Perfil: Emanuel Sansana e a união de histórias e paisagens

De um episódio de depressão evoluiu o trabalho de Emanuel Sansana em artes plásticas. Era o ano 2019, e ele passava por um momento tenso de sua vida quando seu pai disse: “você gostava tanto de desenhar quando criança. Por que não compra um material de pintura, e o primeiro quadro que você fizer, eu compro”. “Nada disso, quem vai comprar sou eu”, retrucou a mãe de Emanuel. Os traços agradaram a todos. A mãe de Emanuel “arrematou” a obra, e ele ganhou a certeza de ter encontrado o que gostava de fazer: arte.
União de culturas
Nascido em Ponta Grossa, Emanuel Sansana vive desde criança no Bairro Oficinas. Por parte de pai, é descendente de portugueses; por parte de mãe, descende de indígenas. Coincidentemente, a mesma mistura que fez surgir alguns dos primeiros brasileiros. Talvez por isso, muitas de suas obras têm relação com história e paisagens naturais. É como um constante encontro da cultura portuguesa com a cultura ancestral indígena.
A trajetória
Agora, aos 39 anos, ele recorda que deu uma grande volta até chegar à atuação como artista. Cursou o ensino médio do antigo Cefet (atual UTFPR), se formou em Administração pela UEPG em 2007, e depois em Teologia, segmento no qual também fez mestrado. Também se formou em Capelania – prestando assistência a pessoas enlutadas ou hospitalizadas. Tudo isso convergiu para seu trabalho como pastor auxiliar na Igreja Cristã Raiz de Davi.
Artista sempre
Se a espiritualidade tem espaço importante em sua vida, a arte foi ganhando força de forma paralela. Dedicou-se à guitarra na adolescência, praticou canto, criou um canal no Youtube. Se uniu a amigos na banda Via Vertical.
“Percebi que sou artista. De uma forma ou de outra, sempre estou tentando criar algo, desde pequeno, quando desmontava um relógio, tentava montar de novo e criava um robô”, diz. Ao focar na pintura com tinta acrílica sobre tela, notou que seu trabalho era bem aceito para além de seu núcleo familiar. Fotografou suas pinturas e publicou no Instagram.
Nova Iorque
Ao final de 2019 ele já tinha material suficiente para uma exposição presencial, mas a pandemia atrasou os planos. Um anúncio de galeria em Nova Iorque, no Facebook, abriu portas para a inscrição em uma exposição internacional online, a “The People’s Choice”, na qual conquistou prêmios. “Fiquei entre as 20 obras escolhidas, entre mais de 300 candidatos de 40 países”, recorda.
A partir de então, ele conquistou apoio da Prefeitura, recebeu três moções de aplauso na Câmara Municipal e decidiu ver a arte como carreira. Hoje ele divide seu tempo como artista entre as pinturas em tela e a música que toca na igreja.
O trabalho
Agora também trabalha com pinturas sob encomenda, incluindo arte em tempo real durante casamentos. Expõe em cidades vizinhas como Castro, conta com apoiadores com a Papelaria GGPEL e a Galeria Fora de Série, que representa suas obras no Rio de Janeiro.
“São interessantes os desafios que vêm com a carreira: como criar CNPJ, abrir empresa, organizar algo que era só uma terapia, uma válvula de escape, e se tornou profissão que tenho levado a sério”. Para ele, a pintura não é uma “arte das massas”, mas o trabalho vai furando a bolha e conquistando um público, inclusive mais jovem, tendo o Instagram como canal de divulgação.
Os temas
O foco principal de suas obras são as belezas da região, as paisagens que retratam cenários únicos, e permeados de um pouco de história regional. O movimento do tropeirismo é um desses temas recorrentes. A taça de Vila Velha e o Parque Buraco do Padre também já foram inspiração, assim como a Estação Paraná e a Estação Saudade. Para este ano, pretende fazer mais uma tela homenageando a cidade, por ocasião de seu aniversário de 202 anos, em setembro.
Princesa em Festa
Este texto inaugura a participação do Diário dos Campos na Gincana Princesa em Festa 2025. O DC está inscrito no item 144, categoria PG Cult e Criativa: “Escrever e ilustrar a história de 5 importantes ponta-grossenses”.
Conheça o trabalho do artista:







