Rinaldo Guzzoni e o mistério da Casa da Telha

Rinaldo Guzzoni, historiador, desenhista e contador de histórias, trabalhou por muitos anos na Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, na Secretaria de Planejamento, ao lado do Sr. Nestor Holzmann (primeiro marido da professora Guisela Veleda Frey) onde exerceu a função de desenhista até se aposentar.
Durante esse período, contribuiu com diversos projetos e desenhos de relevância histórica e simbólica para o município, entre eles o monumento do Sesquicentenário de Ponta Grossa, localizado na Praça Marechal Floriano Peixoto, onde foi depositada a urna aberta nas comemorações do bicentenário da cidade. Também é de sua autoria o Monumento das Três Armas, na Praça do Expedicionário, que homenageia o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, concebido a pedido da Associação dos Expedicionários de Ponta Grossa.
Logo após ser criada a Casa da Memória Paraná, Rinaldo Guzzoni passou a colaborar com a Instituição, redigindo textos sobre a história da cidade, foi um grande apaixonado pela aviação e, também, fatos sobre ufologia. É dele o registro da história do planador construído por um grupo de alemães, em Ponta Grossa, pioneiramente no século XX.
Entre os principais trabalhos deixados na Casa da Memória Paraná por Rinaldo Guzzoni, destacamos o desenho da Casa da Telha que ele conheceu quando era estudante, pois os professores das escolas primárias da cidade levavam os alunos para visitar a antiga Casa da Telha, na Vila Vilela, bairro do Jardim Carvalho. Este quadro é uma das maiores relíquias deixada por ele aos pontagrossenses, como também diversos textos contando o que acontecia na cidade de Ponta Grossa nos anos trinta do século passado.
Rinaldo Guzzoni nasceu em Ponta Grossa, em 27/07/ 1926, filho de José Guzzoni e de Maria Guzzoni, casado com Ruthe Michele Guzzoni, com quem teve três filhos: Milton, Marcelo e José Renato. Morava no Núcleo residencial Luís Gonzaga, Bairro Estrela. Faleceu em 27 de julho de 2017, aos 91 anos. Sua esposa faleceu em 26 de janeiro de 2023, aos 85 anos de idade. Ambos estão sepultados no cemitério S. José. Era neto de Luiz Guzzoni, proprietário do antigo Hotel Guzzoni, depois Hotel Franze, na atual Rua Fernandes Pinheiro.
Durante minhas pesquisas, procurei obter outras informações na tentativa de localizar o sítio onde existiu a Casa da Telha.
Um antigo tropeiro conhecido como Jecão (José Ferreira), que era funcionário da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, levou-nos a conhecer o antigo Caminho das Tropas, que passava pela cidade rumo à Vila Vilela, seguindo em direção ao riacho Lajeado Grande. Na ocasião, mostrou-nos um lote sem construção, onde havia algumas pedras ferro, e apontou que era naquele local que estivera edificada a antiga Casa da Telha.
O traçado do Caminho das Tropas passava em frente ao Colégio Meneleu e seguia até alcançar um campo aberto, alto, seco e ventilado, desprovido de árvores. Havia, porém, uma nascente de água, provavelmente utilizada pelos tropeiros em suas paragens; foi ali que se construiu a Casa da Telha.
A localização situava a Casa da Telha próxima ao Cemitério Santo Antônio, mas não há vestígios do arroio, que pode ter sido canalizado ou mesmo deixado de existir com o passar do tempo.
No local havia, antigamente, um cercado e alguns paióis ao redor da casa, onde tropeiros, fazendeiros, viajantes e religiosos guardavam seus pertences quando se dirigiam à região para realizar atividades comerciais, participar de reuniões, assistir às missas e deliberar sobre a criação de uma nova Freguesia. Desejavam desligar-se de Castro, em razão da distância e das dificuldades enfrentadas no então bairro de Ponta Grossa.
Associação Germânica de PG: mais um ano
A professora Isolde Maria Waldmann é historiadora, pesquisadora, escritora, membro da Associação Germânica dos Campos Gerais, Centro Cultural Prof. Faris Michaele e fundadora da cadeira 14 da Academia de Letras dos Campos Gerais.
