Morre pesquisador de PG que inventou o ‘estômago artificial’

Faleceu nesta quarta-feira (27), aos 66 anos, o professor Amauri do Nascimento. O pesquisador atuou no Colégio Agrícola Augusto Ribas, na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), de 1992 a 2017. Nessa quarta, a Instituição lamentou a partida do estudioso do setor de Engenharia de Materiais, que inventou e patenteou o Dispositivo Farmacêutico 1 (DF1); equipamento apelidado de “estômago artificial”.
Inventor do estômago artificial
“Meu sonho sempre foi diminuir a dor e o sofrimento; seja ele humano, seja ele animal”. Disse o professor Amauri do Nascimento ao iniciar a apresentação do equipamento ao qual dedicou mais de uma década de estudos, em março de 2020.
Amauri tinha total entusiasmo pela máquina. O aparelho simula o funcionamento do trato digestório (daí o apelido “estômago artificial”) e tem como um de seus principais benefícios a redução do uso de cobaias vivas em pesquisas científicas.

O equipamento permite diminuir o uso de animais em pesquisas com fármacos (substâncias químicas que são os princípios ativos dos medicamentos). O item também pode ser adaptado para outros tipos de pesquisas que necessitam de um ambiente que simule o trato digestório.
Legado
O professor Miguel Sanches Neto, reitor da UEPG, destacou o legado de inovação deixado por Amauri e seu envolvimento na revitalização da Agência de Inovação e Propriedade Intelectual (Agipi). “Foi um professor exemplar, muito dedicado e que mesmo depois de aposentado continuou desenvolvendo pesquisas. Um visionário, uma pessoa que sempre pensava no outro e que deixa um legado para o magistério e para a inovação”.
A aposentadoria
Desde 2010, Amauri trabalhou de forma próxima ao professor Benjamin de Melo Carvalho, primeiro na Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação e depois em outros projetos. “Durante o tempo em que trabalhamos juntos, desenvolvemos uma grande amizade e relação de muita confiança”, conta. Para viabilizar o desenvolvimento do DF1, trabalharam juntos na elaboração da patente e na construção do equipamento, viabilizado por meio de um projeto aprovado pela Justiça Federal e Ministério Público Federal. “Mesmo aposentado, o Amauri continuava muito ativo e entusiasmado com as possibilidades de pesquisas e negócios gerados pelo estômago artificial.
Presidente do Rotary
O professor era, ainda, presidente do Rotary Clube Ponta Grossa Alagados na gestão 2024-2025. Essa era outra de suas paixões. “Tive o privilégio de poder trabalhar com o Amauri na coordenação do projeto das face shields, num grande esforço de um significativo grupo de ‘makers’ que se envolvera na produção e doação das face shields durante a pandemia de Covid-19. O Amauri, inclusive, conseguiu o apoio do Rotary no início do projeto”, conta Carvalho. A entidade publicou nota de pesar, em que destacou sua dedicação ao servir, generosidade e amizade. “Sua partida deixa um vazio irreparável, mas seu legado continuará a inspirar todos nós”, enfatiza a nota do Rotary.
