17 de julho de 2026

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência no portal e personalizar a publicidade exibida. Ao continuar navegando, você concorda com este monitoramento. Leia mais na nossa Política de privacidade.

Vagão de transporte de valores vira sucata em Ponta Grossa


Por Danilo Kossoski Publicado 25/05/2025 às 10h10 Atualizado 25/02/2026 às 18h16
Ouvir: 00:00
Vagão pagador, em antigo pátio da RFFSA, em Ponta Grossa
Foto: José Aldinan / Diário dos Campos

A história do desenvolvimento de Ponta Grossa está intimamente ligada à chegada e utilização das ferrovias. Durante décadas, era através dos trilhos que ocorria a movimentação de pessoas e produtos. Um dos principais pontos de referência dessa história é o antigo pátio da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), que ficava no Bairro Oficinas. O local atualmente está sem utilização. Entre uma pauta e outra, o fotógrafo do Diário dos Campos, José Aldinan, flagrou ali um vagão diferente.

O vagão possui grades em suas janelas e, mesmo danificado pela ação do tempo e de um dos incêndios ocorridos no local, ainda guarda características singulares. “Seria para o transporte de detentos entre uma prisão e outra?” Foi a pergunta que surgiu na redação do DC, composta por uma equipe que, em sua maioria, não viveu os tempos de viagem de trem. Na verdade, trata-se de um “vagão pagador”.

Foto: José Aldinan / DC

O vagão pagador

Quem respondeu à questão foi Ariel Albach. O ponta-grossense conhece bem o modelo do vagão. E não é à toa. Albach trabalhou nas ferrovias, em diferentes funções. Segundo ele, esse era um tipo de vagão ferroviário utilizado para transportar dinheiro destinado ao pagamento de funcionários das ferrovias e outras operações financeiras. Esses vagões eram fortemente protegidos, já que carregavam grandes quantias em espécie. O uso deles foi, inclusive, tema do clássico filme “O assalto ao Trem Pagador” (1962).

“Ele foi mais utilizado, provavelmente, até 1985. Depois, de 1992 a 1995, quando o transporte de valores passou a ser feito de outra forma, esse vagão passou a transportar diversos outros tipos de materiais”, contou Albach à reportagem do DC.

Incêndio atingiu vagão pagador recentemente – Foto: José Aldinan / Diário dos Campos

Manutenção de vagões

Ariel Albach trabalhou na RFFSA a partir de 1985, e recorda que esse vagão quase já não era mais usado. O ticket-refeição e o vale-transporte dos funcionários, antes transportado pelo vagão pagador, passou a ser levado por empresa terceirizada àquela época. Ele sabe disso porque fazia a manutenção de vagões.

“Estudei marcenaria no Senai e entrei na [área de] marcenaria na oficina de reparação de vagões. Reformava vagões iguais a esse. Depois fui pintor de vagão e locomotiva. Passei em concurso interno e atuei como segurança patrimonial nos trechos Uvaranas-Arapoti, Uvaranas-Reserva, Uvaranas-Guarapuava e Uvaranas-Curitiba”, diz Albach, recordando sua atuação na ferrovia, que se encerrou em 1999.

Hoje ele é pesquisador e entusiasta da preservação da história das ferrovias. Todo ano, ele se reúne com os antigos colegas de trabalho em dois momentos: em abril (pelo Dia do Ferroviário) e em setembro (em comemoração ao início dos trabalhos da RFFSA).

Outros vagões acumulam mato e ferrugem no antigo espaço de manobras – Foto: José Aldinan / DC

Metal do vagão deve ser reciclado

Atualmente, a gestão das ferrovias que cortam a região dos Campos Gerais está a cargo da concessionária RUMO Logística S.A.. A reportagem do DC contatou a empresa para saber qual deve ser o destino do vagão pagador, que permanece no pátio da oficina, como que esperando manutenção.

Em nota, a assessoria de imprensa da concessionária informou que “não tem informações detalhadas do vagão, já que diversos pertenciam à Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). Com a extinção do contrato de arrendamento, esses bens estão sendo reciclados”.

Confira o local desta reportagem:

Participe do grupo e receba as principais notícias da sua região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.