a importância para o nosso estado que é evitar o apagamento histórico da população negra, que também contribuiu para a formação do Paraná”, comenta a artista, com emoção.

Ao aproximar a trajetória de seu Wilson da obra de Carolina Maria de Jesus, o projeto cria uma relação entre memória familiar, literatura, território e de luta contra o racismo.

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