01 de julho de 2026

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência no portal e personalizar a publicidade exibida. Ao continuar navegando, você concorda com este monitoramento. Leia mais na nossa Política de privacidade.

Fósseis de 390 milhões de anos são encontrados em obra de Ponta Grossa


Por Vitor Carvalho Publicado 01/07/2026 às 12h58
Ouvir: 00:00
Fóssil3 (1)
Foto: NASOR - Paleontologia e Geologia

Durante as obras de implantação da Linha de Transmissão (LT) Ananaí 500 kV Ponta Grossa – Assis, foram encontradas 2.655 amostras de fósseis, que datam de até 390 milhões de anos atrás. A coleta ocorreu por meio de um Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico da TAESA, um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil.

O acervo científico reúne vestígios de formas de vida que habitaram a Terra há centenas de milhões de anos, em períodos anteriores ao surgimento dos dinossauros. O projeto foi pensado preventivamente para atravessar cinco formações geológicas com reconhecido potencial fossilífero, como Furnas, Ponta Grossa, Teresina, Rio do Rasto e Botucatu.

Com uma extensão de 275 quilômetros e 581 torres instaladas, o traçado da linha intercepta 13 municípios dos estados do Paraná e São Paulo. No Brasil, os fósseis são legalmente protegidos como bens da União e patrimônio cultural, exigindo tratamento técnico especializado quando interceptados por obras de infraestrutura.

Fóssil1 (1)
Foto: NASOR – Paleontologia e Geologia

Descobertas científicas de destaque

As atividades de campo ocorreram entre abril de 2025 e janeiro de 2026, com foco especial nas escavações de fundações de torres e demais intervenções no solo. O material resgatado reconstrói ecossistemas marinhos e continentais do Período Devoniano (cerca de 390 milhões de anos atrás) e do Período Permiano (270 milhões de anos atrás):

  • Diversidade biológica: foram coletados macrofósseis e materiais de microfaleontologia, incluindo trilobitas, braquiópodes (conchas marinhas), moluscos bivalves, peixes, tentaculites, gastrópodes e conconstráceos.
  • Flora pré-histórica: fragmentos vegetais fossilizados de licófitas (plantas primitivas) e estruturas de bioturbação (registro da atividade de organismos que cavavam o solo no passado) também integram o acervo.
  • Destinação adequada: todo o material está em fase final de catalogação e entrega oficial para a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), gerando um termo de recebimento que será reportado à Agência Nacional de Mineração (ANM), garantindo a total rastreabilidade das amostras.
Fóssil2 (1)

“A experiência na LT Ponta Grossa – Assis demonstra que a paleontologia preventiva vai muito além do cumprimento de uma exigência regulatória. Trata-se de um compromisso real com a preservação do patrimônio científico e com a devolução desse conhecimento para a sociedade”, afirma Henrique Zimmermann Tomassi, paleontólogo responsável pelo projeto executado em parceria entre a TAESA com a NASOR Paleontologia e Geologia.

Educação patrimonial

Mais do que salvaguardar os fósseis de forma definitiva, a TAESA, a MRS Ambiental e a NASOR promoveram um amplo programa de capacitação e sensibilização social. “Foram realizados mais de seis eventos de Educação Patrimonial voltados a museus, escolas e prefeituras locais nas cidades por onde passa a linha. Adicionalmente, mais de 200 colaboradores que atuavam nos canteiros de obras foram treinados para reconhecer indícios fossilíferos, transformando a rotina da engenharia em uma oportunidade de aprendizado coletivo”, diz Mark Bermanzon, Analista Ambiental na TAESA.

“O sucesso da execução do Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico na LT Ananaí posiciona o empreendimento como um caso de referência técnica de sucesso para o setor de transmissão de energia no país, provando que é possível conciliar o desenvolvimento da infraestrutura elétrica com o respeito e a valorização da memória natural do planeta”, complementa Valéria Moreno, Coordenadora de Meio Ambiente na TAESA. (Com informações da assessoria)

Participe do grupo e receba as principais notícias da sua região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Vitor Carvalho
Vitor Carvalho

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e especialista em Jornalismo Investigativo. Tem experiência no rádio, TV e em veículos impressos.