Rota germânica em Ponta Grossa conta a história da cidade

Em Ponta Grossa, dia 22 de setembro é o Dia do Imigrante Alemão do Volga por lei municipal nº 11.522, de 17/10/2013. Neste artigo, escrito por Carlos Mendes Fontes Neto para a coluna semanal Sherlock Holmes Cultura, publicada na edição do Jornal Diário dos Campos, você conhece a rota germânica de Ponta Grossa.
Uma imigração que imprimiu um grande progresso na cidade com uma dinâmica que valorizou os ofícios, comércio, indústria e em grande parte a cultura.
Mas de uma forma bastante sintomática pouco se observa no cenário urbano alguma marca desta saga de imigrantes que vieram lá da região de Saratov, na Rússia, para construir um futuro nos trópicos. Mas se olharmos com cuidado podemos reconstruir essa história através de vestígios e do pouco que foi conservado na cidade. Cidade que foi ocultada pelo progresso e pela falta de políticas públicas de preservação.
Por isso, ao construir um roteiro de visitação pelo centro de cidade, muito do que existiu e que contribuiu com a urbanização e progresso da cidade volta à memória.
Nosso roteiro começa na Praça Mal Floriano Peixoto, a Praça da Catedral.

1. Na Praça da Catedral podemos observar o Monumento do Sesquicentenário que apresenta um mural destacando uma linha do tempo em baixo relevo, onde se nota a presença dos imigrantes através da imagem de um carroção eslavo. Na catedral existem os restos do antigo altar vindo de Munique, que repousam no subsolo. A imagem de Sant’Ana na nave principal é um trabalho de artesãos bávaros, trazida de Munique, Alemanha. A única edificação original da praça que lembra a imigração é o prédio da Proex, cujo construtor foi Guilherme Naumann que em 1906 instalou uma das principais casas importadoras da Alemanha.
2. Museu Campos Gerais: antigo Fórum, onde a espetacular escada de madeira é obra artesanal do marceneiro e entalhador Alberto Schnitzler, executada nos anos 1920. Os artesãos alemães estão presentes na engenharia e arquitetura da cidade durante boa parte do século XX.
3. Marco da Rota 01 lembrando a histórica viagem de moto de Ponta Grossa para Antonina e do Club de Motociclismo de 1913, um dos pioneiros do Brasil. Também neste ponto existiu a Casa Progresso de Jorge Holzmann, hoje um terreno vazio, e o Cine Teatro Renascença inaugurado em 1911, que abrigava as apresentações da Banda Lyra dos Campos de Jacob Holzmann.
4. Primeira sede do jornal Diário dos Campos, fundado por Jacob Holzmann em 1907, em uma sala da antiga casa de Manoel Cyrillo Ferreira.
5. Rua Santos Dumont: A Rua dos Alemães. O trecho entre a Avenida Vicente Machado e a Rua Pe. Lux abrigou casas comerciais que fizeram história. Padaria Glória, Açougue do Surdo de Büchler, Relojoaria de Alfredo Osternack, Padaria do Brinquinho de Carlos Junker, última casa de Emilio Voigt, Casa Osternack, Bar Pharol da Adriática, Cervejaria Adriática (1894), Casa dos Relógios de Alfred Herold, a escola de Otacília Hasselmann, Casa Canto e Bomboniere “A Favorita”.
6. Magazin Ricardo Kossatz.
7. Residência de David Hilgenberg, em frente à casa de Johann Holzmann.
8. Casa Paulo Lange.
9. Ponto Azul (Blau Punkt) e Colégio São Luiz do Pe. Lux e que antes foi o Colégio Santana das freiras alemãs da Congregação do Divino Espirito Santo. Além disso o traçado original da Praça Barão do Rio Branco foi executado por de Jacob Schell. Assim como o traçado original do jardim do Regente.
10. Villa Hilda, residência da família Thielen.
11. Clube Verde: Club Germânia Beneficente – 1897.
12. Brinquedolândia e Casa Ansbach. Clube Guaíra.
13. Casa de Leonilda Hilgenberg Justus, Foto Weiss, Floricultura Schell, Chapelaria de Lucia Egg Weiss e Foto Art de Ernesto Koch.
14. Clube Thalia.
15. Casas de Otília Loenert: três casas com arquitetura de influência alemã.
16. Ruinas da Cervejaria Oceana
Ainda fica faltando falar da Comunidade Ev. Luterana Bom Pastor, da Deutsche Schule, da ferrovia, das fabricas de banha, olarias e tantas outras casas comerciais que completaram o espaço urbano por grande parte do século XX.
Os alemães participaram muito da construção da nossa cidade, e vale lembrar, como dizia Alcioni Becher, com muito orgulho: nós, os alemães! Integrantes do povo princesino.
