‘Jornalismo e é sinônimo de Paixão’, diz Nilson Monteiro

O jornalista e escritor Nilson Monteiro, membro da Academia Paranaense de Letras, lançou nesta semana, em Ponta Grossa, na Estação Saudade seu mais novo livro, “Jornalismo se escreve com seis letras: PAIXÃO”. O livro é uma coletânea de matérias publicadas em jornais e revistas nos quais o autor trabalhou durante mais de 50 anos de profissão.
O livro, segundo o autor, é uma espécie de “linha do tempo” iniciada nos anos 1970, em Londrina, no começo de sua trajetória profissional, passando por várias fases em inúmeros veículos de comunicação, tanto paranaenses como nacionais, com notícias, entrevistas e outras produções jornalísticas. O texto “traz, além de seu tema central, o contexto político, econômico e social de cada época”.
Monteiro, que publica seu 19° livro, dos quais dez de literatura, deixa claro que “é apenas um livro autoral, textos escolhidos em meio a uma montanha produzida em meio século nas ruas e nas Redações. São mostras de abordagens, enfoques e inúmeras formas e estilos ao apresentar diferentes temas”.
Não há, segundo ele, nenhuma pretensão didática, professoral, mas a experiência de quem “se acostumou a batucar teclas e ajuntar palavras, sons e imagens para contar fatos, alegrias, dores e sonhos espalhados pelo dia a dia das pessoas. E tudo isso respeitando os aspectos imprescindíveis ao jornalismo (captação, elaboração e transmissão de notícias, reportagens, entrevistas, relatos etc.), mas sobretudo com paixão”.
Ele explica por que esse “condimento especial” em sua profissão: “O jornalismo, além de preceitos técnicos, pede percepção, dúvida, curiosidade, instinto, comprometimento, criatividade, tato, talento, uma certa dose de loucura, coragem, independência, desprendimento… Enfim, um sem-número de atributos, emoções e razões que se afunilam em paixão. Sem paixão, não há jornalismo. Ponto.”, resume.
Ele enfatiza que a publicação do livro possibilita que se reflita sobre diversos aspectos da Comunicação, como, por exemplo, o futuro da mídia impressa. “O que será dos jornais e revistas diante dos desafios atuais? Comecei com a nostálgica Lexikon 80, sentando os dedos com força nas teclas, me acostumei ao teclado quase silencioso dos computadores e deparo-me atualmente com a insensibilidade, o distanciamento e as invencionices da Inteligência Artificial. E agora? O jornalismo profissional acabou ou perdeu importância com a comunicação instantânea das redes sociais?”
“Jornalismo se escreve com seis letras: PAIXÃO”, de acordo com o autor. Não aprofunda questionamentos dessa ordem, “mas apenas e tão somente mostra como escrevi (e continuo a escrever) em todas as etapas de minha vida profissional. Os fatos são fatos, devem ser apurados até os ossos e as palavras são sagradas, têm alma. Elas comunicam os fatos e afloram sentimentos. Para jornalistas, escrever bem é uma obrigação. Sempre busquei isso. Se consegui, são outros quinhentos”.
Quem é Nilson Monteiro
Jornalista há 53 anos e escritor. Trabalhou tanto na mídia impressa paranaense (Novo Jornal, Folha de Londrina, Panorama e O Estado do Paraná, entre outros) como nacional (Gazeta Mercantil, O Estado de S. Paulo e revista IstoÉ, entre outros), em emissoras de rádio e TV, e igualmente em assessorias de imprensa.
Tem 19 livros publicados: romances, livros de crônicas, livros de poesia, assim como livros de história. Entre esses, “Pedaços de muita vida”, sobre os 122 anos da ACP, e “Livro Aberto, sobre 160 anos da Biblioteca Pública do Paraná”.
Também escreveu biografias de empresários, como Miguel Zattar, Ricardo Lunardelli e Joanir Zonta. Entre livros institucionais escreveu “Itaipu, a Luz”, considerado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial como o Melhor Livro Empresarial de 2001. Escreveu igualmente sobre a Ferroeste, Sebrae, Fevarejista e Fundação Copel. Ocupa, desde 2014, a cadeira número 28 da Academia Paranaense de Letras. (com assessorias)
*Nota do editor: na quinta-feira (14), Nilson Monteiro esteve na redação do Diário dos Campos, onde conversou com os profissionais sobre a rotina atual e os futuros possíveis para o jornalismo. Durante pelo menos duas horas, os desafios da comunicação contemporânea, envolvendo IA, mensagens instantâneas, velocidade da informação e experiência em escrita foram alvo de debates.


