26 de junho de 2026

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Luz Elétrica e Progresso nos Campos Gerais


Por Carlos Mendes Fontes Neto Publicado 26/06/2026 às 00h00
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Guilherme Frey, operador da Usina Pitanguí, 1915

As primeiras vias de Ponta Grossa a receberem iluminação elétrica foram a Rua XV de Novembro, o Largo da Matriz, a Rua Augusto Ribas e a Avenida Dr. Vicente Machado. A eletrificação das residências ocorreu de forma lenta e gradual, pois os custos de instalação eram elevados e inacessíveis para grande parte da população.

A chegada da luz elétrica à cidade deu-se em 1904, quando o Cel. Ernesto Guimarães Vilela assinou contrato com a firma Guimarães & Erichsen, concedendo-lhe o direito de explorar o serviço de energia elétrica em Ponta Grossa.

A primeira usina, movida a vapor, foi instalada na Rua Ermelino de Leão, aproximadamente no local onde hoje se encontra a Copel. Entretanto, em pouco tempo sua capacidade tornou-se insuficiente para atender à crescente demanda, o que levou à construção de uma usina hidrelétrica no Rio Verde, nas proximidades do antigo matadouro municipal. Foi a primeira hidroelétrica construída no Paraná.

Como a empresa não dispunha dos recursos necessários para realizar os investimentos exigidos pela expansão do sistema, a concessão foi transferida para a firma Martins & Carvalho, que construiu uma nova usina no Rio Pitangui, ampliando a capacidade de geração de energia para a cidade.

Foi nessa empresa que Wilhelm Frey, nascido em Viena, na Áustria, e recém-chegado ao Brasil em 1910, iniciou sua atuação profissional. Ali colocou em prática e aperfeiçoou os conhecimentos técnicos que trouxera da Europa, especialmente na instalação e manutenção de redes elétricas urbanas, experiência que marcaria sua trajetória em Ponta Grossa.

Um fato que despertou minha curiosidade foi encontrar, entre os documentos de Wilhelm Frey, conhecido no Brasil como Guilherme Frey, alguns cartões-postais enviados da cidade de Piraí no ano de 1915. Pelo conteúdo das mensagens, tive a impressão de que ele estava na localidade realizando algum trabalho técnico.

Recentemente, para minha surpresa, encontrei uma referência que parece esclarecer essa questão. No livro Duas Vidas, da escritora Dalva Ferreira Fanchin, publicado em 1989, há um relato sobre a instalação da energia elétrica na então Villa de Pirahy. No capítulo VIII, a autora descreve a iniciativa de José Fanchin, que decidiu implantar uma usina elétrica com o auxílio do italiano Abílio Russi.

A participação de Guilherme Frey é confirmada pela transcrição da ata da Câmara Municipal intitulada “Sessão Especial de Inauguração da Luz Elétrica desta Vila”, de 10 de julho de 1915. O documento registra que Frey foi chamado para inspecionar a instalação do sistema elétrico, verificar suas condições de funcionamento e promover eventuais correções, permitindo, assim, sua aceitação oficial pela municipalidade.

O episódio evidencia a relevante participação dos imigrantes na construção dos Campos Gerais. Em Piraí do Sul, a iniciativa do italiano Abílio Russi e a expertise técnica do austríaco Guilherme Frey foram fundamentais para a implantação da energia elétrica, um avanço que impulsionou o desenvolvimento local e contribuiu para a consolidação da ocupação e do progresso regional nas primeiras décadas do século XX.

Escrito à mão_2026-06-24_174854
Cartão postal enviado para Piraí
Pirai
Vista da Villa de Pirahy, 1919 (Álbum do Paraná, 1920, acervo do autor)
Primeira igreja matriz e casa comercial de Miguel Queiroz, 1919. Album do Paraná de 1920.
A Villa de Pirahy, 1919: primeira Igreja Matriz e ao lado a Casa Comercial Miguel Queiroz (Álbum do Paraná, 1920, acervo do autor)
Câmara Municiopal e Forum.
Câmara Municipal e Forum da Villa de Pirahy, 1920 (acervo do autor).

* Carlos M. Fontes Neto é primeiro ocupante da cadeira 9 da Academia de Letras dos Campos Gerais e neto de Guilherme Frey. As fotografias que ilustram o texto são acervo do autor.

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