13 de julho de 2026

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SOU DE ORIGEM POBRE


Por dmais Publicado 30/01/2017 às 20h12 Atualizado 23/02/2026 às 19h04
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Em todos estes anos de sala de aula e de consultoria, ouvi muitas vezes essa frase. Conheci histórias de vida impressionantes de pessoas que você nem imagina que passaram por tanta dificuldade. Mas que ao final venceram e superaram todas as barreiras sociais, culturais e financeiras.

No Brasil, infelizmente, ainda vivemos em um cenário de desigualdade de oportunidades, pois a pobreza ainda é muito acentuada por todo o país, assim como a diferença de renda entre os mais ricos e os mais pobres. Dessa forma uma boa parcela da população fica à mercê dos serviços públicos, que não tem conseguido entregar a qualidade necessária para fazer valer todos os tributos que o cidadão paga.

Os serviços públicos de ensino, saúde, segurança, habitação, trabalho e todas as outras variáveis da coisa pública estão sucateadas e oferecem serviços péssimos à população de mais baixa renda, que depende deles.

SERVIÇOS PRIVADOS

Enquanto isso a população mais abastada contrata serviços privados melhores nessas áreas, dando para seus filhos e familiares oportunidades melhores na vida. E eles estão certos. A culpa não é deles, mas sim dos governos que não conseguem ter eficiência e competência para oferecer serviços de boa qualidade para toda a população. Ricos e pobres.

O problema é que esse quadro acentua ainda mais as desigualdades, pois a preparação de um jovem estudante das classes A e B+ é muito superior à de um jovem das classes D e E. Assim os jovens de origem pobre precisam trilhar um caminho muito mais longo e cheio de obstáculos para alcançar o sucesso profissional e social.

Fica difícil. Fica muito difícil.  Assim vemos filhos de médicos tornando-se médicos. Filhos de dentistas tornando-se dentistas e filhos de advogados tornando-se advogados.

COMO QUEBRAR A CORRENTE?

No Brasil a ascensão social dos mais pobres tem sido proporcionada quase que exclusivamente pelo esporte e pela arte (para aqueles que nasceram com aptidão) e pela educação (para aqueles que tem perseverança de ir até o fim).

Nunca vi nos meios acadêmicos qualquer questionamento sobre a origem de uma pessoa quando esta defende uma tese de doutorado, ou seja, apesar de todas as dificuldades para os mais humildes, um pobre com título de doutor deixa de ser um pobre. Um favelado com mestrado deixa de ser um favelado. Passam a ser um foco de oportunidades.

A questão que se apresenta é: como mostrar aos jovens que estão lá naquela escola pública, naquele bairro violento, naquela comunidade sem estrutura de saúde, transporte e saneamento, naquela família desestruturada, que eles precisam perseverar e ir até o fim da sua formação e do seu desenvolvimento humano?

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