04 de junho de 2026

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A Renovadora Kiko e o“Fim” da Balduíno Taques


Por Redação Diário dos Campos Publicado 29/06/2025 às 11h02 Atualizado 25/02/2026 às 17h10
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Srs. Valter e Sebastião. Junto com o Sr. Jovildo formaram o trio de funcionários mais longevos da firma. Sebastião e Jovildo chegaram a gerentes.

Meu pai e minha mãe ficaram grávidos de mim no final de 1968, aos 18 anos. Ele, o Nino, filho do Kiko, dono da Borracharia no final da Balduíno Taques; ela, Karin, filha do holandês Jacobus van Wilpe, pecuarista e artista plástico. Eram ambos alunos exemplares da Academia (hoje SEPAM), onde se conheceram.

Na época, somente um outro aluno, Edson Pelissari, os rivalizava. Iam os três à rádio, desde o início dos anos 1960, participar de maratonas intelectuais, desafios de soletração, quizzes e jogos. Agora, quase formados em contabilidade, meus pais se viam às voltas com essa gravidez não planejada.

Quando soube, o velho Kiko não titubeou: meu pai teria que trabalhar para sustentar sua família. Foram morar em cima da firma, em um apartamentinho improvisado, e meu pai, o Nino, obrigado a trabalhar de sol a sol. Foi para esta casa que vim, da maternidade Santana, numa manhã gelada.

A recapadora no final da Balduíno Taques

Na rotina da recapadora, meu pai aprendeu o todo do ofício: como retirar o pneu furado de sua roda, ainda no pátio onde os caminhões paravam; como consertar a câmara de ar, tarefa para alguns funcionários mais velhos, como raspar o borrachão até chegar na estrutura do pneu, para depois colar o novo borrachão por cima e pôr no forno, onde a nova banda de rodagem seria cozida por algumas horas até fundir-se ao pneu.

Kiko fora um pioneiro, ainda nos anos 1950, ao lado de um americano que trouxera a tecnologia para essas paragens, um tal Sr. Billford, do qual não se tem notícia. No início recapeavam pneus de carros, mas a novidade não pegou. Os pneus de caminhão, no entanto, mantiveram a empresa funcionando por quase quarenta anos.

Preces maometanas

Nos anos 1970, faria parceria com um brasileiro convertido ao islamismo, conhecido como Kubitscheck, pela semelhança com o presidente. Quando começou a recapear pneus agrícolas, o Sr. K. trouxe consigo os filhos, também convertidos, tornando as preces maometanas, que ouvíamos lá de casa, algo tão normal quanto a missa de domingo.

A rua Riachuelo marcava a interrupção do calçamento de paralelepípedos, que subia desde a Avenida Vicente Machado: ir em frente era enfrentar poeira ou lama. Por muito tempo os caminhões paravam de atravessado em frente ao Kiko, quando o pátio enchia, pois havia pouco tráfego.

O avanço do comércio na Balduíno Taques

A presença constante dos caminhoneiros acabou atraindo o comércio para a área, e pioneiros do comércio fora do centro da cidade se estabeleceram, como o Bar Marieta, o bar do Sr. Gabriel, o Salão São José, a padaria dos Daher, a SOMTEL do compadre de meu pai, e a relojoaria recentemente fechada. A cidade crescia.

Quantas vezes atravessei a “oficina” de minha família, ao longo dos anos de infância! Passando pela montanha de lenha no pátio ao lado de casa, na Riachuelo, atravessava o inferno da caldeira que aquecia os fornos, transpunha as nuvens de borracha que subiam das raspadeiras, para dar um alô ao Nino ou ao Kiko, no caminho da escola ou da Biblioteca.

Modernização e separação

Nos anos 1980, sob o comando de meu pai, a empresa se modernizou. Foi construído um prédio para a caldeira nova, foram compradas novas máquinas, feitos planos de mudança para o Contorno…, mas era tarde. Meu pai e meu avô se separaram em 1989, Kiko tentou seguir sozinho, mas logo venderia a empresa e as edificações.

Meu pai nunca voltaria a estudar, mas faria bonita carreira gerencial em Castro e Curitiba. Dr. Edson Pelissari, se tornaria meu tutor e amigo pessoal durante os anos de faculdade. Eufrásio Pedroso, do Salão São José, cortaria os cabelos de cinco gerações dos Bach. Meu avô seria lembrado como o rei do jogo do bicho em Ponta Grossa, depois que comprou todas as bancas no final dos 1970 — mas essa é uma outra história.

(Para Ariel, Karin, Oscar, Rubio e todos os mortos queridos que o texto relembra).

Meu pai, Ariel de Castro Bach (1950-2025), o Nino e o autor, no poço da Chácara Pitangui, de Jacobus van Wilpe (1905-1986). Fotografia de 1969.
Meu avô Kiko (Oscar Arthur Bach), minha irmã e eu, em frente à borracharia.
Eufrásio Pedroso e o Salão São José, cerca 1970.

*Renato Van Wilpe Bach é médico, professor e escritor. É um pesquisador que, além de registrar a história familiar, procura resgatar memórias importantes da história de Ponta Grossa. Todas as fotos são acervo do autor.

Veja o local descrito neste artigo:

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Redação Diário dos Campos
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A Redação do Diário dos Campos é composta por uma equipe de jornalistas e colaboradores, que produzem conteúdo de qualidade, com foco especial em Ponta Grossa (PR) e região dos Campos Gerais. O DC foi fundado em 1907 como jornal impresso, e atualmente publica notícias em diferentes plataformas.