19 de junho de 2026

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Julia Wanderley


Por dmais Publicado 10/07/2014 às 13h39 Atualizado 23/02/2026 às 17h46
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Poucas ruas de Ponta Grossa tem nome de mulher. É fácil de se entender o por quê. A maioria das ruas, praças e edifícios públicos foram nomeados numa época em que os talentos femininos eram usados basicamente nos afazeres domésticos. As mulheres não tinham oportunidade de se destacar em atividades públicas. As pioneiras fizeram surgir as oportunidades, conquistando espaços exclusivos dos homens. Uma delas tem seu nome eternizado em ruas e escolas de várias cidades do Paraná. Seu nome: Julia Wanderley.

Julia nasceu em Ponta Grossa em 1874. Ainda pequena, mudou-se com sua família para Curitiba. Seu pai era pintor e foi um dos decoradores da Catedral de Curitiba. Ela começou seus estudos com professores particulares e continuou em colégios da capital. Em 1890 pediu ao governo estadual permissão para cursar a Escola Normal, frequentada exclusivamente por homens. Enfrentando preconceitos contra as iniciativas feministas, conquistou sua vaga e ainda liderou um movimento pela inclusão de outras mulheres. Escreveu sobre vários assuntos relacionados à educação e aos problemas sociais. Seus artigos foram publicados em jornais de Curitiba, como o Operário Livre e O Artista. Muitos desses artigos foram assinados com o pseudônimo de Augusta de Souza. Julia foi a primeira mulher nomeada pelo governo do Paraná para exercer o magistério. Em 1894 assumiu a direção da Escola Tiradentes, primeira escola de ensino complementar de segundo grau do estado, criada por iniciativa da Associação Comercial do Paraná. Durante 25 anos, Julia Wanderley dedicou-se ao magistério. Segundo seus biógrafos, com excepcional dedicação e notável competência. Do marido Frederico herdou o sobrenome Petrich. Com seu pioneirismo e dedicação, essa pontagrossense deixou seu nome na história. História que ela mesma ajuda a contar através de suas fotos. Sim, a professora Julia era também fotógrafa. Registrou temas da sociedade paranaense, imagens do seu cotidiano, do povo, de costumes e eventos. Uma coleção de suas fotos faz parte do acervo da Fundação de Cultura de Curitiba. Julia Augusta de Souza Wanderley Petrich morreu em 1918.


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