Inédito: Sanepar usa Aquífero Furnas para reduzir falta d’água em PG

Em 60 de história no Paraná, é a primeira vez que a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) utiliza o Aquífero Furnas para abastecer Ponta Grossa. O poço de captação já estava perfurado, mas nunca tinha sido usado. A água do local começou a ser bombeada no último domingo (23), segundo informou a Companhia ao Diário dos Campos, e fica dentro da captação do Rio Pitangui que, por sua vez, está localizado no Aquífero de Furnas. A utilização do poço deve ajudar a amenizar a crise hídrica que começou há pelo menos dez dias.
O geólogo e professor aposentado do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Mário Sérgio de Melo, informou ao DC que, tanto o Aquífero Furnas quanto o Itararé, “são potenciais bons produtores de água” e mais eficientes se comparados aos mananciais de onde sai a água que abastece a cidade. “Os poços podem ser perfurados no local de consumo, dispensam redes de distribuição; a água é de boa qualidade, amiúde classificada como ‘água mineral natural’, dispensa tratamento; são reservatórios subterrâneos acumulados ao longo de milênios, não dependem da chuva num dado momento”, explica. A falta de chuva, o calor acima da média e o aumento no consumo são os argumentos da Sanepar para o problema da falta d’água. Por outro lado, ele lembra que os aquíferos têm uma vulnerabilidade: não podem ser poluídos.
Sistema dispendioso e complexo
Segundo Mário Sérgio, a cidade – e a Sanepar – insistem em um serviço de distribuição dispendioso e complexo. “As redes de distribuição são cada vez mais complexas e sujeitas a problemas”, comenta o professor.
Nesta segunda-feira (24), durante sabatina na Câmara de Vereadores, a gerente regional da Companhia, Simone Alvarenga, falou sobre a captação no Rio Tibagi – uma obra de mais de R$ 200 milhões – que irá trazer a água margeando a BR-376 até chegar à estação do Jardim Carvalho. Ela mesma reconheceu que se trata de um trabalho de engenharia bastante criterioso. A obra deve ser licitada no segundo semestre e iniciada em 2026.
