Fósseis de 390 milhões de anos são encontrados em obra de Ponta Grossa


Por Vitor Carvalho
Fóssil3 (1)

Foto: NASOR - Paleontologia e Geologia

Fóssil3 (1)
Foto: NASOR - Paleontologia e Geologia

Durante as obras de implantação da Linha de Transmissão (LT) Ananaí 500 kV Ponta Grossa – Assis, foram encontradas 2.655 amostras de fósseis, que datam de até 390 milhões de anos atrás. A coleta ocorreu por meio de um Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico da TAESA, um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil.

O acervo científico reúne vestígios de formas de vida que habitaram a Terra há centenas de milhões de anos, em períodos anteriores ao surgimento dos dinossauros. O projeto foi pensado preventivamente para atravessar cinco formações geológicas com reconhecido potencial fossilífero, como Furnas, Ponta Grossa, Teresina, Rio do Rasto e Botucatu.

Com uma extensão de 275 quilômetros e 581 torres instaladas, o traçado da linha intercepta 13 municípios dos estados do Paraná e São Paulo. No Brasil, os fósseis são legalmente protegidos como bens da União e patrimônio cultural, exigindo tratamento técnico especializado quando interceptados por obras de infraestrutura.

Foto: NASOR – Paleontologia e Geologia

Descobertas científicas de destaque

As atividades de campo ocorreram entre abril de 2025 e janeiro de 2026, com foco especial nas escavações de fundações de torres e demais intervenções no solo. O material resgatado reconstrói ecossistemas marinhos e continentais do Período Devoniano (cerca de 390 milhões de anos atrás) e do Período Permiano (270 milhões de anos atrás):

“A experiência na LT Ponta Grossa – Assis demonstra que a paleontologia preventiva vai muito além do cumprimento de uma exigência regulatória. Trata-se de um compromisso real com a preservação do patrimônio científico e com a devolução desse conhecimento para a sociedade”, afirma Henrique Zimmermann Tomassi, paleontólogo responsável pelo projeto executado em parceria entre a TAESA com a NASOR Paleontologia e Geologia.

Educação patrimonial

Mais do que salvaguardar os fósseis de forma definitiva, a TAESA, a MRS Ambiental e a NASOR promoveram um amplo programa de capacitação e sensibilização social. “Foram realizados mais de seis eventos de Educação Patrimonial voltados a museus, escolas e prefeituras locais nas cidades por onde passa a linha. Adicionalmente, mais de 200 colaboradores que atuavam nos canteiros de obras foram treinados para reconhecer indícios fossilíferos, transformando a rotina da engenharia em uma oportunidade de aprendizado coletivo”, diz Mark Bermanzon, Analista Ambiental na TAESA.

“O sucesso da execução do Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico na LT Ananaí posiciona o empreendimento como um caso de referência técnica de sucesso para o setor de transmissão de energia no país, provando que é possível conciliar o desenvolvimento da infraestrutura elétrica com o respeito e a valorização da memória natural do planeta”, complementa Valéria Moreno, Coordenadora de Meio Ambiente na TAESA. (Com informações da assessoria)

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