17 de junho de 2026

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DC entrevista o Dr. Mário Montemór Netto e Prof. Nelson Canabarro


Por Cícero Goytacaz Publicado 17/06/2026 às 14h42
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Foto: Levi Cantelmo

O Diário dos Campos entrevistou, nesta quarta-feira (17), os diretores de Saúde e de Captação da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), Dr. Mário Montemór Netto e Nelson Canabarro, que alertaram sobre os problemas enfrentados por gestores de hospitais filantrópicos em PG. Trata-se de um problema que vai além da escala regional, sendo um desafio enfrentado nacionalmente pelos hospitais filantrópicos brasileiros.

Modelos de gestão de hospitais

Canabarro explicou sobre os modelos de gestão de hospitais: “Temos basicamente três modelos: 100% público, como o Regional, custeado pelo Goiverno. Esses não vão ter déficit ou superávit por conta do modelo de financiamento; na outra extremidade, os hospitais particulares, que vivem dos convênios e serviços particulares, mas não atendem pelo SUS; e no meio disso tudo temos os filantrópicos, como a Santa Casa e o Bom Jesus de Ponta Grossa, que não visam o lucro e precisam ter um selo chamado CEBAS (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social)”.

“Um dos itens exigido pelo selo é ter pelo menos 60% do volume de atendimento para o SUS. Entre as vatagens de ser filantrópico, está a imunidade aos impostos”, acrescentou.

Defasagem da tabela SUS

Durante a entrevista, eles explicaram as dificuldades enfrentadas e atribuíram a situação à defasagem da tabela SUS, que não é atualizada há anos e faz com que a conta não feche para manter profissionais e atender toda a demanda de pacientes. A perspectiva é preocupante para os próximos anos nesse cenário.

“Como a tabela SUS há mais de vinte anos ela não é atualizada, acaba que os serviços prestados para o SUS geram, a cada a cada evento, um problema financeiro porque há uma defasagem pro custo atual dos procedimentos”, explicou Canabarro.

“A tabela SUS assim houve um pequeno reajuste em 2013 e desde 2024 há conversas no Ministério da Saúde sobre reajustes, mas se a gente for dar exemplos básicos e simples de qual é a defasagem que existe entre o custo de um procedimento, de uma consulta médica, vai de 600% até 17.000%, que a tabela SUS não paga. Então uma consulta médica do SUS é R$ 10, se você imaginar o valor básico aí de uma consulta, tem que pagar pelo menos uns R$ 70 para um colega médico trabalhar de maneira digna”, detalhou Montemór Netto.

Como resolver o problema?

As medidas para solucionar o problema dos hospitais filantrópicos de PG ainda estão no campo das ideias. Contudo, Montemór Netto e Canabarro tratara de uma ideia enviada ao Governador do Paraná, Ratinho Junior, semelhante ao SUS Paulista, onde o Estado de São Paulo compensa a defasagem da tabela SUS.

“Em São Paulo, eles fazem de forma linear um aporte de cinco vezes ou 500% sobre o repasse do SUS. Então em cada procedimento feito num hospital filantrópico, o governo do Estado faz uma complementação da tabela SUS. Não é isso que deveria acontecer na prática, mas o governo entendeu o seguinte: se as estruturas filantrópicas não conseguirem mais funcionar, o custo para que o próprio governo assuma e oferte esse serviço para a população ia ser insustentável, muito superior do que fazer a complementação dos valores. Dessa forma, zerou o déficit mensal desses hospitais”, explicou Canabarro. “O Paraná tem condições para fazer o mesmo”, complementou Montemór Netto.

Os diretores também reforçaram a necessidade de enfrentar e buscar soluções para esses problemas antes das eleições deste ano, uma vez que o apoio dos representantes e dos poderes do Estado é fundamental para solucionar isso tudo e evitar a quebra dos hospitais filantrópicos.

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Cícero Goytacaz
Cícero Goytacaz

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2022, repórter de Política do Diário dos Campos. Tem experiência com redação de jornal impresso, sites de notícias, rádio esportivo e transmissões de futebol. Atuou como repórter setorista do Operário Ferroviário Esporte Clube.