Campanha da Fraternidade 2026 destaca direito à moradia digna


Por Edilene Santos
CD_ES_Morador de Rua_Ponta Grossa (10)

Homem dorme na Praça Barão do Rio Branco / Foto: Edilene Santos

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Homem dorme na Praça Barão do Rio Branco / Foto: Edilene Santos

O bispo da Diocese de Ponta Grossa, dom Bruno Elizeu Versari, destacou a preocupação da Igreja Católica com as pessoas em situação de rua e as que vivem em casas irregulares, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, nessa Quarta-feira de Cinzas (18). Neste ano, a campanha traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), convidando as comunidades a refletir sobre a moradia como expressão da fé e da dignidade humana.

Ao lado do coordenador diocesano da Ação Evangelizadora, padre Joel Nalepa, e da coordenadora diocesana da Campanha da Fraternidade, Márcia Simões, o bispo recebeu a imprensa pela manhã. Ao responder a uma pergunta feita pelo Diário dos Campos, dom Bruno lembrou que, no Natal do ano passado, a Diocese promoveu um almoço para as pessoas em situação de rua da cidade e ficou surpreso com a “multidão” que apareceu. “Ponta Grossa tem muita gente que mora na rua. Além disso, tem uma realidade de casas irregulares. Moradia digna traz segurança e qualidade de vida”, afirmou.

Durante a abertura, dom Bruno apresentou dados do déficit habitacional do Brasil. “Aumentou o número de habitantes nas cidades e nem todos conseguem um lugar digno para morar. Nesse contexto, aumenta o número de pessoas que moram na rua”, disse, reforçando que seis milhões de brasileiros não têm moradia, o equivalente a 8,3% da população.

O bispo explicou que a Campanha da Fraternidade, realizada durante o período da Quaresma, integra um dos três pilares desse tempo litúrgico de 40 dias que antecede a Páscoa. Com um tema sempre relacionado à realidade social, a Campanha expressa o chamado à caridade, enquanto a oração e o jejum completam esse tripé espiritual.

Ações nas comunidades

Neste período, as paróquias da região da Diocese são convidadas a refletir sobre o tema da moradia e buscar ações concretas, como a promoção de rodas de conversa sobre a realidade habitacional local e ações solidárias voltadas às famílias em situação de vulnerabilidade. “Até realizar pequenas reformas e construções e organizar a regularização de terrenos, com o apoio da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]”, listou Márcia. “Nosso objetivo é ir além do assistencialismo para uma ação transformadora”, completou o padre Joel.

O sacerdote explicou que ápice da Campanha da Fraternidade será a coleta de dinheiro no Domingo de Ramos. Do total arrecadado no dia 29 de março, 40% irão para o Fundo Nacional de Caridade, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e outros 60% serão aplicados em ações da Diocese. Para isso, durante a Quaresma, serão realizados estudos e projetos para o setor de moradia e, ao final, será elaborado um edital para beneficiar as pessoas que mais necessitam.

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