05 de julho de 2026

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência no portal e personalizar a publicidade exibida. Ao continuar navegando, você concorda com este monitoramento. Leia mais na nossa Política de privacidade.

Artigo: Dias cinzentos pedem uma revolução ética e solidária


Por Mário Sérgio de Melo* Publicado 10/09/2024 às 18h34 Atualizado 26/02/2026 às 00h07
Ouvir: 00:00
Foto: José Aldinan / DCmais

A chegada a Ponta Grossa, vindo de Curitiba, quando se alcança o Distrito Industrial, cinco quilômetros antes da cidade, proporciona uma bela visão da silhueta urbana, que se alteia sobre o horizonte de colinas suaves dos Campos Gerais. Uma visão que já inspirou muitos viajantes, de hoje e de antigamente, a traduzir em belas palavras o sentimento de acolhida e de boas-vindas daqueles que divisam a Princesa dos Campos, seja ela o lar ou uma passagem de um percurso maior.

Mas neste último sábado, 7 de setembro de 2024, o sentimento de alegria do retorno ao generoso lar foi-nos substituído por outro: de desolação, de preocupação. Quase não se via a silhueta da cidade, embaçada pela densa e esbranquiçada névoa seca, um eufemismo para a fumaça vinda das insanas queimadas na Amazônia e no Pantanal. Que paradoxo! Os chamados “rios voadores”, que trazem a umidade da Amazônia para dessedentar e fertilizar o Sul e Sudeste do Brasil, agora traz fumaça! Junto com massas de ar quente e seco, que subvertem a normalidade climática.

O impacto visual não chega sozinho: a água da pífia chuva da semana anterior, que coletamos no quintal, que escorreu pelos telhados, ficou enegrecida com a fuligem finíssima depositada pela névoa seca; a população é acometida de um surto de doenças respiratórias, e já não se encontram umidificadores nas lojas especializadas; os agricultores anunciam colheitas antecipadas e perda de safras; o preço de alguns produtos, tais como açúcar, feijão e carne, ficam mais caros em consequência das queimadas e da seca; a tarifa da energia elétrica sobe para o vermelho, pelo imperativo de ativar as caras e poluentes termelétricas…

Estaremos já vivendo a anunciado apocalipse, resultante da desmedida incúria humana, que incendeia as florestas que são a fonte da vitalidade de grande parte do Brasil? E estes sinais ambientais de nossa insensatez vêm acompanhados de outros: o endeusamento do dinheiro e do mercado; a mentira mais crível que a verdade; o egoísmo suplantando a solidariedade; a tolerância cedendo aos extremismos; as guerras de extermínio e de dominação; a boçalidade de homens e mulheres candidatos a parlamentares; a falência da democracia representativa transformada em plutocracia; os milhões de refugiados da fome e da violência mundo afora…

Vivemos um momento em que a barbárie está superando a civilização. Urge uma mudança drástica, uma revolução, antes que a espécie humana cometa sua autoextinção e a devastação das condições da Terra suportar a vida. Não é uma revolução nos sistemas políticos, econômicos ou sociais. Estes são só o espelho da conduta humana. A revolução inadiável é no comportamento humano. Se lograrmos transformá-lo, tudo se beneficiará. Sim, somos seres muito complexos. Convivem em nosso íntimo contraditórios impulsos de destruição e de construção, de competição e de solidariedade, de violência e de paz, de cupidez e de generosidade. É a hora de escolhermos os impulsos construtivos, amorosos.
A engenhosidade da humanidade é caprichosa: ela pode criar novas plantas alimentícias, curar doenças, enviar-nos à Lua, ou pode dizimar-nos numa guerra nuclear, deteriorar as águas, os solos, o clima… Dilemas que precisam ser resolvidos com ética, com solidariedade.

Ou não será possível reverter a catástrofe que estamos cultivando.

*O autor é geólogo, professor aposentado do Departamento de Geociências da UEPG

Participe do grupo e receba as principais notícias da sua região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Artigos

A reforma tributária e um novo cenário para o varejo nos shopping centers

Publicado 03/07/2026 às 00h00

A reforma tributária brasileira costuma ser analisada sob a ótica da arrecadação e da simplificação de impostos. No entanto, seus…


A reforma tributária brasileira costuma ser analisada sob a ótica da arrecadação e da simplificação de impostos. No entanto, seus…

Artigos

O falso alerta da Defesa Civil e afragilidade da confiança digital

Publicado 30/06/2026 às 00h00

Na madrugada do último dia 20, um sábado, milhões de brasileiros foram surpreendidos por um alerta extremo da Defesa Civil…


Na madrugada do último dia 20, um sábado, milhões de brasileiros foram surpreendidos por um alerta extremo da Defesa Civil…

Artigos

A tecnologia avança. A liderança acompanha?

Publicado 26/06/2026 às 00h00

A tecnologia evoluiu em velocidade exponencial, mas o desenvolvimento humano nem sempre acompanhou esse ritmo. Enquanto empresas automatizam processos, aceleram…


A tecnologia evoluiu em velocidade exponencial, mas o desenvolvimento humano nem sempre acompanhou esse ritmo. Enquanto empresas automatizam processos, aceleram…