Bombeiros registram 300 ataques de cães neste ano no Paraná; em PG foram 11

O Corpo de Bombeiros registrou cerca de 300 ataques de cachorros em todo o Paraná desde o início de 2025. Somente em Ponta Grossa, segundo a corporação, foram 11 registros.
Entre os casos mais recentes está o da moradora que foi atacada por dois cães da raça pitbull na tarde de segunda-feira (22). De acordo com o Hospital da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG), a mulher de 24 anos segue internada em leito de enfermaria e agora passa bem.
Ela foi mordida na Rua Cristóvão Rostek Gaia, no núcleo Costa Rica, bairro Neves. Segundo a Polícia Militar, um morador da região presenciou o ataque e conseguiu afastar os animais utilizando um pedaço de madeira, evitando que os ferimentos da vítima fossem ainda mais graves. Ela sofreu lacerações nos dois braços.
O proprietário dos cães, um homem de 42 anos, foi encaminhado à 13ª Subdivisão Policial e deverá responder pelos crimes de omissão de cautela e lesão corporal.
Coletores de lixo
Outro caso que chamou a atenção em Ponta Grossa neste ano foi o ataque a coletores de lixo, no fim de abril. Os dois trabalhadores foram mordidos por um cachorro da raça pitbull, na Vila Odete, após o animal pular o muro de uma casa. O ataque foi gravado por uma câmera de segurança instalada no caminhão da Ponta Grossa Ambiental (PGA), concessionária responsável pelo serviço. Assista ao vídeo abaixo:
Animais da família
Segundo o Corpo de Bombeiros, a maioria das ocorrências no estado acontece dentro das residências, envolvendo animais de estimação da própria família.
No último domingo (21), em Piraquara, região metropolitana de Curitiba, uma criança de três anos foi atacada no quintal de casa. A babá tentou intervir e também ficou ferida. A menina sofreu lesões graves na cabeça e no rosto e precisou de atendimento médico imediato.
Dois dias depois, na terça-feira (23), outro caso foi registrado em Curitiba, no bairro Cajuru. Uma mulher foi atacada por um cão de 16 anos, que vive com a família desde filhote. A vítima teve ferimentos em um dos braços e recebeu atendimento do SIATE.
Recomendações de segurança
De acordo com os bombeiros, a principal recomendação diante de cães agressivos, em espaços públicos ou privados, é manter distância e evitar contato, acionando as autoridades competentes – como a prefeitura ou os números de emergência.
A capitã Luisiana Guimarães Cavalca destaca que até mesmo cães considerados dóceis podem reagir de forma inesperada. “Quando se mexe na comida ou em um brinquedo do cachorro, ele pode se tornar muito agressivo. Mesmo dóceis, os cães podem ter atitudes instintivas de defesa”, explicou.
Confira as dicas:
- Aja com cautela: mantenha a calma para não agravar a situação.
- Medidas para afastar o animal:
- Jogar água com balde ou mangueira;
- Utilizar um extintor de incêndio;
- Em casos extremos, colocar um cabo de vassoura entre os dentes do cachorro para que ele solte a vítima.
- O que não fazer:
- Evite bater ou puxar o cão, pois isso pode piorar os ferimentos da pessoa atacada.
Sinais de alerta que antecedem ataques:
- Rosnados;
- Olhar fixo;
- Postura com a cabeça baixa em relação ao corpo.
Conduta recomendada:
- Afaste-se imediatamente;
- Procure um local seguro.
Consequências legais
Ataques em vias públicas podem gerar responsabilização criminal dos tutores. Segundo o delegado Guilherme Dias, chefe da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente de Curitiba, os donos podem responder por omissão de cautela ou até por lesão corporal.
- A omissão de cautela, prevista na Lei das Contravenções Penais, prevê prisão de 10 dias a 2 meses ou multa.
- Já a lesão corporal pode resultar em pena de 3 meses a 1 ano de prisão.
A Polícia Civil orienta que vítimas registrem boletim de ocorrência sempre que os ataques envolverem cães com tutores. O registro pode ser feito presencialmente em delegacias ou de forma online, pelo site www.policiacivil.pr.gov.br/BO.

